A metáfora do carro

Como todo brasileiro eu gosto de carros. Não sou tão brasileiro em outros aspectos da minha vida como sou no que diz respeito à paixão por carros. Já fui, no entanto, muito mais aficionado; quando eu era criança fiz meu pai comprar um livro todo escrito em inglês só por causa das milhares de fotos de carros alemães — inclusive a de um Opel Kadett, carro que meu pai tinha até então. Falei isso só pra ilustrar como eu gosto de carros — e nem falei da centena de miniaturas (da Matchbox e da Rei) que eu ainda tenho em algum lugar da casa dos meus pais! Enfim… acho que vocês entenderam.

Até hoje tive quatro carros que eu realmente escolhi comprar — e um que, de certa forma, herdei do meu pai e não vou mencionar por não ter sido conquistado com meu próprio esforço. O primeiro foi um Kadett SL* ano 93. Fiquei quatro anos com ele (o maior período em que eu fiquei com um carro até agora!). Tive alguns problemas, relaxei com a “saúde” dele — o que fez com que ele estivesse com a pintura quase totalmente opaca e com o motor queimando quase tanto óleo quanto a gasolina que consumia quando eu o vendi — mas ele nunca me decepcionou. Eu o entendia e ele parecia me entender. Deixou muitas saudades — talvez por ter sido o primeiro, talvez por eu ter passado tempo demais com ele ou ainda pelo tempo que passamos juntos. Um pouco também porque meu relacionamento com ele foi perfeito, mesmo com todos os conflitos. Tornou-se a referência pra todos os outros que tive: se não conseguem ser tão bons quanto ele nem quero saber!

O segundo foi um Mille ELX 1994*. Apesar de meio desconfortável também me proporcionou bons momentos. Viajei pouco com ele; poderia dizer até que eu ele me acompanhou muito mais nas questões do dia-a-dia do que nos momentos de lazer. Mas também nunca me deixou na mão — OK, uma única vez, também por eu não ter cuidado da “saúde” dele (nunca me importei muito com isso). Não deixou tantas saudades, mas acho que é porque eu ainda o vejo com uma certa frequência (um amigo meu está com ele agora). De qualquer forma com certeza eu o teria novamente se houvesse uma oportunidade. Quem sabe não surge uma no futuro, não é mesmo?

O terceiro, um Ka 1998* (carro que, por sinal, ainda está comigo e estou colocando à venda), me deu um pouco de trabalho e algumas decepções. Curiosamente é o carro que eu comprei no último ano em que estava casado. Da última vez em que fui viajar com minha ex aconteceu a primeira “pisada de bola”: descobri que ele estava queimando óleo! Fiquei um tempo afastado dele nos últimos meses (um pouco porque ele estava com um problema grave que o impedia de sair da garagem) mas agora estamos retomando nosso relacionamento — apenas pra eu conseguir resolver algumas pendências entre ele e eu antes de efetivamente colocá-lo à venda.

O quarto carro, o atual, divide as atenções com o Ka atualmente — porém já decidi que vou ficar apenas com ele. É um Celta 2010*, comprado zero no ano passado. Tem todo o vigor de quem está começando a vida, o que me faz querer ousar em vários momentos. Já curtimos muita coisa juntos apesar de não termos completado nem um ano de “relacionamento”. Está sempre disponível, me dá segurança quando quero me atrever um pouco mais que o normal, é esperto, econômico, colabora com a natureza (por ter motor flex e por eu ter abastecido predominantemente com álcool polui bem menos que um carro que só roda com gasolina)… enfim, tem sido meu companheirão. No entanto, a empolgação real, aquele “friozinho na barriga”, só rolou quando eu comecei a sair por aí com ele. Hoje em dia eu o respeito e gosto de saber que ele vai me acompanhar, me preocupo com ele e tudo o mais, porém não sinto aquela paixão que talvez eu tenha sentido pelo Kadett. Mas vou continuar com ele. Até quando não sei.

• – • – •

Hoje eu fiquei pensando que o relacionamento que temos com nossos carros (e, em alguns casos, com nossos celulares, bichos de estimação etc) é muito parecido com um relacionamento amoroso. Não é?

* imagens meramente ilustrativas. Se as imagens não estiverem funcionando e vocês quiserem muito, muito vê-las por favor me avisem.

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2 Comentários em “A metáfora do carro”

  1. nouniversoparalelo Says:

    n se esqueça de me avisar qdo vender o celta.
    senão vou comprar uma brasília e amassar o celta qdo encontrar na rua ahahahahah….


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