Maldade

Não sei se eu já tratei desse assunto antes. Acho que eu preciso reler o blog. Estou ficando com a impressão de que estou me repetindo. Se bem que, talvez, a reflexão de hoje seja um pouco diferente da que eu tive (tive? não sei) no passado.  Enfim… vocês querem que eu escreva sobre a maldade, né?

(Ou melhor, vocês não querem… mas esperam que eu escreva sobre isso, afinal é o que o título sugere. Então vamos lá…)

Não sei exatamente quando criei esse hábito de esperar o pior das pessoas. É até algo meio antagônico: ao mesmo tempo tenho uma tendência a acreditar que tudo vai acabar bem, mesmo esperando o pior.

Acho que eu até melhorei bastante; antes eu sempre ficava fazendo um “filminho” na minha cabeça tentando prever o que aconteceria se alguém pisasse na bola comigo. Foi assim com minha ex (e, quando ela começou a dar os primeiros sinais de traição, eu praticamente tive um déja vu), foi assim com outras pessoas que já não fazem mais parte da minha vida. Eu já estava preparado pra decepção, mesmo que eu não soubesse que o pior estava por vir.

Só que algo mudou com o passar dos anos. Antes eu imaginava o “final ruim” de praticamente todos os relacionamentos que eu tinha. Imaginava a namorada me dando bota. Imaginava meus amigos brigando comigo ou, simplesmente, se distanciando de mim. Imaginava discussões com minhas irmãs, meus pais, que me levariam a não querer mais conviver com eles. Hoje em dia consigo identificar e valorizar os relacionamentos que merecem ser mantidos e, quando consigo fazê-lo, passo a não pensar em imaginar esse “mau final”.

(Esse negócio de “mau final” eu tirei dos videogames. Lembro de quando eu jogava Streets of Rage no meu Mega Drive. Acho que esse foi um dos primeiros jogos a ter um final alternativo. Enfim… já estou desviando do assunto de novo!)

Só que eu ainda vejo maldade nas atitudes mínimas de algumas pessoas. Às vezes uma atitude maldosa, pra mim, parece vir disfarçada de boa vontade gratuita. Por exemplo, quando alguém me oferece algo que eu não quero, de forma aparentemente desinteressada, enquanto eu já sei que a mesma pessoa está tentando tirar alguma vantagem de um amigo em comum — ou até de um parente meu. Ei, se essa pessoa está tentando fazer o outro de trouxa, quem me garante que não esteja tentando fazer o mesmo comigo?

Claro que eu ainda me engano. No ano passado tive uma “desilusão” com pessoas que se declaravam minhas amigas. Passei algum tempo remoendo e, ainda hoje, às vezes me irrito quando lembro de toda a situação. Foi uma decepção e eu não consegui prever toda a maldade dessas pessoas em tentar me difamar (algumas delas, até mesmo, sem motivo algum pra isso). Não era algo que eu esperava dessas pessoas, mas acho que já superei. Até porque essa situação me ensinou a identificar melhor aqueles em quem eu devo confiar.

E, quando algo me diz pra não confiar em alguém, passo a esperar absolutamente qualquer coisa dessa pessoa. Quando é alguém que eu não conheço, aí é que eu passo a esperar mesmo o pior, pelo menos até conseguir avaliar melhor a situação. E, mesmo que eu faça um julgamento injusto sobre a pessoa, convenço-me de que foi a melhor decisão a ser tomada.

• – • – •

Engraçado que eu vinha pensando nisso no carro, voltando pra casa. Estou passando por uma situação, atualmente, em que não consigo deixar de ver maldade em toda e qualquer atitude de uma pessoa muito próxima. A pessoa vem puxar assunto comigo e eu já ligo meu “radar”: o que será que essa pessoa quer de mim? O que ela quer das pessoas próximas a mim?

Estava pensando nisso enquanto estacionava meu carro na frente do prédio onde moro (nã0 há vagas disponíveis pro meu carro na garagem, por isso paro na rua). Sempre penso nisso quando estou chegando em casa, principalmente à noite; fico atento a qualquer movimentação suspeita, a qualquer um que esteja próximo.

Assim que desci do carro notei uma moto com duas pessoas que passava na rua de baixo, a uns 150m de mim. O motoqueiro estava indo reto mas, de repente, mudou seu rumo e veio em minha direção! E aí, o que pensar numa hora dessas? Pode ser que ele simplesmente tivesse se lembrado de fazer um caminho diferente, porém achei melhor pensar que ele estivesse mal intencionado. Apertei o passo, entrei no prédio e, quando olhei pra trás, eles estavam olhando pro prédio. E se eu pagasse pra ver, será que teria uma história diferente pra contar?

• – • – •

Eu acredito que a vida nos mostra algumas coisas. Acredito que, às vezes, um evento aparentemente aleatório acaba tendo alguma conexão com outros eventos futuros. E talvez esse acontecimento tenha sido a vida me mostrando que eu estou certo, que eu realmente devo esperar qualquer coisa de certas pessoas. O que me assusta é esse “qualquer”.

Acho que eu nunca desejei tanto estar errado.

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One Comment em “Maldade”

  1. Admin Says:

    “Hoje em dia consigo identificar e valorizar os relacionamentos que merecem ser mantidos e, quando consigo fazê-lo, passo a não pensar em imaginar esse “mau final”.” falow e disse!


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