Pensamento avulso #2: a metáfora do skate

Comprei um skate novo. Bacanão, semi long, com rodas transparentes de poliuretano. Já fui fazer downhill com ele duas vezes, numa ladeira perto de casa — e caí feio da segunda vez em que fui lá. Machuquei-me um pouco mais que da primeira vez (logo depois da queda, por um momento, até pensei que havia quebrado o braço por causa da dor que senti e por eu ter caído por cima dele mas aparentemente os ferimentos se limitaram a arranhões e queimaduras).

Alguns dias antes eu estava mostrando o skate pra alguns amigos meus e um deles me disse que andar de skate é assim mesmo: se você cai uma vez e fica com medo você nunca mais vai voltar a andar, mas se você não se intimida pela queda você volta a andar e sempre vai querer arriscar mais. Na verdade logo depois dessa queda mais recente eu continuei andando, mas quando eu percebia que estava pegando velocidade (o que acabou ocasionando a queda) eu começava a diminuir. Preferi ir de leve, curtindo a descida.

Mas concordo com esse meu amigo: apesar de não ter grandes ambições com meu skate (quero apenas descer ladeiras; por enquanto não penso em fazer manobras ou ir a pistas) também não afasto totalmente a possibilidade de me arriscar com ele, de pegar mais velocidade quando estiver descendo as ladeiras, de eventualmente aprender a dar slide — parece que saber dar slide é prerrequisito pra você ser considerado um skatista!

No dia em que eu caí pela segunda vez, quando fui dormir, fiquei pensando no que eu poderia ter feito pra evitar a queda. Talvez ela fosse inevitável, mas talvez eu pudesse ter jogado o skate pro lado na tentativa de diminuir a velocidade e fazê-lo estabilizar. E se eu tivesse tentado me agachar lentamente pra poder sair rolando do skate? Será que o estrago teria sido menor?

Daí percebi que andar de skate tem muito a ver com a vida, e principalmente com relacionamentos: você não consegue se envolver com outras pessoas se desiste de tentar; se se envolve, você está ciente dos riscos que corre — e talvez, de certa forma, perca o medo de se machucar; e quando você se machuca você para pra rever o que poderia ter feito de diferente pra evitar a “queda”.

É isso aí, pessoal. O negócio é vencer o medo e continuar andando de skate!

• – • – •

Sempre que eu penso na vida (e nessa semelhança entre a forma como a encaramos e o ato de andar de skate — ou qualquer outra metáfora que eu venha a usar pra tentar explicá-la) lembro-me do trecho de um filme chamado Parenthood, com Steve Martin e Rick Moranis. Acho que eu nunca vi esse filme inteiro, porém lembro-me de uma cena em que o personagem de Steve Martin, Gil Buckman, está reclamando da vida quando sua avó chega perto dele e o seguinte diálogo acontece:

Grandma: You know, when I was nineteen, Grandpa took me on a roller coaster.
Gil: Oh?
Grandma: Up, down, up, down. Oh, what a ride!
Gil: What a great story.
Grandma: I always wanted to go again. You know, it was just so interesting to me that a ride could make me so frightened, so scared, so sick, so excited, and so thrilled all together! Some didn’t like it. They went on the merry-go-round. That just goes around. Nothing. I like the roller coaster. You get more out of it.

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