No tempo das cavernas

Sempre procuro pensar em como era a vida no tempo das cavernas. Tenho a impressão de que as coisas eram bem mais simples: ao que tudo indica os homens das cavernas não trabalhavam (apenas se preocupavam em procurar comida quando a fome batia), não tinham grandes preocupações com os filhos quando estes atingiam a “maioridade”  e saíam de casa (ou melhor, da caverna), não eram muito ambiciosos… e, principalmente, não se imporavam com conceitos como “moral”, “caráter”, “pudor”, “honra” e afins.

Provavelmente um homem das cavernas não era caluniado ou difamado, e não se sentia ofendido por ninguém. Não havia constrangimento de qualquer forma. Os motivos de conflito giravam em torno de território, alimento e fêmeas. Não havia o conceito de amizade, e não havia grandes melindres quando alguém do bando decidia trilhar outros rumos. Garanto que o homem das cavernas não precisava dar satisfação pra ninguém sobre seus atos, e não havia “fofoqueiros das cavernas” querendo saber tudo sobre a vida de um australopithecus específico.

Porém, o lado (provavelmente) cruel do tempo das cavernas é que os conflitos, invariavelmente, eram resolvidos com violência e, muitas vezes, morte. Como não havia melindres nem pudor, ninguém se importava com a possibilidade de matar um homo erectus pai de família, ou um Homem de Neanderthal temente a Deus e pagador de impostos — até porque Deus e impostos nem deviam existir naquela época. Nesse ponto, talvez, nossa sociedade seja melhor; como passamos a nos preocupar com muito mais coisas ao longo dos tempos, fez-se necessario criar um baseline de comportamento em sociedade. Para isso temos leis: para não precisarmos resolver nossos problemas de forma truculenta.

Se bem que sabemos que as leis não funcionam tão bem como gostariam — e ainda tem gente que prefere fazer justiça com as próprias mãos.

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Dia desses eu estava vendo a entrevista (disponível no YouTube) da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva no programa Roda Viva, da TV Cultura. A visão dela sobre as psicopatias é bem interessante; ao contrário de alguns estudiosos, ela acredita que uma psicopatia pode ser desencadeada, também, por fatores sociais, e não apenas genéticos — ou seja, há pessoas que nascem, sim, com uma índole perversa, porém há aquelas que se tornam psicopata devido a fatores externos. Ela diz, ainda, que o ser humano se empenhou em garantir a liberdade individual, porém essa mesma liberdade acabou gerando um contra-senso: como estabelecer valores morais e éticos num mundo que prioriza as escolhas individuais?

Gostei bastante dessa entrevista e recomendo!

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Aí voltamos para o tempo das cavernas: o que seria um psicopata naquela época? Seria aquele cara mais “esquentadinho”, que matava por qualquer coisinha? Seria o líder do bando?

De acordo com a psiquiatra, os psicopatas são extremamente inteligentes e habilidosos. Ela cita o exemplo de uma rebelião em um presídio, em que os psicopatas nunca estão na “linha de frente” da rebelião — ao contrário, manipulam os “menos inteligentes” para que estes fiquem na frente das câmeras ameaçando os reféns. Portanto, até faria sentido que o homem das cavernas que liderasse os outros tivesse alguma psicopatia. Ou será que não?

Se for esse o caso, será que psicopatas deram origem à raça humana?

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Ou melhor ainda: será que as psicopatias não são, também, uma mera criação do homo sapiens para justificar um comportamento socialmente inaceitável — ou até mesmo para “acobertar” pessoas mimadas que fazem de tudo pra conseguir o que querem, mesmo depois de adultas?

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