Apagando o passado

Hoje assinei meu divórcio. Foi estranho ver minha ex depois de tanto tempo. Já tinha sido um tanto constrangedor encontrá-la quando assinei a separação, cerca de um ano atrás. Hoje foi mais estranho ainda: ela se tornou uma completa estranha pra mim, apesar de eu ainda me lembrar claramente de seu rosto e apesar de eu ter tido medo do que eu sentiria quando olhasse pra ela. Tanto medo à toa: senti o mesmo que eu senti ao olhar pro escrivão, por exemplo: é só mais uma pessoa no mundo!

É engraçado como a gente muda: se eu conhecesse minha ex hoje não me sentiria atraído por ela. Percebi que o tipo de mulher que me atrai hoje em dia é totalmente diferente dela. Dizem que nossa opinião sobre mulheres realmente muda quando um relacionamento termina, e tendemos a buscar o oposto da mulher com quem nos relacionávamos. Deve ser verdade.

Eu havia decidido, alguns meses atrás, que tão logo o divórcio fosse assinado e todas as pendências resolvidas eu evitaria ao máximo mencionar o nome da minha ex. Eu precisava dessa formalidade pra me ver livre dela de uma vez por todas. Pois bem, o dia chegou e estou cumprindo minha promessa: vou enterrar definitivamente essa parte da minha história. Vou mencionar isso pros meus parentes e amigos mais próximos pra que eles não sejam pegos de surpresa.

Por que estou fazendo isso? Não só pelo desfecho ruim do relacionamento, que ainda me aborrece de alguma forma; faço isso também porque lembrar dela não vai acrescentar nada à minha vida. Foi uma história que passou. Além do mais, como eu já mencionei antes, tenho um pensamento meio “binário” pra algumas coisas: é zero ou um, é ou não é, sem meio termo. Ou eu mantenho as lembranças com ela por perto ou não mantenho nada.

• – • – •

Achei que essa música ilustraria bem este momento:

Today is the greatest
Day I’ve never known
Can’t wait for tomorrow
I might not have that long
I’ll tear my heart out
Before I get out

• – • – •

Antes de começar a namorar minha ex esposa tive um namorinho de 3 meses com uma menina que era um poço de ciúmes. Ela me ligava milhares de vezes por dia, um pouco por não ter muita coisa pra pensar (ela estava desempregada na época) e outro tanto por ser carente e possessiva. Ficava roxa de raiva quando eu saía com um amigo meu, cafajeste de plantão, ainda que fosse pra fazer coisas como malhar ou almoçar com os caras do comércio de autopeças onde trabalhávamos. Queria me levar pra família dela mas não se esforçava nem um pouco pra agradar meus pais e minhas irmãs. Até que um dia brigamos feio pelo telefone e, dois dias depois, eu decidi dar um basta.

Desde então eu não consigo nem mesmo me lembrar do rosto dela. Apaguei completamente da memória.

• – • – •

Nossa alma é como um grande porão. Será que alguém já escreveu isso antes?

Enfim… nossa alma é como um grande porão: guardamos aquilo que significa algo pra nós, porém acabamos guardando coisas que não nos servirão pra nada no futuro, embora acreditemos que um dia, mesmo que seja um único dia, usaremos aquelas coisas novamente. E aí, quando o porão está cheio de poeira e tranqueiras, decidimos fazer uma limpeza e, com um pouco de dó, jogamos metade das coisas fora.

Nesse exato momento estou fazendo essa limpeza no meu porão.

Explore posts in the same categories: Pensamentos

One Comment em “Apagando o passado”

  1. nouniversoparalelo Says:

    Nossa alma é como um grande porão.

    Eu tenho um porão em casa, nele há uma bigorna de sapateiro, uma morsa e a Barra Forte.

    Prefiro meu porão….


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: