O país do futuro?

(Vou fugir do tema deste blog um pouco mas é por uma boa causa. Eu acho, pelo menos…)

Um tempo atrás participei de uma discussão sobre a situação do país e as possíveis soluções para os problemas que enfrentamos. Em um dado momento eu dei minha opinião, dizendo que em vez de tentar mudar o Brasil era mais fácil mudar do país. Uma das pessoas que participavam da discussão iniciou um discurso ufanista, dizendo que cada um tem que fazer sua parte, que temos que preparar nossos filhos pra fazer um país melhor etc. Naquele momento não consegui pensar em argumentos para rebater o discurso — e, pra falar a verdade, me deu um pouco de preguiça de levar a discussão adiante.

Hoje, no metrô, ouvi dois caras conversando e um deles fez, praticamente, o mesmo discurso!

Daí comecei a pensar naquilo. E acabei reforçando minha crença de que essa coisa de “preparar as futuras gerações para consertar o País” é algo fadado ao fracasso.

Pra começar, temos que pensar que o Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes. É muita, muita gente! Tentem imaginar qualquer espaço fechado (um galpão, por exemplo) com toda essa gente… impossível, né? Pois bem: pra essa mudança acontecer teríamos que unir, de alguma forma, todas essas pessoas; toda a população deveria estar comprometida com a causa. É muita ingenuidade acreditar que isso é possível, ainda mais quando presenciamos, diariamente, demonstrações de que o povo concorda com a situação atual — ou, pelo menos, é indiferente.

Eu vi a entrevista de um sociólogo (vou tentar encontrar depois) em que ele diz que o povo brasileiro somente fica chocado com a corrupção no governo (ou qualquer corrupção “grande”) porque foi deixado de fora, mas não abre mão das “pequenas” corrupções do dia a dia, tipo furar fila ou guardar troco que foi dado a mais.

O povo brasileiro não se importa com o próximo, e isso é o que mais me irrita. Sem querer parecer pedante, mas nas duas viagens que fiz pra outros países (uma pros Estados Unidos e outra pro Canadá) eu me senti tão à vontade com as pessoas de lá… principalmente porque todo mundo respeita seu espaço pessoal! As pessoal tem uma noção de respeito ao próximo que praticamente inexiste por aqui e, se não conseguimos respeitar o próximo nas situações mais básicas da convivência diária, se não conseguimos respeitar os limites do quintal do nosso vizinho, que moral temos pra exigir grandes mudanças?

Por falar em “ter moral” pra algo, vamos voltar ao argumento de “preparar as gerações futuras”…

Meus pais me ensinaram a respeitar o próximo e, acredito eu, os pais de uma parcela (pequena, aparentemente) da nossa geração também passaram esse ensinamento para seus filhos. Então, por que (ou como) chegamos a esse ponto? Nossos pais foram incompetentes? E, se esse for o caso, quem garante que nossa geração será bem sucedida ao educar seus filhos para que estes construam um país melhor? Pensar que cabe aos nossos filhos essa “missão” é reconhecer que nossa geração e,  consequentemente, nossos pais, falharam.

Quer um futuro melhor para você e sua família? Admita, em primeiro lugar, que você, sozinho(a), não vai mudar nada. E pense com carinho na possibilidade de ir pra outro lugar…

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