Inception

Como parte da maratona de filmes “cabeça” do outro post, esposa e eu assistimos a Inception, do Christopher Nolan. Acho que o filme dispensa apresentações mesmo praqueles que ainda não viram, mas vou colocar uma sinopse bem resumida: o personagem do Leonardo di Caprio no filme é contratado por um magnata pra implantar uma ideia na cabeça do filho de um de seus concorrentes durante o sono. E só vou falar isso pra não correr o risco de soltar um spoiler

(Cabe aqui um pedido, quase uma súplica: se não viram esse filme, vejam o quanto antes! E não se preocupem em entender de primeira; eu mesmo só consegui pescar algumas coisas depois da terceira vez que assisti…)

No filme, a ideia é que a memória seja implementada enquanto a “vítima” está dormindo, ou seja, a pessoa não tem a mínima noção de que isso esteja acontecendo. Uma situação como essa parece absurda, ainda mais se você levar em conta que seria necessário conectar as mentes de duas ou mais pessoas entre si, como se cada cérebro fosse um computador conectado a uma rede. Se pararmos pra pensar em como as coisas teriam que funcionar na “vida real”, o enredo brilhante do filme fica ligeiramente sem graça.

Mas e se pensarmos em um inception “consciente”?

Às vezes, basta alguém dizer uma única frase pra que você passe a crer em (ou descrer de) algo. Aquela ideia por trás da frase vai “fermentando” na sua cabeça até que um dia ela se concretiza…

Foi o que aconteceu, por exemplo, com algo que eu ouvi há uns 3 anos, quando eu contei a uma pessoa do trabalho (que, diga-se de passagem, deveria ter cuidado redobrado com o que diz por causa da função que ocupa…) quais eram meus objetivos de carreira a médio/longo prazo: ela me disse que não achava que eu tinha “perfil pra isso”!

Por mais que você não queira ser influenciado por esse tipo de coisa, você acaba remoendo, relembrando… até que, um dia, você passa a acreditar naquilo como se fosse uma verdade absoluta! E aí, quando você chega a esse ponto, é quase impossível reverter a situação.

Receber esse tipo de feedback me aborreceu bastante, pois eu vinha trabalhando duro pra atingir meus objetivos profissionais… e bastou UMA pessoa disparar UMA frase e implantar uma ideia na minha cabeça, ainda que não tenha sido intencional (o que eu duvido bastante), pra que eu desistisse de tudo…

Mas… há sempre o lado bom das coisas, né?

Um belo dia comecei a pensar: “se eu não sou bom nisso eu tenho que ser bom em algo!

Eu acredito que, assim como qualquer ser humano, tenho condições de desenvolver múltiplos talentos. Por isso, comecei a resgatar certas coisas que eu acreditava fazer bem pra tentar identificar minha verdadeira paixão, aquilo que me faria trabalhar por horas a fio com um sorriso no rosto. Um dos talentos nos quais estou apostando agora, depois de ter ouvido de diversas pessoas que eu levava jeito pra coisa (e depois de anos duvidando um pouco disso, diga-se de passagem), é a dublagem: comecei um curso livre recentemente que, embora não me permita trabalhar (é necessário ter DRT de ator, o que, por sua vez, é conseguido ao cursar uma escola de teatro ou um curso superior de artes cênicas), vai me ajudar a descobrir se eu deveria investir nessa carreira ou não.

Há outros talentos que eu pretendo explorar caso não sinta tanta afinidade assim com a dublagem. Já estou pensando nos planos B, C, D…

• – • – •

Assim como uma boa parte das crianças dos anos 80, eu sofri bullying.

Naquela época não havia um nome pra isso: era, sei lá, implicância, zoeira, tiração de sarro ou qualquer outra coisa. Mas, no fundo, era a imposição de um indivíduo, geralmente mais forte, sobre outro, geralmente “diferente” de alguma forma. Todos nós conhecemos essa história, certo?

Eu era meio nerd quando era criança. Comecei a usar óculos aos 7 anos de idade, e isso contribuía bastante pra incrementar o look “CDF” (ainda usam essa expressão?). Além disso, nunca precisei estudar por horas a fio pra ter boas notas, e isso era um prato cheio pra que outras crianças implicassem comigo — depois da quinta série descobri a “cola”, além de ter percebido, enfim, que eu não precisava ter notas brilhantes pra passar de ano; a partir desse momento meus boletins nunca mais foram os mesmos mas, ainda assim, o estigma de nerd permaneceu…

E ser zoado pelas outras crianças também alimentou uma ideia na minha cabeça. Ou seja, a criançada da escola já fazia inceptions muito antes do Christopher Nolan!

Durante muito tempo eu mantive a convicção de que eu era feio — fruto de tudo o que eu ouvia na escola. O reflexo disso na minha vida adulta é que, quando eu passei da fase do “crescei-vos” e entrei na fase em que a sociedade espera um “multiplicai-vos”, comecei a entrar em desespero: será que alguém nesse mundão vai querer casar comigo? Até que apareceu minha ex, e eu me agarrei a ela com todas as minhas forças (porque, na minha cabeça, eu tinha encontrado a única louca, no mundo inteiro, que teria vontade de se casar comigo)… e, como dizem, o resto é história!

Daí, quando eu levei a fatídica “bota”, comecei a perceber que havia mais “loucas” interessadas em mim — algumas delas eram loucas ao pé da letra mesmo, mas isso não vem ao caso…

O fato é que eu precisei de uns 20 anos (e um pé nos fundilhos) pra me desvencilhar da ideia de que eu não era atraente. Espero demorar menos tempo pra me livrar dos efeitos desse inception que fizeram, recentemente, em mim!

• – • – •

E você, leitor(a)? Consegue identificar algum inception que fizeram em você? Como você se livrou dele?

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One Comment em “Inception”

  1. Vanessa Says:

    Boa noite! Não sei como entrei no seu blog mas, como gosto de ler, acabei lendo alguns de seus textos. Gostei muito da forma que você levanta questões pessoais e, ao mesmo tempo, comuns a muitas pessoas( muitas pensando como você e outras não). Se ajudar, vou escrever algumas coisas que penso a respeito. Primeiro, tudo na vida e cíclico. Exemplos? Muitos! Os pássaros migram durante uma época específica do ano e, todo ano assim o fazem; não conheço até hoje nenhuma criança que não tenha sofrido algum tipo de bullyng( menor ou em maior grau, todos nós já tivemos algum apelido que nos fez sentirmos ” rejeitados”); as guerras só foram aprimoradas( deixamos o arco e flecha e passamos para arsenais mais poderosos) e, pior, elas são ” movidas” sempre pelos mesmos interesses; nascer, crescer, desenvolver e multiplicar está nas entranhas( parece até ” doença” genética); dizer que temos que estudar, ter uma profissão de respeito, ganhar dinheiro com isto, comprar casas, carros, etc..; nem vamos comentar; achar que as outras pessoas interferem nas nossas atitudes e falta de atitude de nossa parte chega a soar ” infame”( que atire a primeira pedra quem nunca foi influenciado por outros ou coisas? Se alguém disser que nunca pensou duas vezes antes de fazer alguma coisa estará mentindo porque por mais que tenhamos opiniões firmes e fortes sempre irá bater aquela perguntinha:- e se alguém não gostar? Responderam não? Péssima resposta! Quando foi que uma criança fez algo que os pais não iriam aprovar e ficou com aquela ” cara ” do tipo :- fiz coisa errada( então, ao menos uma vez na vida, alguém já se preocupou com a opinião alheia e, consequentemente, foi influenciado); quem não casou e, em dado momento pensou que foi um grande equivoco( nem que este equívoco só tenha durado na sua mente por minutos); quem nunca parou para pensar se pudesse ter feito algo diferente e ficou pensando na situação que estaria atualmente; quem nunca deixou para visitar alguém muito querido pensando que teria uma oportunidade mais a frente e não a teve? São muitas as questões levantadas e, quem nunca um dia tenha, ao menos, só feito uma rápida e tímida pergunta para si mesmo? O que quero dizer sobre tudo isto e que se fossemos perfeitos não seriamos humanos. E os humanos, se vangloriam de estar no topo da cadeia alimentar e olham com desdém para os ” seus seres inferiores”. E, na maioria das vezes, estes seres ” inferiores” são humanos, também. Sem falar nas agressões que praticamos contra os animais e a Natureza( nós mandamos no Planeta, não e mesmo? Então, temos licença para agir como queremos). E difícil comentar todos os seus textos separados. Parece ser uma tarefa impossível fazer isto com apenas um texto. Resumindo, quando você ou qualquer outra pessoa( me incluo) chegar a se questionar sobre tudo isto que você escreveu e, muito provável, que ela tenha se libertado de estereótipos a seguir( ou se não conseguiu ainda, muito pouco a opinião ou o ” implante” de ideias,seja ela ” coletiva ou individual” vai interferir na forma de você agir). Com certeza, já saberá de antemão o que deseja e, se uma pequena dúvida pairar no ar, ela, simplesmente só será isto:- uma inofensiva dúvida! Viver e um risco e assumir riscos e viver melhor! Viver sempre perguntando:-e se tivesse escolhido de outro jeito… ficaremos perdendo um tempo precioso. Não confundir com conformismo. Você, em determinada fase de sua vida, tomou aquela atitude que parecia ser a melhor na época. Então, ponto. Já começou a escrever sua história. Caso não seja a pessoa que gostaria de ter sido ou o que gostaria de ter tido ou vivido e só pensar:- usei as ferramentas da época! E como assistir um filme de guerra do tempo das catapultas e pensar que tudo estaria resolvido com um míssil de hoje. Mas, naquela época, não existia aquela tecnologia. O mesmo vale para a vida. Como pensar se poderia ter sido jogador de futebol se, na época me senti atraído por Jornalismo?( e só um ex)! E fácil pensar ou imaginar ou tentar pensar como a nossa vida poderia ter sido diferente olhando por um ângulo de quem já percorreu parte da vida! E fácil pensar de trás pra frente! Então, a única coisa que uso para minha vida e um lema muito simples:- se, conforme os teus preceitos e não os de outrem, você fez o melhor que podia para a aquele momento( não importa se o resultado foi bom ou ruim), você fez e o melhor e ponto. Querer sempre melhorar e ótimo mas, lembre:- tente ser melhor a partir do ponto que você está e não de onde esteve). E, os outros sempre serão os outros porque a vida e só sua e ninguém vive por você e nenhum parceiro(a) vai substituir o vazio. Devemos preencher nossos vazios escrevendo a nossa história e não com a história que os outros escrevem por nós. Cabe a cada um dar limites a opinião alheia e, não penso que outras pessoas possam interferir na escolha da tua profissão. Não te conheço mas, se conhecesse não poderia dizer:- fulano, acho que você desenha bem e deveria investir nesta profissão. Desenhar bem a gostar de desenhar são coisas muito distintas. Se escolher a sua profissão baseado nisto,,novamente, você correrá o risco de não se encontrar profissionalmente, por exemplo. Somente nós podemos dizer em que somos melhores profissionalmente e, nem sempre acertamos. Imagine os outros respondendo os ” nossos testes vocacionais”. As vezes, o melhor e pensar menos e agir mais( porque se tudo que iremos fazer iremos pesar na balança e tentar não ” errar” perdemos o nosso maior foco:- VIVER! Viver não e sobreviver e sim ter a capacidade de mudar o rumo conforme a vida assim o clama. E, finalmente, pergunto:- sabemos o que é viver? Sabemos o que é ser feliz??? Existem muitos ” catálogos” que vendem passos para sermos felizes e vivos!!! Vale a pena este risco? Eu penso que não. Cada um siga sua própria razão. Temos um cérebro que foi feito para pensar e usar. Escolha se vai ser a favor ou contra você! Quanto ao cérebro dos outros, deixem que pensem por nós e por eles, se assim insistirem, pois só estarão gastando os seus preciosos tempos! E tempo e vida! Nunca deixe de levantar questionamentos pois e através das perguntas que ainda não sabemos responder que surgem as grandes ” descobertas!!! Sucesso na sua nova carreira! Parabéns! PS. Fui escrevendo conforme as palavras iam saindo e tenho o péssimo defeito de não corrigir o que escrevo então, por favor desculpe a ortografia! Abraço, Vanessa.


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