Bom senso

(Nota mental: preciso reler o blog com mais frequência pra ver o que eu já escrevi. Talvez eu esteja ficando repetitivo. Bem, eu me lembro de ter comentado sobre essa possibilidade, então falar novamente que talvez eu esteja repetitivo pode ser um indício de que eu realmente esteja…)

Já falei que eu gosto bastante de Tim Maia? Já falei que não é só por causa do talento musical, mas também pela história de vida?

De tempos em tempos eu volto a ouvir as músicas dele. Gosto bastante da fase racional, em que ele se envolveu com a Cultura Racional e criou, de acordo com alguns críticos, suas melhores obras. Uma delas (uma das mais bacanas, na minha opinião) é Bom Senso:

Já senti… saudade
Já fiz muita… coisa errada
Já dormi… na rua
Já pedi… ajuda

E aí eu estava conversando com um amigo meu sobre essa época. Um tempo atrás eu e minha noiva estávamos falando que as letras são um pouco cansativas; são praticamente canções gospel pregando a Cultura Racional, a importância de ler o livro Universo em Desencanto e por aí vai. Coloquei esse ponto de vista pro meu amigo e ele me fez perceber algo que eu não tinha notado: você não precisa, necessariamente, seguir o que ele canta ao pé da letra. Quando ele diz que atingiu o bom senso ao “ler” (no caso dele, a obra Universo em Desencanto) não há a necessidade de entender que é preciso ler bastante para se atingir o bom senso.

Aliás, vamos falar de “bom senso”. Na verdade esse “bom senso” vem com a experiência de vida. Vem com as cabeçadas que a gente dá. Com as muitas “coisas erradas” que a gente faz. Bom senso nada mais é do que maturidade! As pessoas que passam por nossas vidas, trazendo experiências boas ou más, nos ajudam a amadurecer. A aprender a identificar o caminho do bem (outra música incrível dessa fase!).

Já errei bastante nessa vida — e continuo errando. Não me orgulho nem um pouco de algumas coisas que fiz, mas não me arrependo de nada. Não dormi na rua (pelo menos não literalmente) mas já dormi de bivaque nos tempos de Exército. E já senti muita saudade, até mesmo de gente que não merecia. Porém, ao pensar em como eu era há apenas 5 anos, percebo que eu mudei bastante. Estou um pouco mais maduro com relação a algumas coisas. Por exemplo, hoje entendo que não se pode ter milhares de amigos, por mais que eu ame praticamente todas as pessoas que fazem parte da minha vida atualmente. As pessoas com quem você pode realmente contar são pouquíssimas. Um conflito, qualquer que seja, é o suficiente pra por em prova suas amizades. E, depois de ter passado por experiências bem desagradáveis, que culminaram no afastamento de algumas pessoas com quem eu convivia, notei que as únicas pessoas em quem podemos confiar realmente são aquelas que te aceitam como você é, mesmo que elas não concordem plenamente com as coisas que você faz.

Esse mesmo amigo diverge de mim em algumas opiniões. Ele foi um dos responsáveis por abrir meus olhos para a “não-crença”, e tem opiniões muito bem formadas sobre alguns assuntos polêmicos, com os quais sou muito mais flexível. Eu respeito a opinião dele e vice-versa. Nenhum fica tentando “doutrinar” o outro, mas colocamos nossos pontos de vista sem melindres, sem medo de ferir os sentimentos um do outro. Nunca tivemos uma discussão que levasse a uma briga, ainda que verbal. Esse é um cara que acaba servindo de benchmarking pras minhas amizades hoje em dia: se eu não estabeleço esse tipo de relação com uma pessoa não posso considerá-la minha amiga de verdade.

• – • – •

Lembrei de uma conversa que eu tive com uma moça há um bom tempo, sobre relacionamentos. Ela me disse que tinha sido casada e que o ex marido dela morria de ciúmes, e implicava com o fato de ela estar estudando; quando ela voltava da escola à noite, ele já presumia que ela o estava traindo. Aí eu disse que eu até o entendia — e contei a minha história: eu abri mão de investir nos meus estudos, mesmo sabendo que isso frearia um pouco o meu desenvolvimento profissional, pra permitir que minha ex-esposa fizesse uma faculdade, já que ela tinha apenas o ensino secundário (nem sei mais como chamam hoje em dia! No meu tempo era colegial…) completo. Daí ela conheceu um cara na própria faculdade e decidiu ficar com ele. Quando eu terminei de contar a história a moça me disse “nossa, agora eu fiquei até um pouco arrependida por ter tido tanta raiva do meu ex-marido!”

A pessoa que realmente sente empatia pelos outros se coloca no papel deles. Quem não tem empatia, quem só consegue pensar em si mesmo, tende a comparar seus próprios problemas com os dos outros — geralmente “puxando a sardinha” pra si, obviamente. Isso é outra coisa que eu demorei a perceber nas pessoas…

• – • – •

Tenho mais bom senso hoje em dia. Ainda preciso ter mais autocontrole pra deixar de cometer alguns erros, e pra me tornar um cara mais disciplinado, centrado. E como vou fazer isso? Lendo. Lendo a mim mesmo. Fazendo, constantemente, uma autoanálise, perceber o que estou fazendo de errado (e por quê) e encontrar formas de corrigir meus erros. E, claro, adquirindo conhecimento sobre os mais variados temas. O conhecimento nos ajuda muito no autoconhecimento!

Pra amadurecer precisamos buscar conhecimento — e autoconhecimento. Sempre!

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One Comment em “Bom senso”

  1. Bruna Says:

    Muito legal o post! Achei recentemente uma história incrível de superação! Para quem se interessar o link é esse aqui:
    http://publivida.org.br/outros/jovem-da-dicas-no-facebook-para-melhorar-o-astral-durante-a-quimioterapia/


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