Cara chato – parte 2

Embora eu negasse, lá no fundo do meu subconsciente eu sabia que era só uma questão de tempo até o cara chato do outro post cruzar meu caminho novamente, ainda mais considerando que moramos em bairros praticamente vizinhos — com a diferença de o meu bairro ser “classe média” e o dele ser “nouveau riche”.

Não deu outra.

Desta vez foi na academia. Tentei me esconder entre os aparelhos e os halteres, mas o espaço era muito menor do que o do mercado — e a obstinação do cara chato em ser chato era maior do que a minha capacidade de fugir. Por fim, ele me aborda enquanto estou fazendo abdominais:

– Oi, você não é o Fulano, que trabalhou na empresa Tal? (nomes trocados para preservar a identidade do autor)
– Sim, sou eu.
– Lembra de mim?

Minha boca, sempre impulsiva, quis dizer “claro q eu me lembro, por isso achei melhor não falar com você”, mas meu cérebro achou melhor ser mais polido, ainda que usando uma estratégia desesperada ( popularmente conhecida como “dar uma de louco”):

– Não, não lembro. Faz tempo que você trabalhou lá?
– Ah, eu sai de lá em 2006, se eu não me engano.

(Ele saiu de lá pra um emprego muito melhor que o meu, com um salário muito maior. E, na época, fez questão de deixar isso bem claro.)

– Putz, não lembro. Faz tempo, né?

O sorriso que ele tinha no rosto, como se dissesse “não posso desperdiçar essa oportunidade de contar vantagem sobre a vida sensacional que eu levo” lentamente se transformou em uma expressão de desapontamento por não ter atingido seu objetivo — e por eu, supostamente, não ter me lembrado. Ou por ele ter sacado a mentira…

A “conversa” evoluiu pra ele perguntando se eu ainda estava na mesma empresa e comentando, como quem não quer nada, que tinha juntado um dinheiro antes de pedir as contas do último emprego e de passar em “alguns concursos”. Agora ele está esperando ser chamado por algum órgão público pra poder começar a trabalhar. Ou seja, mesmo depois de eu deixar claro que eu não queria conversa ele insistiu em contar vantagem!

Eu não costumo tratar as pessoas dessa forma. Se eu te conheço e passei por você na rua sem te cumprimentar, é muito provável que eu não tenha te visto ou te reconhecido (eu tenho um pouco de problemas pra me lembrar dos rostos das pessoas). Mas, nesse caso, não acho que eu tive escolha, ainda mais considerando toda a história do post anterior.

Numa dessas mensagens de autoajuda que aparecem às vezes no Facebook alguém disse que devemos escolher muito bem as pessoas que queremos manter por perto. Eu escolho afastar, a todo custo, pessoas que não agregam absolutamente nada à minha vida; ou, nesse caso, gente que só serve pra encher o saco!

Explore posts in the same categories: Aleatórios, Grandes Lições

4 Comentários em “Cara chato – parte 2”

  1. Rachel Says:

    Adorei o “nouveau riche”! rsrs… Ow, manda pra mim uma foto desse sujeito. Vai que eu cruzo com ele por aí. CARA CHATO!!!

  2. babigti Says:

    Oi Zé!
    Descobri o seu blog, não por acaso, pois estava justamente procurando por “blogs de superação” no google!
    Cai aqui e li tudo que você já escreveu: do primeiro até esse último post em 2 dias!
    Olha, vi as desventuras que passou em 2008, e agora em 2014, rumo 2015, sou eu que passo por coisas tão similiares a sua experiencia, que posso garantir, que parecem posts tão recentes!
    E alguns parece até que fui eu quem escrevi…a sensação que eu tenho é que te conheço há tempos!
    Meu casamento acabou tbm, ha pouco tempo, e tbm criei um blog, antes de descobrir esse seu, contando as minhas experiencias.
    Virei sua fã! Mas vim aqui pedi pra você voltar a postar com frequencia! Sei que você se arraanjou na vida, e acredite: fiquei muito feliz de ver que a vida continua! Eu não consigo me ver ainda, casando de novo, encontrando alguem “melhor” do que o cara que acabou de me dar um pé…tbm desacredito no amor, vejo fotos no face de casais e penso,..”que trouxa, isso mais cedo ou mais tarde vai acabar”, e vem sem querer na minha mente! mesmo que eu goste muito da pessoa que colocou a tal foto!
    Enfim, conta mais pra gente os detalhes, como conheceu sua noiva? como sabia q era ela? eu vi q falou que foi sentindo, foi natural? mas e agora? qual a diferença do sentimento por ela e da ex? eh o mesmo amor? o que é o amor afinal? existe?? rs
    um grande abraço!
    Ah, se quiser aparecer no meu blog pra dar uma dica, se lhe interessar, convir, puder… é legal contar com ajuda de quem sabe o que estamos passando afinal! tem apenas 6 postagens ainda, pra vc me dizer se o que estou sentindo, está muito longe de acabar rs…eu só quero que essa dor passe! Será que falta muito?

    http://superesorria.blogspot.com.br/

    • autoajudasentimental Says:

      Oi Bárbara, muito obrigado por seu comentário! Fico feliz em saber q vc gostou!😉
      Eu sei q eu preciso voltar a postar. Ando meio sem criatividade pra escrever, e tenho estado meio enrolado com algumas coisas… mas assim que as coisas ficarem um pouco mais tranquilas eu volto a postar! (Aliás, acho q eu já estou tendo umas ideias aqui…)
      Acabei de ler seu blog tb e acho q vc parece estar com um humor muito melhor do q o meu qdo eu comecei este blog! hahahha
      Os primeiros meses depois de uma separação realmente não são fáceis, mas acho q vc tá indo bem. Tem q procurar se divertir mesmo, buscar novas experiências, perder o medo de arriscar… e aí, um belo dia, vc vai perceber q superou!
      A única dica q eu deixo é: não se pressione demais, por mais q esteja doendo agora. Como acontece c/ qualquer ferida (ainda q esta seja apenas “psicológica”), há dor e incômodo durante o processo de cicatrização. E há, principalmente, um processo que precisa ser respeitado; não adianta tentar acelerar pois, do contrário, vc corre o risco de machucar ainda mais a ferida — e aí pode ser q ela nunca mais se feche… :-\
      Ah, e essa coisa de não acreditar no amor é normal, viu? hahahhaha
      Na verdade (e já começando a responder às suas perguntas😉 ) acho q passar por uma separação te ensina a enxergar o amor de uma forma diferente daquele amor romântico com o qual geralmente sonhamos… talvez, em algum momento, vc perceba q o q vc sentia pelo seu ex não era exatamente amor. Eu achava q eu amava minha ex mas agora tenho certeza de q ela foi uma “bóia” à qual eu me agarrei por medo de nunca mais conseguir encontrar outra “bóia”. Hoje eu tenho um sentimento totalmente diferente pela minha “recém-esposa” (pois é, casei recentemente e nem postei nada a respeito… hahahha já estou criando um post!). Temos uma cumplicidade muito maior do q eu tinha c/ minha ex, e eu não vejo minha esposa como uma “bóia”, mas sim como alguém com quem partilho objetivos e planos. Acho q no fim das contas o amor é isso: compartilhar objetivos, planos e sonhos c/ alguém!

      Conheci minha esposa no trabalho. Na verdade eu a contratei… hahhahaha mas eu era casado com minha ex na época, e demoramos uns 4 anos pra, finalmente, começarmos a namorar! O mundo deu várias voltas durante esse período, até q um dia a gente se perguntou por que nunca tentamos namorar, depois de tanto tempo sendo amigos e percebendo como tínhamos tanto em comum… e deu certo no fim das contas!
      (Talvez essa seja outra dica: pode ser q vc já conheça aquela pessoa especial; é só uma questão de tempo até vc perceber!)

      Um abraço e se cuida!😉


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: