Meninos versus “machos alfa”

Hoje eu estava dando uma fuçada em blogs novos e acabei caindo em um chamado “Antifeminismo”.

(Meninas, não xinguem o autor antes de ler: o cara diz coisas bem sensatas sem ser “xiita”. Deem uma chance!)

Em um dos posts encontrei uma frase que me chamou atenção: “Há certas coisas que só uma mãe sabe fazer, mas, definitivamente, TRANSFORMAR MENINOS EM HOMENS É TAREFA DO PAI.”

Comecei a pensar na forma como fui criado. Meu pai praticamente ia pra casa apenas pra dormir, e eu passava a maior parte do tempo com quatro mulheres em casa (minha mãe, duas irmãs mais velhas e minha avó paterna). Nos fins de semana eu e meu pai fazíamos coisas “de macho”, como jogar futebol (juro que eu tentei mas nunca peguei gosto pelo esporte), empinar pipa, consertar coisas pela casa (meu pai deve ter quase a mesma quantidade de ferramentas que o Clint Eastwood em Gran Torino!). E, eventualmente, saíamos juntos.

Mas meu pai sempre foi bastante reservado. Ele próprio não teve um exemplo masculino a seguir; seu pai morreu quando ele tinha apenas um ano de idade, e ele foi criado por minha avó, minha bisavó (mãe do pai dele) e uma tia. Ele tinha tios mas o contato não era tão frequente; ele passava mais tempo com mulheres.

Uma vez eu reclamei com minha mãe sobre alguma coisa de que não me lembro mas tinha a ver justamente com a “semi-ausência” do meu pai durante minha criação. Na época ela me disse que, como seu pai nunca esteve presente, ele próprio não teve a oportunidade de saber como um pai deveria agir em determinadas situações. Achei que minha mãe só estava inventando uma desculpa esfarrapada pra me fazer ficar com peso na consciência por tê-lo acusado injustamente de algo. Mas hoje, pensando melhor, vejo que ela tinha razão: meu pai se esforçou pra nos criar da melhor forma possível, mas ele mesmo teve que aprender meio na marra, sem ter tido qualquer exemplo pra se inspirar, como ser pai.

Consequentemente vejo que não tive a oportunidade de “ser transformado em homem”. Não tive um exemplo paterno muito frequente, e mesmo o pouco contato que eu tinha com meu pai era meio distante, desconfortável, desajeitado por ele não saber como agir. E isso refletiu na minha vida amorosa, obviamente: não agi como “homem”, como o chamado “macho alfa” em meus relacionamentos, e sim como um mero “provedor”, sem me preocupar com as expectativas da parceira, sem me importar em saber se ela estava plenamente satisfeita. E deu no que deu…

Escrevo isso sem qualquer ressentimento por minha mãe e, principalmente, por meu pai. Eles fizeram (e ainda fazem) o melhor por mim e pelas minhas irmãs. Mas ainda assim reconheço que algo faltou. E é esse “algo” que venho buscando agora. Nunca é tarde pra aprender!

• – • – •

Se um dia eu vier a ter filhos (por enquanto tudo indica que eu não os terei mas vai saber o que o futuro nos reserva, né?) e, principalmente se eu tiver meninos, vou fazer o possível pra criá-los como verdadeiros homens. Afinal de contas, os pais sempre esperam que os filhos não cometam os mesmos erros que eles, não é verdade?

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