Descrença – parte II

Tomei conhecimento deste vídeo através de um amigo e percebi que há algumas coisas aqui que têm um pouco de conexão com o que eu havia escrito no post sobre descrença:

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foi o que um dos apresentadores do programa diz, a partir de 11min58s:

… pessoas que realmente entendem o que é amor, pessoas que realmente entendem o que é moralidade, pessoas que realmente compreendem a realidade… é quase insuportável ver as pessoas que você ama estarem tão absolutamente enganadas em uma religião divisiva de ódio, que elas acham que não é divisiva, que eles acham que é inclusiva e é positiva.

As religiões vendem uma ideia sobre o que é o amor. Algumas pessoas dizem que se preocupam em levar a vida de acordo com o que sua religião prega mas na hora de fazer a coisa é totalmente diferente. Lembram daquela frase do Ralph Waldo Emerson que eu coloquei em outro post? What you do speaks so loud that I cannot hear what you say? Pois então…

Não falo apenas sobre o amor entre um homem e uma mulher. Falo sobre a compaixão e o respeito para com o próximo, a vontade de ajudar as pessoas necessitadas. Falo sobre honrar seus compromissos. Sobre aquela regrinha de ouro que diz que “a sua liberdade termina onde começa a do próximo”. É justamente pela dificuldade recente em encontrar pessoas que ajam dessa forma em um relacionamento que estou deixando de acreditar em várias coisas…

• – • – •

Como eu já disse em outro post, fui casado por uma “evangélica por conveniência”: na hora de criticar e ridicularizar outras religiões lá estava ela; na hora de agir de acordo com o que podemos chamar de “moralmente correto” (“ou moralmente recomendável”) ela estava acima de tudo e todos. Mentir, trair, acabar com relacionamentos… tudo isso, dentro da cabecinha dela, era permitido (apesar de sua religião dizer exatamente o contrário).

Aliás foi ela quem me ensinou que se você tiver uma vida de pecados e se arrepender de verdade no último segundo você tem direito ao Reino dos Céus, o que nos dá muita liberdade pra fazermos tudo o que quisermos sem pensar nas consequências. A propósito, isso contraria até mesmo o que é dito pela Igreja: se eu posso me arrepender no último segundo por que preciso me preocupar em levar uma vida correta? É como se esse arrependimento fosse uma espécie de “nota promissória” da salvação.

Pensei nisso pois acabo de perceber que o que mais me magoou (e ainda magoa… um pouco) não foi a traição em si, não foi o relacionamento ter terminado; foi ela ter vendido uma imagem de pessoa correta e temente a Deus e agir de forma totalmente contrária. Foi ela ter se tornado (ou, na verdade, ter escancarado aos poucos, pois provavelmente ela sempre foi assim) um exemplo vivo da frase de Emerson que citei aí em cima. Foi ela ter feito com que eu deixasse de acreditar, com que eu perdesse minha inocência pra algumas coisas.

O que, no fim das contas, talvez nem seja tão ruim assim.

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2 Comentários em “Descrença – parte II”

  1. Rachel Says:

    Olá,
    Estou passando por uma fase de abstinência da minha dependência emocional. Ao mesmo tempo me sinto feliz por ter conseguido cessar com meu relacionamento.
    Me identifiquei muito com alguns de seus posts. É minha primeira vez por aqui e tive a impressão que vivemos situações parecidas.
    Me escreva se quiser trocar idéias, experiências, etc…
    Boa noite!
    Rachel

    • autoajudasentimental Says:

      Oi, Rachel. Legal saber que você se identificou. Espero que o que eu escrevi esteja te ajudando de alguma forma!😉

      Se tiver twitter e quiser manter contato me manda seu email ou MSN por DM: http://twitter.com/autoajuda_s

      Vamos nos falando. E boa sorte!🙂


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