No lugar dos outros

Eu sempre fui de me colocar no lugar dos outros. Até perceber que não havia reciprocidade; as pessoas não estão muito habituadas a ter essa atitude. Geralmente o que importa é apenas a opinião delas acima de tudo.

Aí eu percebi que temos essa tendência irritante de tirar conclusões sobre as pessoas com base em uma ou duas características de comportamento.

Acho que eu já mencionei um livro sensacional que eu li (e, infelizmente, minha ex levou embora, já que era dela) chamado Decifrar Pessoas. Os autores batem demais na tecla de que não podemos chegar a uma conclusão com base em apenas um gesto, uma atitude. Por exemplo, dizem que quando uma pessoa mente ela tende a olhar pra cima e pra esquerda (o que aciona o hemisfério direito, o  “lado criativo” do cérebro). Só que se basear apenas nisso pra deduzir que a pessoa está mentindo é um erro; há outras coisas que as pessoas fazem quando mentem (por exemplo, elas gaguejam, tendem a demonstrar alguma insegurança — o que as levam, por exemplo, a agitar as mãos ou colocá-las no bolso, em atitude defensiva — e por aí vai), e a junção desses gestos é que pode te dizer se a história que estão te contando é verdade ou não.

Eu mencionei aquela moça com quem saí durante uns dois, três meses. Cheguei à conclusão de que ela era mentirosa compulsiva pois ela apresentava um padrão de comportamento quando contava uma mentira que era totalmente diferente de quando estava falando a verdade. O que me fez desconfiar foi uma ação isolada, mas o que me deu a certeza foi a análise de um conjunto de ações.

Outro exemplo de como a análise de apenas um comportamento pode ser prejudicial: quem aí assistiu a Casino Royale? Certamente vocês se lembram da cena do pôquer, em que James Bond achou que seu adversário, Le Chiffre, estava blefando quando coçava a orelha. Ao perder todo o dinheiro apostado, ele percebe que na verdade o ato de coçar a orelha era apenas um indício de blefe. Mas aí já é tarde demais…

É muito fácil adotar algo como “verdade” quando se tem um conhecimento limitado sobre determinada situação, quando você tem apenas um lado da história, quando você presta atenção apenas no que quer prestar atenção. Julgar é fácil demais, mas como saber qual é a verdade?

Comecei a pensar nisso ao me lembrar de alguns mal-entendidos recentes que acabaram se transformando em desentendimentos — contra a minha vontade, que fique bem claro! Tive que ouvir coisas absurdas de pessoas muito próximas, tudo por causa da forma como eu me comportei com uma única pessoa. Pior: nem quiseram ouvir a minha versão da história pra tirar suas conclusões, ou até mesmo pra pensar o que elas fariam no meu lugar.

Não que eu me importe (muito) com a opinião dos outros, aliás deixei de me importar quando me dei conta de que essa era uma preocupação desnecessária na minha vida. Mas eu, ao menos, procuro sempre entender as ações dos outros sob uma perspectiva positiva. Mesmo essas críticas que eu recebi eu acabei relevando por compreender que as pessoas que as fizeram, em sua essência, são boas. E, de qualquer forma, acabaram me afetando por questionar até mesmo meu caráter, o que é algo muito sério.

E digo mais: quem criticou nunca passou pelo que eu passei nos últimos anos. Não estou usando meu passado como “muleta”, mas é óbvio que as experiências que acumulamos, positivas e negativas, influenciam nossas decisões no presente. Se as pessoas procurassem se colocar no meu lugar me entenderiam.

But before you come to any conclusion
Try walking in my shoes
You’ll stumble in my footsteps
Keep the same appointments I kept
If you try walking in my shoes

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