A ilusão do final feliz

Você aí, que chegou ao meu blog procurando por respostas sobre seu relacionamento atual, vamos ver se eu adivinho: você está com uma pessoa bacana, perfeita em vários sentidos, mas que tem alguns “defeitos” (tipo trabalhar demais, dormir demais e não ter disposição pra curtir a vida por aí), certo? O relacionamento caiu numa rotina, e você queria que o seu relacionamento fosse como nas novelas e filmes, ou que fosse como o relacionamento recém iniciado de suas amigas. Acertei? Você pensa seriamente em se separar por não aguentar mais essa vida carente de emoções, apesar de saber que a pessoa com quem está não merece ficar sem você pois é uma boa pessoa. É isso?

Pense bem se você realmente quer fazer isso.

Você pode estar prestes a se condenar a uma vida de arrependimentos, amargura e ressentimento. Você pode aprender da pior forma que essa pessoa que te deu uma vida de “tédio” também garantiu momentos que você nunca mais teve — e provavelmente não terá. Essa pessoa te ajudou nos momentos mais difíceis. Ela te deu o que você não valorizava na época, mas que hoje você descobriu que é o que realmente importa. E você não vai poder voltar atrás.

Tem uma americana que escreveu sua história pós divórcio em um blog chamado Frivolous Divorce. O nome do blog já diz tudo: ela tinha uma vidinha estável com um cara, porém não vivia as emoções que via nos filmes de amor. Um dia decidiu se divorciar com a esperança de que as coisas melhorassem; deu tudo errado, e hoje tudo o que ela pode fazer é se lamentar — não só por ela não estar feliz, mas por ter causado a infelicidade das pessoas à sua volta. Ela chega a falar, em um dado momento, que ao abrir mão da pessoa com quem você tem um relacionamento estável em troca de uma vida de aventuras você comete algo tão grave como um assassinato.

Sair de um relacionamento e se dar mal pode até não ser regra. Mas as chances de isso acontecer são grandes. Pense bem em sua decisão pois o arrependimento pode sair bem caro.

• – • – •

Encontrei esse blog através de um post no Reflexões Masculinas que falava justamente sobre a “vida de glamour” que é vendida nos filmes, novelas e literatura. O exemplo mais recente disso é o livro/filme Comer, Rezar, Amar; não conheço a história e nem fiz questão (até porque o livro foi lançado numa época em que eu não tinha paciência pra histórias felizinhas — e o “meio irmão” desse livro, Beber, Jogar, F@#er, me pareceu mais interessante), mas pelo que dizem no post a vida da autora não é aquele mar de rosas retratado no livro, e especialmente no filme: O Javier Bardem da vida real é um tiozinho careca que só ficou com a autora até conseguir o green card.

De qualquer forma esse tipo de história faz as pessoas acreditarem que a vida pós-divórcio é um mar de rosas, quando na realidade há um monte de problemas associados. Ter que bancar uma moradia sozinho/a é muito mais difícil, e a coisa se complica ainda mais quando se tem filhos. O aspecto emocional também é algo amenizado por essas histórias: passa-se a impressão de que você vai se separar hoje, vai dormir e no dia seguinte tudo vai estar bem.

Na vida real sabemos que é totalmente diferente. Lembro-me que no dia em que minha ex me disse que ia embora passei a noite em claro — e ela admitiu no dia seguinte que também não conseguiu dormir. Por mais que ela estivesse decidida nossa separação representou algum sofrimento pra ela. Ou pelo menos rolou aquele “medo do desconhecido”, o que já é o suficiente pra perturbar qualquer um.

É tipo a história da Bruna Surfistinha: menina de classe média vira garota de programa e descobre o lado obscuro dessa vida… até conhecer um cliente que se apaixona e eles vivem felizes pra sempre. Mas o caso de Bruna é um em um milhão; geralmente as garotas de programa passam a vida inteira sonhando com alguém que ao menos queira ter um relacionamento. Algumas se afundam em vícios e gastam praticamente todo o dinheiro conseguido nos programas para sustentá-los. Vivem uma vida de mentiras, já que nem sempre sua família e amigos aceitam seu ganha-pão numa boa. Mas se você ler o livro ou assistir ao filme (novamente, ainda não conheço a história completa mas vou tentar ao menos dar uma conferida na Deborah Secco) vai ter a impressão de que as garotas de programa têm a profissão mais legal do mundo.

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