Foda-se

Às vezes, quando eu penso na minha vida pós-separação, penso que estou ficando parecido com o personagem principal de Beleza Americana. Ainda não cheguei ao extremo de comprar um Opala antigão (o que seria o mais próximo do Pontiac Firebird, nessa minha realidade de rapaz latinoamericano). Nem largar meu emprego pra ir trabalhar numa lanchonete. E nem pretendo.

O fato é que eu entrei no espírito de correr atrás apenas daquilo que me dá prazer, daquilo que eu curto fazer sem precisar me comprometer muito. Pensei nisso ontem à noite enquanto conversava com minha irmã sobre a banda com a qual comecei a ensaiar recentemente: quando eu estava prestes a dizer que eu tinha que ir ao ensaio hoje imediatamente pensei que se eu começasse a me obrigar a ir eu perderia toda a empolgação. Aí eu me corrigi: disse que eu queria ir.

(Trocar ter que por querer não teve qualquer efeito prático no fim das contas; foi tipo falar “aquela doença” em vez de “câncer”, ou seja, eu sabia que no fundo eu ia porque tinha me comprometido com o pessoal, e não pura e simplesmente por querer. Apesar de que se eu tivesse um pingo de dúvida se eu realmente estou curtindo os ensaios com certeza eu não iria.)

Perco toda a empolgação pelas coisas que eu preciso fazer apenas porque preciso, e não porque eu vou curtir. OK, é super normal achar chato lavar louça, por exemplo. Mas eu já tive uma relação melhor com esse tipo de tarefa; quase me sentia satisfeito por fazê-las.

Em algum momento decidi, inconscientemente (será mesmo?), ligar o famoso “foda-se” pra algumas coisas.

“Dormir fora de casa (ou talvez ficar acordado a noite inteira) com aquela gatíssima em plena terça-feira parece uma boa ideia? Ah, mas eu preciso trabalhar amanhã… foda-se, vamos lá!”

“Ir almoçar no McDonald’s três vezes por semana? Impossível resistir ao Cheddar McMelt! Mas meu colesterol tá no limite… foda-se, não vou passar vontade.”

“Mais um copo de uísque com vodca? Acho que cai bem. Mas peraí… R$30,00 a dose? Foda-se, se a conta vier alta eu consigo dar um jeito de pagar anyways.”

Reconheço que esse estilo de vida não é muito saudável, e às vezes a minha consciência pesa de verdade. Mas “é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez”. Não é o que dizem?

• – • – •

Eu diria que o ideal seria encontrar um equilíbrio. Viver “cem anos a cem” é melhor, não? Nem tão vidaloka, nem tão Mr. Play It Safe. Ainda não encontrei esse equilíbrio.

• – • – •

Acho que eu já falei isso antes, mas o benefício de ser casado é que tendemos a nos controlar mais. “Desligamos” o foda-se. Às vezes eu sinto falta disso e me dá uma vontade de conhecer alguém legal que me bote nos eixos novamente. Mas aí eu lembro que essa pessoa legal vai exigir um compromisso…

Ou melhor: as pessoas com quem me relacionei, na minha cabeça, representaram apenas compromisso, mesmo tendo proporcionado prazer. Preciso encontrar alguém que represente prazer. E que me dê motivação pra manter um compromisso. E que me deixe feliz e satisfeito por isso!

Ou talvez eu precise apenas tomar vergonha na cara, sei lá.

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