Terapia?

Engraçado que quando eu pensei em um título pra este post logo me veio à cabeça o nome de uma banda que eu costumava ouvir nos primórdios da MTV, na minha adolescência:

Aliás, provavelmente os leitores já notaram que a música é algo bastante presente em minha vida. É uma das grandes referências de que me utilizo pra tudo! Inclusive, um tempo atrás, eu e alguns amigos costumávamos brincar de fazer citações de músicas. Por exemplo, quando alguém dizia que algo era preocupante começava a recitar aquela música do Nando Reis que diz “isso me aflige e atrapalha, faz com que eu não me dê conta de outras coisas que eu deveria cuidar”… era divertido!

Eu sempre pensei que eu deveria trabalhar com alguma coisa relacionada a música. Quem sabe no futuro?

Mas não estamos falando sobre música, e sim sobre terapia. Antes de eu começar, quero deixar bem claro que não questiono a competência de toda a classe de terapeutas (psicólogos, psiquiatras e afins), mas desconfio de que talvez haja algo errado com o que deveria ser uma ferramenta de busca pelo autoconhecimento.

Logo quando eu me separei praticamente todo mundo que eu conheço recomendou que eu procurasse “ajuda profissional” pra que eu pudesse me recuperar mais rápido, pudesse compreender melhor o porquê da minha separação etc. A maioria das recomendações veio justamente de pessoas que já haviam procurado um terapeuta ou que ainda passavam por tratamento.

Eu até cheguei a procurar, liguei pra alguns consultórios, mas na época meu plano de saúde tinha algumas limitações que me permitiam ter apenas duas consultas por ano — o que não dá nem pra começar, já que recomenda-se que seja feita ao menos uma consulta por mês. E, na época, a situação financeira não permitia arcar com as despesas de uma consulta. No fim acabei concluindo que talvez fosse melhor deixar pra depois.

Mas aí comecei a prestar atenção nessas pessoas. Qual foi o resultado que elas conseguiram? Algumas delas vão ao psicólogo duas vezes por semana, e continuam com seus medos, frustrações e rancores. Isso não devia ter sido trabalhado durante as consultas?

De uma forma geral notei que as pessoas que fizeram algum tipo de terapia tendem a ser mais egoístas, mais carentes de atenção, mais inseguras… em alguns casos, nos que eu eu já conhecia as pessoas antes de elas começarem o tratamento, percebi que algumas dessas características se acentuaram no decorrer das consultas.

Eu sempre fui inseguro e dependente de reconhecimento, de atenção e queria justamente encontrar uma forma de não ser mais desse jeito. Percebi que apenas eu tinha as ferramentas pra me descobrir, pra compreender as minhas necessidades e os pontos que eu deveria melhorar no meu jeito de ser.

Passei a prestar mais atenção no que eu fazia. Como ser exatamente o oposto do que eu costumava ser?

Talvez o primeiro aspecto a ser trabalhado tenha sido a insegurança, a falta de autoestima. Comecei a me dedicar mais ao trabalho, a fazer as coisas sem me preocupar com os feedbacks que viriam e sim com os resultados que eu deveria alcançar.

Expandi isso pros relacionamentos interpessoais: eu tinha (e, dependendo da ocasião, ainda tenho) alguma dificuldade em iniciar um assunto com pessoas desconhecidas; comecei a arriscar uma conversa com as atendentes de supermercado, faxineiras, porteiros…

O legal é que essas conversas nunca são perda de tempo: você aprende a perceber os sentimentos das pessoas, sem dizer que elas sempre te dão a possibilidade de um ponto de vista diferente do seu. Mais uma vez, o foco não foi “o que os outros vão pensar de mim” e sim os resultados (o aprendizado, os pontos de vista únicos) que eu conseguiria com as conversas.

Então comecei a ler, buscar algum conhecimento que pudesse ajudar a compreender melhor o mundo e a mim mesmo. Alguns dos livros que eu li já foram mencionados neste blog, mas talvez o mais importante de todos tenha sido Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes. Foi através dele que compreendi como a dependência, principalmente emocional, “amarra” nossa vida.

Li alguns blogs que me abriram o olho, me fizeram perceber como eu agia errado com as mulheres. A maioria deles está relacionada aí na seção Links. Não quero iniciar uma “guerra de sexos” aqui, porém reconheço que a forma como eu tratava as mulheres antes é totalmente oposta à forma como elas esperam ser tratadas por um homem. Aprendi a mudar meu comportamento e notei uma mudança significativa na forma como sou visto por elas atualmente.

Enfim… não precisei de terapia e, acredito, me tornei uma pessoa melhor do que eu era antes. Aos que leem este blog e já tiveram (ou estão tendo) ajuda de psicólogos, psiquiatras e outros tipos de terapeutas, fica o questionamento: vocês realmente puderam sentir algum progresso? E, se sentiram, vocês acreditam que seria possível ter tido esse progresso sem ajuda profissional?

• – • – •

Até mesmo meu “relacionamento” com o passado tem melhorado consideravelmente. Ainda não faço questão alguma de encontrar minha ex (e há quem diga que eu deveria “trabalhar” isso mas eu realmente não vejo necessidade, pois as chances de eu encontrá-la novamente são remotas) mas já não tenho pensado nela com tanta frequência assim.

Aliás, depois que eu publiquei o post A ilusão do final feliz estranhamente quase não penso mais nela — e, quando penso, não me lembro do mal que ela me fez, e sim de tudo de bom que aconteceu depois que nos libertamos um do outro.

Talvez isso seja um sinal de amadurecimento, ou uma prova de que estou realmente me recuperando e começando a “ficar pronto” pra um novo relacionamento. De qualquer forma, tenho me sentido muito melhor do que eu me sentia antes. E sem terapia!

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2 Comentários em “Terapia?”

  1. Luciana Mattos Says:

    Estou com um texto pronto sobre solidão e vejo pelo seu blog que as minha conclusões não eram equivocadas..Fiz terapia por 4 anos não posso tirar o seu valor, mas com toda sinceridade de minha alma, alguns livros que li ou conversas com pessoas obtiveram um resultado mais rápido e eficaz na minha mudança de comportamento. Hoje busco ajudar as pessoas pautado nas minhas vivências. Experiência de vida é tudo..
    E sobre as músicas brinco que a minha existência e vivida com trilha sonora rs…

    • autoajudasentimental Says:

      Como eu disse, longe de mim questionar a competência dos profissionais ou a eficácia das terapias… mas eu realmente não vejo tanto resultado, e talvez o grande problema esteja justamente nos pacientes e/ou na falta de compreensão destes com relação ao que é abordado nas sessões — ou até mesmo na falta de autoconhecimento.
      Claro que o autoconhecimento deveria ser trabalhado pelos terapeutas, mas nem todo mundo consegue abrir a cabeça pro que é proposto nas sessões. E, no fim das contas, são anos e anos gastos em algo que produz muito pouco (ou, em alguns casos, nenhum) resultado.


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