Um peso, duas medidas

Há algum tempo venho pensando na expressão “um peso, duas medidas”. Primeiro, porque eu tinha a ligeira impressão de que as pessoas usavam, incorretamente, a expressão “dois pesos e duas medidas” — e, na verdade, depois de uma rápida pesquisa, continuo em dúvida sobre qual é a expressão certa… De qualquer forma, a expressão “um peso, duas medidas” me parece um pouco mais correta, pois dá a impressão de que uma mesma situação é tratada de forma diferente dependendo da(s) pessoa(s) envolvidas, ao passo que “”dois pesos e duas medidas”, a meu ver, remete a duas situações distintas envolvendo pessoas diferentes e que, até mesmo por isso, não são tratadas igualmente.

Segundo, porque me parece que é um hábito comum do ser humano adotar duas medidas para praticamente tudo na vida. Principalmente quando uma das medidas serve para beneficiar a si mesmo (ou quando a medida dos outros, de alguma forma, pode prejudicá-lo). Ou seja, se uma pessoa corre na sua frente pra pegar a fila do supermercado antes de você (só eu reparo quando fazem isso comigo?), é claro que você vai se aborrecer com a situação pois, afinal de contas, aquele lugar deveria ser seu! Porém, se você faz o mesmo, você consegue encontrar uma lista imensa de justificativas, mesmo sabendo que não agiu corretamente. Inclusive o próprio deslize alheio pode ser usado como uma justificativa — se os outros fazem isso, por que eu não posso?

Em alguns casos, quando somos uma “terceira parte” na situação, tendemos a defender uma pessoa de quem gostamos mais e recriminar outra, preterida, pelos mesmos motivos. Então, por exemplo, eu posso encontrar milhares de motivos pra um amigo de infância ter “pulado a cerca”, mas se uma pessoa que eu não conheço tão bem faz exatamente a mesma coisa, sob as mesmas circunstâncias, eu não vou ter pudor em condenar essa pessoa, até porque eu nem a conheço!

O problema é que fazemos isso com frequência, quase que inconscientemente. Parece que o “instinto de autodefesa” (e, possivelmente, o de “defesa da prole”) de nossos ancestrais evoluiu (?) pra isso: esgotamos todos os nossos argumentos na tentativa de provar que estamos certos, ainda que, numa situação semelhante, tenhamos recriminado alguém no passado. Ainda que tenhamos consciência de nossa desonestidade e incoerência.

Será que nós, seres humanos, somos essencialmente hipócritas? Será que mudamos as regras para nossa própria conveniência?

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2 Comentários em “Um peso, duas medidas”

  1. Izana Says:

    Li suas historias antigas e estao me ajudando… escreva mais. Estou passando por um momento difícil de separação. Bjs

    • autoajudasentimental Says:

      Que bom saber que estou te ajudando de alguma forma!
      Pois é, preciso tomar vergonha na cara e voltar a escrever…
      Torço pra que tudo dê certo pra você!😉


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