Monstro

Tornei-me um monstro. Talvez o adjetivo seja forte demais, porém não consegui encontrar outro.

Dos últimos relacionamentos, curtos demais para meus padrões, tirei apenas o prazer efêmero de estar com uma mulher, o breve flerte que não dá nem mesmo a chance de um conhecimento mais aprofundado sobre alguém. Tornei-me o que jamais pensei que me tornaria: alguém que faz as pessoas se sentirem usadas.

Estou totalmente desprovido de sentimentos. A chama da paixão, em mim, não dura muito mais que um buscapé de festa junina. O interesse que deveria se manter por um período suficiente para que eu consiga me acostumar a ter alguém em minha vida se manifesta apenas nos primeiros três ou quatro encontros.

É um engano, porém, pensar que eu não sofro com essa situação; quem não gostaria de ter alguém ao seu lado, de amar verdadeiramente? Talvez como se eu quisesse provar pra mim mesmo que estou plenamente recuperado do pé na bunda que eu levei, fico buscando “engatar um romance”, como dizem as revistas de fofoca, com a primeira moça bonita e interessante que aparece na minha frente. Só que o romance não vinga, e a situação é desgastante – pra ela, por se sentir rejeitada, e pra mim, por adicionar mais um relacionamento frustrado à coleção.

Seria um exagero dizer que deixei pra trás uma legião de mulheres indignadas com minha atitude; a quantidade de mulheres cujos caminhos se encontraram com o meu, no último ano e meio, não foi tão expressiva assim – ainda! Posso dizer, ao invés disso, que todas as mulheres com quem me relacionei após minha separação perguntaram pra si mesmas (e algumas perguntaram pra mim também) por que não deu certo, o que elas fizeram de errado. Sinceramente, não sei – e sinto muito por isso.

O que fazemos com os monstros? Deixamo-los isolados? Pois então: vou me isolar por enquanto. Acho mais prudente. Não machuco a mim e nem àquela com quem eu vier a me relacionar. Por enquanto I’ll say goodbye to love, como cantavam os Carpenters.

• – • – •

Ando percebendo que a minha ex tornou-se, pro bem e pro mal, uma espécie de benchmarking pra futuros relacionamentos. Quando alguém faz por mim algo que ela nunca fez fico deslumbrado; porém a primeira atitude que me remete a algo tipicamente feito por ela já me desanima. Na hora que isso acontece a única coisa que consigo pensar é na teoria do Eterno Retorno, descrita n’A Insustentável Leveza do Ser. E pulo fora antes que o relacionamento fique sério – e o fracasso e a frustração sejam maiores.

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2 Comentários em “Monstro”

  1. tuccano Says:

    Cara vc falou exatamente como eu me sinto.
    Este e o estado emocional que me encontro “Monstro” como você disse aew , hoje em dia eu não consigo mais ver os relacionamentos como antigamente vejo isso tudo como um jogo onde só tem um ganhador… e parece que o monstro aki ta fazendo muitas vitimas.
    Tô assim mesmo não me sentindo bem com isso: Antes elas do que eu.
    Como eu disse você falou tudo ai.
    Flw abrax e boa sorte! pra nóis rs

    • autoajudasentimental Says:

      Valeu pelo comentário!

      Pois é… tb não tenho me sentido bem c/ isso… mas fazer o q, né? enquanto isso não passa vamos levando a vida…

      Abraço!


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