Dedicação

Tenho refletido bastante sobre minha vida profissional, que parece precisar de alguns ajustes. Na verdade às vezes eu tenho a impressão de que eu precisaria romper totalmente com minha situação atual e começar algo novo. Ou seja, talvez eu devesse iniciar uma nova carreira. Mas tenho sentido que nada me empolga; até mesmo um dos meus grandes sonhos, ser dublador, tem ficado cada vez mais distante.

Mas aí um pensamento me vem à cabeça: talvez eu não me dedique demais.

Ou melhor, eu até me dedico. Mas só até ter a primeira frustração. Ou até ter sucessivas derrotas. Aí é quando eu escolho “empurrar com a barriga” em vez de continuar me esforçando, em vez de insistir mais um pouquinho.

Essa coisa de parar de insistir naquilo que até dá certo, mas não tão certo quanto eu gostaria, já aconteceu em diversos aspectos da minha vida. Acho que eu acabei desistindo do meu primeiro casamento quando percebi que a maior parte das despesas ficava por minha conta, quando caiu a ficha de que só eu estava realmente me esforçando pro relacionamento dar certo.

Desisti de empregos anteriores por perceber que meus objetivos nunca poderiam ser alcançados, ainda que eu tivesse um salário razoável. Abri mão de aprender espanhol por sentir uma dificuldade extrema em dissociá-lo do inglês e, por isso, não me sentir confortável com o idioma.

Deixei meu violão temporariamente de lado depois de perceber como é difícil aprender a cantar e tocar ao mesmo tempo. Desisti até mesmo de minha crença religiosa depois de perceber que somente eu poderia me ajudar!

Muito antes disso tudo, lá pela quinta série, desisti de estudar ao perceber que eu conseguia ir bem nas provas, em geral, apenas prestando atenção nas aulas — e, mesmo que eu não conseguisse memorizar todo o conteúdo passado pelos professores, sempre havia a possibilidade de “colar”…

Há quem acredite que essa falta de dedicação a algo, essa facilidade de desistir das coisas ao primeiro sinal de dificuldade, é um dos indicativos de que uma pessoa seja esquizofrênica. Não sei se é o meu caso…

Talvez seja apenas uma questão de não ter me encontrado. Ou talvez eu precise aprender a ser grato pelo o que eu tenho, em vez de esperar uma grande mudança na minha vida.

Outra possibilidade é a de que talvez eu seja normal, e que todo mundo sinta a mesma coisa em algum momento da vida. E aí, caros leitores? Vocês também já ficaram assim?

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6 Comentários em “Dedicação”

  1. LP Says:

    Gostei muito do que você escreveu, senti muito em comum, incrível como escrever fatos ao invés de simplesmente filosofar mentalmente ajuda muito a ver oque realmente é importante focar.

    • autoajudasentimental Says:

      Realmente, escrever ajuda muito! Aliás eu preciso voltar a escrever… heheheh
      Eu ando pensando muito sobre minha vida profissional e acho que cheguei à conclusão de que, infelizmente, são poucas as pessoas que podem se considerar plenamente satisfeitas com suas profissões. Me parece que a grande maioria das pessoas sempre tem a sensação de que algo poderia ser melhor no trabalho. O grande problema é identificar o quê, né?
      Muito obrigado pelo comentário!

  2. Luka Says:

    OI!! Sou novo aqui no blog, li poucos posts até agora, mas pretendo ler varios… tão bom quanto aconselhar é relatar as experiencias e fatos q acontecem no dia a dia em forma de orientação, obrigado por fazer isso!! Gostaria muito da sua ajuda, as vezes fico falando coisas pessoais para pessoas que tenho pouca intimidade, fico procurando soluções pra ver se alguem me fala algo que possa mudar minha vida, provavelmente esteja fazendo o msm com vc agora…
    Tenho 21anos, sou homem, fiz 2 anos de faculdade, parei e fui estudar para concurso, fui aprovado na GM mas não estou trabalhando ainda, nunca trabalhei nem namorei.. desde meus 18 +- fico tendo caídas de depressão(2 por mês, dura uns 3 dias), fico pensando um sentido pra vida, como vou estar daqui a 5 ou 10 anos…”pequenos” problemas acontecem ao meu redor, fico me sentido amedrontado.. principalmente com a INCERTEZA DO FUTURO. Fico pensando se meu padrastro q é 12 anos mais novo q minha mãe a fica traíndo, se ele quer dar algum golpe, fico pensando se minha mãe vai entrar em depressão apos a morte da minha vó, tenho medo de assumir a GM… talvez por ser seg, publica, não tenho amizades, não saio para festas… Minhas condições financeiras são otimas minha mãe ganha 7 mil, sou filho unico, mas ao msm tempo não consigo tirar o orgulho de “aproveitar isso” não quero um carro, só volto pra facul qnd eu puder pagar, entre outras…. ENFIM, vim relando esses problemas (julgo problemas ser relativo, pra quem esta no problema ele sempre é grande) acho que vc entendeu +- um pouco da minha situação…
    Eu olho pra min e vejo um peso para o mundo, não sei o que realmente quero da vida, fico pensando “sera se um dia eu vou dizer: “pronto estou feliz”. Ao ler esse post me identifiquei em varios pontos… vc fala que em varias coisas procurou e desistiu, vc relatou coisas do seu passado e hj vc meio que “ainda esta na procura pela felicidade” daí parei e pensei (digamos) “será se qnd tiver a idade dele vou estar na msm situação!?”(pois as atitudes do seu passado relatadas são bem parecidas com as minhas agora.) Me identifiquei muito no penultimo paragrafo, muitas vezes ja felei quase que essas mesmas palavras, mas não consigo realmente achar q não tem algo q vai dizer “pronto, agora estou feliz”.
    Por favor peço uma orientação, alguma experiencia sua de vida, conselho, qualquer coisas.. ja pensei em sair de casa e viver sem pressão dos outros, na rua msm, um dia apos o outro, viajar pelo país tipo hip(varias vezes)… sinceramente não sei o que fazer..Obrigado pela atenção!!
    Orientação para a sua resposta: não me peça para ir a um psicologo. Não me fale que a vida é bela. Não me fale que tem muita gente sofrendo por um prato de comida ou doente no hospital…
    Por favor, antes de escrever olhe pro seu passado, pense no que viveu e como esta vivendo, e imagine que suas palavras podem mudar minha vida! OBRIGADO, FICA COM DEUS!

    • autoajudasentimental Says:

      Obrigado pelo comentário!
      Em um dos meus posts mais recentes eu falo sobre a importância de identificar determinados “padrões” de comportamento e entender como eles influenciam nossa vida. Pelo que eu percebi vc já faz isso; talvez o próximo passo seja “escolher” quais comportamentos vc gostaria de evitar. Não é uma tarefa fácil, mas é possível!
      Não posso te dizer q a vida é bela pq tb não acredito nisso. Eu sempre digo q eu devia ter nascido em uma época em q as coisas eram mais simples. Hoje em dia é possível ter uma consciência maior da podridão da raça humana, e isso é uma das coisas que nos deprime, já que não nos consideramos ajustados a este mundo. O que vc diz sobre viver como um “hippie” mostra q talvez vc tenha esse sentimento de “não pertencer” a este mundo.
      E se vc tentasse viver de uma forma mais livre? Existem pessoas que buscam a simplicidade para suas vidas e são felizes assim. Talvez seja isso o q vai fazer vc feliz!
      Enfim… espero ter ajudado.🙂

      • Luka Says:

        Olha.. não era bem a resposta que eu esperava, mas é uma opção a seguir! Talvez ser livre do padrão de vida que muitos tem como meta principal: “ganhar dinheiro é ser feliz”, abra muitas outras portas. Acredito que falta um pouco de maturidade pra min e também coragem para procurar outros rumos…
        Dar uma reviravolta no rumo de uma família q todas são concursados não parece ser fácil.. Acredito que não só pra min, mas muitos precisão arriscar mais, sem medo de errar. Parece clichê, mas tentar seguir esse ditado não é fácil… Obrigado pela resposta rápida e parabens por seguir firme nisso!
        (sugestão: ligando o que eu comentei agora, você pode fazer um poste com 30 coisas que você mudaria ou faria se pudesse voltar aos seus 18 anos, meio que em forma de conselho)

      • autoajudasentimental Says:

        Gostei da idéia do post! Vou trabalhar nisso…


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