Morte

Com este post não pretendo trazer conforto àqueles que perderam um ente querido, um amigo ou seja lá o que for. Essa é a maneira como eu encaro a morte; se está certa ou não, somente saberemos quando chegar nossa vez.

Não consigo acreditar em céu e inferno. A história que é contada me parece incoerente; como Deus permitiu que Lúcifer criasse um “departamento” novo para onde as almas ruins seriam levadas? E, nesse caso, pra onde essas almas eram levadas antes de Lúcifer?

A ideia de ter um lugar onde todos nós passaremos a eternidade quando morrermos também é estranha. Por que, então, temos que vir pra esse planeta louco e viver um tempinho por aqui (constantemente em pânico pensando que essa existência vai terminar um dia — dia este que não sabemos quando vai ser) pra depois voltar pra eternidade?

Reencarnação também é um conceito bizarro, ainda mais se imaginarmos que podemos voltar pro mundo como animais, de acordo com algumas crenças. Imaginem só que coisa maluca: hoje sou um ser humano, amanhã posso ser uma lhama! E, muito provavelmente, não terei quaisquer lembranças da minha vida como ser humano. Então por que raios eu passei por aqui antes se não vou poder levar um registro dessas experiências quando reencarnar?

Eu até acredito que, talvez, a energia corporal que nos mantém vivos e conscientes possa ir pra outro lugar (tipo a Lei de Lavoisier, sabe?). Mas ainda questiono essa ideia também; sei lá, não consigo imaginar como essa energia se transformaria em algo que não conseguimos nem imaginar o que possa ser!

Hoje em dia acredito que temos apenas essa vida pra sermos felizes. É triste imaginar que passaremos por milhares de experiências boas e ruins que simplesmente se perderão quando partirmos. Quer dizer, sempre haverá o registro de algumas dessas experiências (por meio de fotografias, por exemplo) em algum lugar, mas nós mesmos não as levaremos daqui. Ainda assim gosto de pensar que o melhor é construir a melhor história que pudermos. Creio que morrer sabendo que deixamos boas coisas nesse mundo, que tivemos a oportunidade de fazer coisas de que gostávamos é, certamente, muito melhor do que partirmos sentindo que poderíamos ter feito muito mais.

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Duas pessoas muito especiais (a quem tive a honra e o privilégio de conhecer, mesmo que não tenhamos convivido por tanto tempo) morreram nos últimos doze meses. Não se tornaram famosas o suficiente pra ter sua morte divulgada na TV, mas conseguiram mudar a vida de muita gente graças ao seu exemplo, à sua determinação e, principalmente, ao seu carisma. Tiveram um velório e um enterro simples, porém aqueles que foram tocados por sua história de vida estavam lá pra se despedir. E trocaram depoimentos, e tinham apenas coisas positivas pra dizer sobre elas.

Claro que fiquei triste por saber que elas não estarão mais por aí. Mas, a cada história que eu ouvia, sentia um misto de ternura e alegria. Era tomado por uma emoção, por algo que me fazia muito bem. E tentei confortar aqueles que estavam mais receptivos, dizendo que se houver outra vida (não é porque eu não acredito mais que eu não vou respeitar a crença alheia…) e se essas pessoas pudessem nos ver certamente gostariam de ver que estamos felizes. A felicidade no dia do enterro, ao meu ver, não é falta de respeito; é apenas uma demonstração de que temos a certeza de que aqueles que partiram cumpriram seu papel em nossas vidas.

Quando for a minha vez, quero que façam uma festa. Não quero impedir ninguém de chorar, de se revoltar, de tentar encontrar uma resposta ou um culpado por minha morte. Todos tem o direito de sentir alguma dor. Porém, quero que todos procurem ficar bem, sabendo que tive uma vida plena, que consegui realizar muito do que gostaria — talvez não tudo o que gostaria de fazer, mas o suficiente pra me considerar uma pessoa feliz.

Ah, e quero que toquem minhas músicas preferidas durante o velório e no enterro!

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Abandonei as crenças que carreguei durante anos. Estranhamente, ao me ver livre dessas crenças senti uma vontade maior de ajudar os outros, de viajar mais, de aproveitar melhor a vida e reunir experiências. Se temos somente essa vida, por que não procurar vivê-la da melhor forma possível?

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