O Incrível Hulk e a importância das coisas

Hoje eu vi uma criança de uns 4 anos subindo numa balança, dessas que tem na porta da farmácia e falam se a gente está muito gordo. Uma criança sobe numa balança apenas pela farra, porque quando somos crianças realmente é divertido subir naquela plataforma e ver a agulhinha (ou, na versão mais moderna, os numerinhos) se mexendo.

Aí eu tentei me lembrar de quando eu realmente comecei a me importar com o meu peso, em vez de simplesmente me divertir com o movimento da agulhinha na balança. De quando eu comecei a me sentir anormal por ser extremamente magro e meu IMC estar apenas um pouco acima de 18,5 — e, posteriormente, de quando eu comecei a me preocupar por estacionar num IMC que me classifica como uma pessoa com sobrepeso.

Claro que é impossível de lembrar quando é o exato momento em que uma banalidade começa a se tornar uma preocupação. Esse é um processo gradual demais pra que consigamos avaliar quando ele começa.

Mas aí eu fiquei filosofando sobre o seguinte: por que raios permitimos que coisas pouco importantes nos afetem?

• – • – •

Recentemente li um artigo entitulado “Destruindo o argumento do amor” no Reflexões Masculinas. Às vezes paro pra me perguntar quando o amor começou a ser importante para a raça humana, quando deixamos de simplesmente desfrutar de uma companhia agradável (e que carregaria nossos genes por aí) pra começar com essa obsessão insana que vejo por aí de casais querendo medir seu sucesso por sua capacidade de “amar” — ou a incapacidade das pessoas à sua volta de estar com alguém. Desde quando o amor passou a ser algo importante?

Ou, melhor ainda, quem falou que o amor pode ser usado pra medir qualquer coisa, se nem mesmo conseguimos ter a medida exata desse sentimento?

• – • – •

Enquanto escrevo este post estou assistindo à mais recente releitura de “O Incrível Hulk”. Como eu realmente acredito que todos os meus leitores estiveram aqui no planeta Terra nos últimos 10 anos pelo menos (alguém aí foi abduzido? Por favor comente) nem vou me preocupar em contar a história do personagem.

O fato é que eu estava prestando atenção aos primeiros minutos do filme e comecei a pensar no “problema” que ele tem: se ele fica nervoso e os batimentos cardíacos se elevam mais do que deveria ele se transforma no famoso monstro verde. Comecei a rever minha vida e pude perceber como a raiva me transformou com o passar do tempo. Não sei dizer se foi de forma boa ou ruim; apenas digo que a raiva que senti, por pessoas e acontecimentos, fez com que eu me tornasse alguém diferente de quem eu era há uns 10 anos.

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3 Comentários em “O Incrível Hulk e a importância das coisas”

  1. Sama Says:

    Então, na minha aula de semiótica da cultura minha professora falou brevemente sobre a origem desse romantismo e da visão de amor q temos hj não é algo antigo, é bastante recente na verdade, esse negócio de sofrer de amor começou com o romantismo alemão (http://www.infoescola.com/movimentos-artisticos/romantismo-alemao/) alguns podem falar sobre os trovadores da idade média, por exemplo, etc, mas na idade média o povão não sabia ler, já no século XVIII a coisa fica um pouco mais acessível. Mas a coisa só ficou feia no século passado qdo a vida cotidiana se torna o centro das atenções. Muito antigamente pelo pouco q tenho aprendido nos ultimos tempos, as pessoas viviam juntas principalmente pela sobrevivência (da espécie, delas mesmas, etc), o amor e a afeição eram consequencia, ultimamente a coisa se inverteu um pouco.

    Eu sei falei de forma MUITO resumida aí, dá p/ desenvolver um textão sobre o assunto. LOL

  2. autoajudasentimental Says:

    Uia, vou ler mais a respeito… curti!

    Quer dizer, antes eu preciso ler o “Amor Líquido”… mas antes disso eu preciso ler os 537 livros da minha fila! hahahhaha

    • Sama Says:

      Isso q eu disse não tem muito a ver com o Bauman não (até tem, mas não foi dele q veio tudo isso especificamente), hehehe. Saiu de uma aula da faculdade mesmo, e faz sentido. Tem a ver com o conceito de comunidade e de certa forma como as pessoas se relacionam hj e antigamente, coisa q eu estou estudando na pós (Comunicação e Semiótica), isso tudo p/ chegar na forma como as pessoas se comunicam, criam comunidades e etc na internet, redes sociais, etc. LOL


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