Maldade – parte 2

Eu já achava que tinha escrito meu post anterior com muita pressa e talvez não tivesse ficado bom. Aí, totalmente por acaso, encontrei este post no blog da Roberta Baêta, uma menina de 17 anos de idade. Infelizmente a história dela é um tanto triste: ela se matou no dia 28 de dezembro de 2012, supostamente por não aguentar mais a pressão das pessoas com relação a algumas de suas convicções (era ateia e, em algumas publicações, dá a entender que era bissexual) e por não se considerar aceita por ser bipolar. Realmente uma pena, pois ela parecia ser muito inteligente. Como a página criada em sua homenagem diz, perdemos uma grande guerreira. Todos nós.

De qualquer forma, ao ler o post em questão acredito que ela conseguiu escrever de forma muito mais sucinta e contundente o que eu penso sobre a maldade humana:

Isso me fez repensar, estamos tão acostumados com a maldade humana que enxergamos malicia em um gesto de bondade. Vemos sempre as ações humanas como tendenciosas, pretenciosa (sic) e sempre suspeitamos do pior. Claro, que no mundo de hoje, depois de apertar a mão de alguém devemos contar para ver se os 5 dedos ainda estão lá. Mas o que nos levou ate aqui? O que deixamos cair de valioso nesta longa caminhada? Pq perdemos o respeito, amor e confiança em nossos semelhantes? O que viramos cada um de nós? Eu seria alguém confiável? Estaria eu aqui tc com pessoas confiáveis? O que aconteceu com o certo e o errado? O que aconteceu com as pessoas? O que aconteceu com a justiça?

Concordo com tudo! Estamos tão “escaldados” com a maldade dos outros que, por vezes, desconfiamos até mesmo um gesto despretensioso, ficamos com um pé atrás quando alguém quer nos ajudar. Podemos até perder oportunidades de receber uma boa ação de alguém, mas preferimos não arriscar com medo de sermos feridos de alguma forma.

Em seguida, ela diz que talvez não seja uma boa confiar nas pessoas:

Talvez hj eu possa dizer que confio em demasia no ser humano e que isso pode ser um erro.

Pode ser que seja um erro, sim. Mas, depois de sermos enganados algumas vezes, passamos a nivelar todo mundo “por baixo”. Ou, adaptando um pouco a teoria de Douglas McGregor, passamos a enquadrar todas as pessoas na “Teoria X” (ou seja, acreditamos que todas as pessoas são mal intencionadas) até conseguirmos identificar os indivíduos verdadeiramente maus. Ou, como a Roberta colocou em seu post:

As pessoas boas estão por ai, quietinhas e caladas, em seus cantinhos, com sorrisos (…), prestes a lhe fazer uma boa ação. Basta apenas saber em quem procurar.

• – • – •

Eu acredito que, com o tempo, aprendemos a identificar as pessoas com quem realmente nos sentimos bem, as pessoas que estão sempre dispostas a nos ajudar quando precisamos sem esperar nada em troca. E acredito que aprendemos, também, a identificar aquelas que só tem más intenções com relação a tudo e a todos. Mas, enquanto não atingimos o ápice desse aprendizado, vamos dando nossas cabeçadas por aí…

• – • – •

Uma das mortes mais tristes, na minha opinião, é a que se dá pelo suicídio. A pessoa que chega ao ponto de tirar a própria vida, desistir completamente de enfrentar seus problemas, tem que ser muito corajosa. Até porque a morte é um mistério pra todos nós: o que acontece do “outro lado”, se é que ele existe?

Algumas pessoas veem o suicídio como um ato de covardia. Eu não acho. Covardia é acomodar-se, não fazer absolutamente nada pra mudar sua vida e resolver seus problemas. Tirar a própria vida, por mais triste que seja, é, a meu ver, uma forma de mudá-la.

• – • – •

Fazia tempo que eu não colocava música aqui no blog. Achei que essa aqui caberia bem, apesar de ser um recado tardio pra Roberta, que eu não cheguei a conhecer mas cuja morte — precipitada, na minha opinião, apesar de saber que ela tinha seus motivos pra querer cometer suicídio — me sensibilizou bastante:

Don’t let yourself go
‘Cause everybody cries
And everybody hurts
Sometimes…

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4 Comentários em “Maldade – parte 2”

  1. Romulo Says:

    Concordo plenamente com tudo! Uma lástima o que aconteceu! Belo blog, acompanhei alguns dos posts e gostei muito! Criei um blog também com outra vertente mas com a mesma intenção de ajudar os outros. Seira um prazer trocar ideias com você! Abraços

  2. Marina Says:

    É..todo esse lance de maldadec alheia e não conseguir mais confiar no próximo fez eu fechar todas as minhas contas e só manter um face com 28 pessoas contando familia e pessoas que eu vejo quase todo dia…a gente se decepciona quase todo dia com alguém e acaba generalizando por não saber mais em quem confiar..sad but true.

  3. sophia Says:

    estranho com isso é familiar já cheguei ao ponto de querer praticar o suicídio…acho q se ñ tivesse os amigos certos pra me falar a coisa certa eu provavelmente não estaria aqui pra contra a estória…apesar de tudo as pessoas boas existem…são anjos que estão ai dispostos a ajudar…não acho que eu esteja plenamente feliz…ainda existem momentos em que me sinto triste…mas diferente de antes eu não acho que nenhum problema seja tão grande ao ponto de não querer enfrenta-lo…e sim mas uma vez estou tentando entender as outras pessoas e tentando me ajudar…


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