O lobo

Era uma vez um lobo que nasceu numa pequena alcateia. Tinha uma vida feliz, com poucas preocupações. Conhecia outros filhotes, com quem brincava quase todos os dias. Mas nem tudo eram flores; sempre havia outros filhotes que brincavam de forma agressiva, zombando do lobo e fazendo-o ter a impressão de que não conseguia se enquadrar ao grupo.

Conforme o tempo foi passando o lobo foi aprendendo mais sobre o mundo, conhecendo novos lobos, alguns com os quais se sentia mais confortável, outros nem tanto. A alcateia lentamente se transformava; lobos partiam ou morriam, novos lobos surgiam… e ele adquiria novas preocupações e responsabilidades, e sua vida ficava mais difícil.

Um belo dia o lobo, já adulto, conhece uma fêmea que o faz desejar ter uma prole. Mas, apesar de acreditar que a combinação genética dos dois era perfeita (era um lobo muito culto que havia aprendido bastante sobre o mundo, lembrem se disso!), tinha a sensação de que algo não se encaixava. O lobo não conhecia muito sobre figuras geométricas; se conhecesse diria que sua vida inteira parecia um quadrado tentando se encaixar num cilindro.

Aquela vida o incomodava mas ao mesmo tempo trazia-lhe um certo conforto, o que o impedia de tomar uma decisão. Até que um dia a loba resolve partir pra outra alcateia. O lobo, talvez guiado por seus instintos de reprodução, passa um período considerável se envolvendo com várias fêmeas diferentes, como que tentando encontrar outra que tivesse bons genes.

Durante o processo ele conheceu novos lobos e, devagar (e sem notar), foi formando uma nova alcateia. Viu-se, finalmente, perfeitamente encaixado em um grupo. Outros lobos de sua alcateia, sentindo-se frustrados por não poderem ser como ele, até tentaram enfraquecê-lo mas, finalmente, a maior parte da alcateia sabia em quem deveria confiar. E os lobos caluniadores se viram obrigados a se retirar da alcateia.

O lobo, de repente, percebeu que a fêmea “perfeita” já fazia parte da alcateia; ele apenas demorou pra perceber. Na verdade, após refletir bastante sobre o assunto (e sobre todos os lobos que ele havia conhecido durante toda sua existência e os caminhos que cada um deles havia tomado), ele chegou à conclusão de que alguns lobos precisaram partir pra que a alcateia fosse renovada, e que ele pudesse abrir os olhos praquela que, espera-se, será sua fêmea por muitos e muitos anos. E, na verdade, por ter uma maior compreensão do mundo, o lobo simplesmente aprendeu a detectar aqueles que eram semelhantes a ele; os que não eram se encarregavam, por si sós, de se afastar.

E o lobo viveu feliz e, finalmente, passou a sentir-se adequado a um grupo.

(Ah, e ele ainda não teve filhotes… mas quem sabe daqui a alguns anos?)

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