Problemas

Estou usando aparelho. Não pela questão estética; ou melhor, nem tanto por causa da estética, e sim por uma questão de saúde: minha dentista me disse que eu poderia ter problemas sérios por causa do meu incisivo, que era meio encavalado e acumulava placa bacteriana.

(Tá, vocês não precisavam desses detalhes. Desculpem.)

Engraçado que antes eu tinha um medo absurdo de colocar aparelho, pois sempre ouvi dizer que a dor que ele causava era insuportável.

Até que eu coloquei. Ou melhor, a dentista colocou. E eu descobri que não era tão ruim assim. Doi? Sim, mas é uma dor com a qual se pode conviver. Já tive uma afta enorme causada por um bracket cuja borrachinha se soltou, e essa afta incomodou um bocado. Mas, tirando isso, até que a convivência com esse objeto estranho tem sido boa. E, incrivelmente, em um mês o dente já está praticamente no lugar em que deveria estar. Nunca pensei que fosse tão rápido!

Durante uma das consultas comentei isso com minha dentista, e ela disse que cada pessoa tem seu próprio limiar de dor; o que eu sinto não é exatamente o que você, leitor(a), sente.

Já aconteceu de eu comentar com alguém sobre a minha tatuagem (tenho uma tribal nas costas cuja história é um tanto interessante mas não vou contar — só se me pedirem) e dizer, por exemplo, que eu senti muita dor quando as agulhas  penetravam a pele que fica sobre as vértebras, e ouvir de algumas pessoas q a dor que elas sentiram não foi tão ruim assim — que, na verdade, elas não sentiram quase nada.

A dor é relativa. Sua percepção é subjetiva. Cada pessoa sente dor de forma única. Não dá pra ficar comparando.

O mesmo se aplica aos problemas que temos. Meus problemas não são iguais aos das outras pessoas, portanto tentar compará-los é inútil. Sempre temos a impressão de que nossos problemas são maiores do que os dos outros mas raramente nos colocamos de verdade no lugar das outras pessoas e procuramos entender seu ponto de vista, seus problemas e motivações.

E aí chegamos ao ponto de nem mesmo ouvirmos os problemas dos outros. Quando alguém começa a falar sobre eles logo tratamos de dizer como nossos próprios problemas são grandes e difíceis de serem resolvidos.

É ou não é?

• – • – •

Ultimamente tenho procurado me colocar no lugar dos outros. É um dos exercícios mais difíceis que podemos fazer, pois nem sempre temos paciência pra tentar pensar nos problemas pelos quais os outros estão passando e em como eles interferem em suas decisões. Mas funciona, viu? Percebi que tenho conseguido avaliar as situações de uma forma muito melhor.

Convido os leitores a fazer o mesmo: quando estiverem prestes a comparar um problema seu com os de outras pessoas, procurem avaliar as coisas pelas quais essas pessoas estão passando. Procurem compreender o que as fazem se comportar da forma como elas estão se comportando. Garanto que é muito melhor do que ficar se lamentando ou menosprezando o sofrimento alheio.

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