Preguiça

Novamente bateu aquela preguiça de estar com alguém. Minha última tentativa não durou nem dois meses. Tudo bem que há uma história meio complicada nesse caso — digamos que ela não era muito… honesta. OK, no português claro: ela era mentirosa compulsiva e eu consegui perceber antes de me envolver mais.

Mas o assunto é preguiça. E, pra falar a verdade, ela acabou influenciando um pouco a minha decisão por não levar adiante nenhum dos relacionamentos que eu tive depois da minha separação.

Me dá uma agonia ter que pensar no que vou fazer no fim de semana. Como publicitário de formação costumo pensar em um relacionamento como uma campanha: quando o produto é novo você precisa concentrar seus esforços pra conquistar o cliente, pra consolidar a marca. O começo de um namoro é bem assim também. É aquele período em que você precisa ir com a pessoa a lugares bacanas, de preferência lugares que ambos curtam. Você precisa estar constantemente em contato, meio que pra passar a mensagem subliminar de que você está ali, presente e pensando nela. Você precisa se desgastar, gerenciar seu tempo de forma que você consiga ter uma vida profissional completamente separada da vida pessoal. Você precisa ter um tempinho pra sair com os amigos e visitar sua família — a não ser que você escolha abrir mão do contato com eles por algum tempo.

Ou seja, você precisa vender o seu peixe. Você precisa mostrar pra pessoa que quer conquistar que você é o melhor produto, a melhor escolha que ela pode fazer. E isso exige um bocado de dedicação.

É esse desgaste, essa dedicação que tem me dado preguiça ultimamente. Não a conquista em si pois, convenhamos, é divertida demais. Mas pensar que eu vou ter que conquistar a mesma pessoa novamente, por semanas e semanas, até descobrir se vale a pena ter um relacionamento sério com ela, me desanima tanto…

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Talvez nem seja preguiça. Pode ser que eu não queira compromisso por ter outras prioridades na minha vida agora. Pode ser que eu não tenha encontrado uma pessoa em quem valha a pena investir. Ou talvez ainda seja um resquício da minha decepção amorosa, do tipo “já vi essa história antes: eu me envolvo, me dedico, faço de tudo pra manter o relacionamento e aí sou traído e levo um pé na bunda”.

Ou sei lá, vai ver que eu fiquei besta. Nem sei mais o que eu quero.

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Tem essa também: não sei o que eu quero. Estou me sentindo como uma criança trancada numa loja de doces depois que todo mundo foi embora: tenho tantas possibilidades, tantas opções que nem sei por onde começar. Posso me empenhar um pouco mais no trabalho pra conseguir o que eu quero; posso até pensar em me preparar pra alçar voos maiores (um novo emprego ou, por que não, um negócio próprio)… posso estudar, posso ler todos os livros que eu comprei e ainda não li, posso escolher uma entre as centenas de loiras e morenas sensacionais que vejo todos os dias nas ruas. Posso escolher entre beber a cerveja de sempre no bar e ir a um pub experimentar algo diferente. Posso escolher trocar de carro no meio do ano ou ficar com ele por mais um ano e juntar um dinheiro pra pegar outro que não seja 1.0. Posso viajar pra outro país nas férias ou explorar lugares diferentes aqui em São Paulo.

Ter muitas opções nos faz perder o foco nas escolhas que deveríamos fazer.

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