Amor = vício

Estou desenvolvendo uma teoria que diz que ninguém se apaixona de verdade; o amor nada mais é do que uma dependência química, física e psicológica por alguém. OK, talvez isso nem seja uma grande novidade, outras pessoas (algumas, inclusive, com respaldo científico) já falaram sobre isso antes.

Mas a minha “teoria”, na verdade, se baseia em como o amor é originado. Se fizermos um paralelo com a dependência causada pelo cigarro, por exemplo, percebemos que somente o cigarro não tem tanto poder de tornar uma pessoa dependente. Ou melhor, a dependência física/química pode, sim, ser estabelecida, porém a dependência psicológica (que é, na minha opinião, menos controlável, pois acaba envolvendo emoções) nem sempre acontece logo de cara.

Já conversei com diversas pessoas que fumam, e elas sempre relatam que há sempre algo associado ao cigarro, e que na realidade a graça de fumar está justamente nessas coisas. Quando você acaba de comer (no sentido literal e no figurad0) não há nada melhor do que acender um cigarro (haja vista a cena clichê do casal terminando uma transa e, em meio à fumaça da primeira baforada de cigarro, perguntando “foi bom pra você?”). Uma xícara de café ou um copo de cerveja são um convite a algumas tragadas. Uma situação de stress te leva a acender um cigarrinho pra acalmar.

Agora… todas as pessoas com quem eu conversei sobre cigarro me disseram que o gosto é horrível e que o cigarro por si só não dá barato algum. A graça de fumar está justamente nas situações associadas, nas emoções geradas quase que concomitantemente ao ato de fumar. Se fosse possível criar uma situação neutra, em que nenhuma emoção pudesse ser associada ao cigarro, provavelmente comprovaríamos essa tese de que a dependência psicológica, e não a física ou a química, é que sustenta o vício.

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Mas estávamos falando que o amor é, na verdade, uma forma de dependência.

Você conhece aquela pessoa bacana que, em um primeiro momento, apenas te causa um friozinho na barriga ou algo do tipo. Você começa a conversar mais com ela, se aproximar… vocês saem, vão a algum lugar bacana, têm uma noite agradável… vocês combinam de repetir a dose, e têm mais noites agradáveis… e, quando vocês se dão conta, já se passaram meses, anos…

Some-se às noites agradáveis detalhes como aquele beijo delicioso, sexo bem feito (e, por que não, perfeito!), momentos de muita emoção positiva e negativa, e a chance de você se declarar apaixonado(a) por alguém é muito grande. Procure encarar as pessoas de forma racional, procure sair com alguém sem alimentar grandes expectativas — e leve essa pessoa a um território neutro, ou a algum lugar que não te faça desenvolver qualquer emoção — e as chances de você ter um encontro insignificante são grandes, por mais que você saia com a Geena Davis.

(Opinião pessoal minha: a Geena Davis é muito bonita, charmosa e, de quebra, ela é membro da Mensa — ou seja, tudo indica que ela representaria o encontro perfeito! Só não dá pra saber detalhes mais, digamos, íntimos… mas beleza, charme e inteligência já são o suficiente pra que algum interesse por uma mulher seja despertado em mim.)

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Acho que isso explica por que eu não consegui levar adiante os relacionamentos que eu tive depois da minha separação. Faltou associar alguma das mulheres a bons momentos. Na verdade eu acabei me preocupando mais em associá-las a “punições”, a coisas e sentimentos ruins. Procurei (talvez inconscientemente) pensar mais no que me desagradava, e não no que me agradava nelas. E os encontros se tornaram, na minha cabeça, um “ritual de autoflagelação” e não um “vício”.

Mas vamos tentando. Uma hora eu encontro meu vício perfeito!

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Acabei me lembrando dessa música enquanto escrevia este post:

Turn off the sun pull the stars from the sky
The more i give to you the more i die

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