Vontade de matar

Já tive vontade de matar. Mais de uma vez. Acho que todo mundo já passou por isso. Será?

Algumas vezes pensei em matar pra acabar com o sofrimento alheio, mas não tinha coragem; além disso, meu senso crítico e moral, assim como minha crença, não permitiriam.

Por exemplo, eu tinha uma dobermann que teve um problema de saúde e acabou ficando uns 3 anos sem andar — até que um dia ela, finalmente, morreu. Até hoje me pego pensando que eu poderia ter abreviado seu sofrimento; uma das veterinárias que cuidaram dela chegou a mencionar eutanásia mas preferimos acreditar que nossa fé a faria se recuperar — até porque, naquela época, só podíamos contar com a fé mesmo…

Em outros momentos pensei que eu deveria matar pra me vingar. Mas aí, quando penso nisso, lembro de Oldboy: e o que aconteceria depois de a pessoa estar morta? Quem me garante que a vingança estaria completa?

Houve, ainda, momentos em que eu havia chegado à conclusão de que eu só me livraria de certas pessoas se elas morressem. Gente que me perseguiu, me stalkeou até não poder mais… a sorte (minha e delas) é que, em algum momento, essas pessoas decidiram sair do papel de loucas obsessivas e adotaram o papel de vítimas, trocaram o “não vou te deixar em paz” pelo “me deixe em paz”. Aí eu percebi que elas poderiam continuar vivas poderiam sumir da minha vida! Ora, vivemos numa cidade grande, com quase 20 milhões de habitantes… quais as chances de eu encontrar esse povo novamente?

No fim das contas fiquei só na vontade de matar mesmo. Mas até essa vontade passou com o tempo.

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Falando em matar acabo pensando em aborto. Acho que eu já mencionei antes mas sou totalmente pró-aborto, desde que a justificativa seja razoável; uma mulher não deve abortar porque quer, e sim porque precisa. Se a mãe não tem condições, seja financeiras ou psicológicas, pra dar uma vida digna à criança, a ela deveria ser dado o direito de escolher.

Pode parecer incoerente com o que eu disse sobre preservar a vida de quem me fez mal mas não é. Eu também simpatizo com a pena de morte. Acredito que há alguns criminosos extremamente perigosos e irrecuperáveis, e deles deveria ser revogado o direito à vida — para que eles não venham a matar gente honesta e trabalhadora.

No caso da criança, ela ainda nem veio ao mundo. Por que infligir-lhe um sofrimento que pode ser evitado?

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Mesmo a discussão sobre aborto é, no mínimo, interessante. Mulheres pró-aborto acusam os homens de não ter interesse em regulamentar a prática no Brasil pois “não são eles que ficam grávidos”. Aquelas que são contra usam, basicamente, o mesmo argumento pra defender a vida da criança (mas num contexto diferente): “não são os homens que ficam grávidos, não são eles que vão carregar pra sempre o peso de ter acabado com a vida de um inocente etc”.

O que me faz pensar em como o homem acaba sendo responsável por boa parte das mazelas do mundo, principalmente aquelas que envolvem relacionamentos.

Um dia desses eu estava comentando com minha noiva (sim, estamos noivos!) sobre o comportamento que as pessoas tendem a adotar numa separação. Geralmente a mulher acaba sendo a “vítima”, a “traída”, a “injustiçada”, e o homem é o “cafajeste que abandonou a família”.

Quantas vezes já ouvimos filhos falando que não querem nem olhar pra cara do pai “depois de tudo que minha mãe passou por ele”? E quantas vezes ouvimos o contrário? Acho que eu só ouvi, uma única vez, os filhos defenderem a postura do pai e condenando a mãe após um divórcio. Mas foi uma vez pra umas cem em que o pai é que foi condenado!

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Por mais que eu seja um adepto da afirmação de que “a opinião que as pessoas tem sobre mim é um problema delas” não deixo de pensar na “propaganda” que algumas mulheres que passaram pela minha vida devem fazer sobre mim. Só que ninguém estava lá pra vê-las agindo como loucas. Ninguém estava lá pra ouvir os telefonemas mal educados que eu tive que atender, em que elas gritavam sem razão no outro lado da linha. Ninguém teve que aguentar quando ela fez um escândalo porque queria fazer determinada coisa do jeito dela, sem pensar que o jeito dela estava totalmente errado (e sem querer ouvir uma segunda opinião). Ninguém estava lá quando a mulher chegou bêbada em casa, com cheiro de cigarro (apesar de não fumar), muito depois do horário habitual. Ninguém precisou manter a calma (e não mandá-la descer do carro e ir a pé pro trabalho) quando fui chamado de idiota por um motivo estúpido. É muito fácil falar que um homem não tem caráter sem parar pra pensar que também tem muita mulher pilantra por aí.

Melhor parar por aqui antes que a vontade de matar volte…

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