Being Erica

Recentemente descobri, através de uma amiga, o seriado canadense Being Erica, cujas 4 temporadas foram produzidas de 2009 a 2011. A protagonista da série, Erica, conquista o privilégio de revisitar e modificar alguns acontecimentos de seu passado que, ela acredita, foram responsáveis pela vida “imperfeita” que ela leva — solteira aos 30 anos e com um emprego que está longe de fazê-la feliz.

Imagino que a premissa não seja algo novo; tem até um filme com o Nicolas Cage (cujo nome sempre tenho dificuldade pra lembrar) que explora um pouco essa coisa das decisões que tomamos e seu reflexo em nossas vidas, e como nossas vidas poderiam ser diferentes se tivéssemos escolhido caminhos diferentes. O próprio Efeito Borboleta mostra como uma simples mudança, aparentemente inofensiva, no passado pode ter desdobramentos totalmente imprevisíveis. Mas a forma como a série apresenta a possibilidade dessas mudanças, a partir dos arrependimentos da protagonista, e o elenco talentosíssimo, fazem com que a série prenda a atenção do espectador.

E, no meu caso, como praticamente tudo na vida, levam a filosofar sobre como minha vida poderia ter sido diferente se eu não tivesse alguns “arrependimentos”…

Sei que o assunto “se eu pudesse mudar algo no meu passado com certeza eu mudaria” é recorrente neste blog e, na verdade não sei se a coisa é tão simples assim. Talvez seja muito mais uma questão de “fazer as pazes” com seu passado do que de mudá-lo efetivamente — considerando, claro, que isso fosse possível. Ou, ralvez, de usá-lo pra aprender alguma lição a ser aplicada num momento atual.

• – • – •

Em um dos posts anteriores eu falei sobre 20 coisas que eu mudaria se pudesse voltar aos meus 18 anos. Assistir a Being Erica me fez chegar à conclusão de que, na verdade, eu não gostaria de mudar nada. Ou melhor, talvez eu até mudasse apenas pra conhecer um novo desfecho pra determinadas situações. Por exemplo, eu tenho muita vontade de saber o que teria acontecido se eu tivesse feito Artes Plásticas em vez de Publicidade! Como meu pai reagiria? Como seriam os anos de faculdade? O que eu aprenderia? O que eu faria, profissionalmente falando, durante e depois da faculdade?

Mas não sei se eu gostaria de, efetivamente, mudar meu passado, e Being Erica me fez entender o porquê. Só não vou contar aqui porque não quero correr o risco de lançar um spoiler… mas, se alguém quiser saber, eu posso falar nos comentários.

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Se bem que…

Não me arrependo de muita coisa, e acho que eu já falei sobre isso antes — por isso coloquei “arrependimentos” assim, entre aspas, no começo do texto. Mas o fato de eu não ter me despedido “decentemente” do meu avô me incomoda bastante. Esse é um dos pouquíssimos arrependimentos legítimos que eu tenho!

Ainda assim, não sei se eu voltaria no tempo pra ir visitá-lo na semana em que ele morreu, mesmo se eu tivesse a oportunidade.

Quando uma pessoa que amamos morre nenhuma despedida é suficiente. Sempre ficamos com aquela sensação de que poderíamos ter passado mais tempo juntos. de que poderíamos estar ao lado da pessoa durante seu último suspiro. E, mesmo que estivéssemos lá, sempre pensamos que poderíamos ter feito mais por ela pra amenizar sua dor ou pra permitir que ela ficasse conosco por alguns segundos. O tempo que passamos com ela nunca terá sido suficiente, e sempre nos arrependeremos por não estarmos presentes em outros momentos.

Por isso, no fim das contas, quando penso no meu avô me lembro de uma das últimas vezes em que nos vimos. Minha mãe me pediu pra ir até a casa dele, a pé, pra buscar algumas coisas. Eu tinha sido assaltado um pouco antes daquele dia e estava meio traumatizado e, no fim das contas, comentei com ele que eu tinha que ir embora cedo pra não correr o risco de ser assaltado novamente. Não me lembro exatamente de suas palavras, mas ele disse alguma coisa sobre não ter medo e confiar que tudo ficaria bem. Eu o abracei e fui pra casa, ainda com medo mas um pouco mais tranquilo depois de ter ouvido o meu avô.

Depois disso acho que o vi uma ou duas vezes… e aí, no fim de março de 1998, ele foi levado ao hospital depois de ter tido sintomas de angina, ficou internado durante o fim de semana, brigou com um enfermeiro por algum motivo de que não me lembro e resolveu voltar pra casa. Estava tudo bem na segunda-feira em que minha mãe e minhas irmãs foram visitá-lo; eu não fui porque estava trabalhando (havia começado a trabalhar uns 2 meses antes) e porque achei que tudo ficaria bem até que, na sexta-feira da mesma semana, ele teve um infarto fulminante…

Eu queria ter passado mais tempo com ele. Quem sabe um dia?

Até porque…

“Se é mesmo verdade o que os sábios nos dizem e se existe um lugar que nos acolhe (depois da morte), talvez o amigo que acreditamos extinto tenha apenas nos precedido.”
— Sêneca

(A citação teve um propósito. Quem assistir à série vai entender…)

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