Meias experiências

Passei o carnaval deste ano em Curitiba por causa do trabalho, e minha esposa acabou indo pra lá, pra podemos aproveitar o fim de semana juntos. Na segunda-feira estávamos jantando no restaurante do hotel e notamos um casal de franceses na mesa ao lado. Começamos a divagar sobre o porquê de alguém decidir ir pra Curitiba no carnaval (claro, sem ser a trabalho), sendo que o carnaval de lá é bem mais tranquilo do que o de outras capitais.

Em algum momento falei, brincando, que eles deviam estar com medo de cair no carnaval hardcore, e que era o mesmo que ir a um show de rock e ficar no camarote por medo de cair num mosh pit.

E aí fiquei pensando nas “meias experiências”.

Às vezes não conseguimos aproveitar totalmente uma experiência por medo do desconhecido, ou por algum outro bloqueio. Não conseguimos mergulhar de cabeça em algo sem antes encostar o dedão do pé pra testar a temperatura — e, ainda assim, depois de testá-lá, chegamos à conclusão de que o melhor, mesmo, é ficar na borda da piscina.

Não me considero apto a criticar o casal, caso eles realmente tenham escolhido viver a meia experiência do carnaval; eu mesmo tenho minhas meias experiências — por exemplo, evito ao máximo as montanhas-russas de parques de diversões, e também prefiro ficar longe da bagunça dos shows de rock. Não consigo me jogar totalmente na culinária de uma localidade que estou visitando sem saber muito bem quais ingredientes são utilizados (a não ser quando vou com a cara do prato assim que vejo uma foto, o que às vezes me causa um certo arrependimento — um dia eu tenho que contar as histórias de alguns pratos super apimentados que já experimentei!) e, às vezes, troco a possibilidade de conhecer um ponto turístico pelo conforto de um quarto de hotel.

Em compensação, tenho curiosidade por locais que saiam do roteiro turístico. Isso foi algo que aprendi com minha esposa, pois ela também tem esse interesse. Graças a ela, descobri como é divertido encontrar aquele restaurante incrustado no meio de um bairro chinês, ou descobrir uma praia praticamente livre de turistas!

Ainda assim, sei que é difícil ficar livre do conforto de uma meia experiência. O que fazer, então?

O negócio é procurar dar mais ouvidos ao seu impulso do que à sua consciência. Sabe aquela voz interior que te diz, às vezes, pra você “apertar a tecla F”? Então… é o seu impulso te dando a oportunidade de escolher ter uma experiência completa, sem medo de ser feliz! Dê uma chance à sua voz interior de vez em quando, e você terá, no mínimo, várias histórias interessantes pra contar.

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