Cinema, TV, estatísticas e corações partidos

Começo o post de hoje com uma estatística chutada: 95% das mulheres que assistem a Como se Fosse a Primeira Vez dizem querer um relacionamento como o do filme, em que o cara faz de tudo pra conquistar a mulher todos os dias e blablablá. Os outros 5% da minha estatística correspondem às raríssimas mulheres sensatas desse mundão de meu Deus que estão escondidas em alguma ilha — porque eu não conheci nenhuma ainda. Tá bom, vai… acho que eu já conheci umas 2 ou 3 mulheres sensatas na minha vida — duas delas eu sei que não estão nessa ilha, mas o resto eu sei que está!

Pra quem nunca viu esse filme aqui vai um resumo: o cara se apaixona por uma moça que bateu a cabeça num acidente de carro e perde todas as lembranças do dia quando vai dormir. Daí o cara faz de tudo pra poder ficar do lado da moça e fazer com que ela goste dele.

Como eu já mencionei em outros posts eu não aprendi muito bem a arte de conquistar mulheres em baladas. Além disso (ou por causa disso) eu gosto de conquistar aos poucos, tentar cativar a mulher enquanto vamos nos conhecendo melhor. Vou buscando criar nela o interesse por mim através de pequenas demonstrações de afeto, através do convívio mesmo. Ou seja, busco conquistá-la dia a dia, pouco a pouco. Eu procurei fazer isso com todos os relacionamentos que tive. E, ao que me parece, não foi o suficiente. O curioso é que todas as mulheres com quem mantive um relacionamento me disseram que adoravam esse filme e sonhavam com esse tipo de relacionamento — e, quando conseguiram, não souberam aproveitar.

Ou sei lá, né? Vai ver eu é que estou fazendo tudo do jeito errado.

(Se alguém souber a localização dessa ilha onde as mulheres sensatas se escondem por favor me informe. Vou tentar a sorte por lá.)

• – • – •

Acabei pegando bronca desse filme por essas ideias distorcidas que ele transmite. A única coisa que eu acho muito legal é a trilha sonora, que é composta basicamente de sucessos dos anos 80 repaginados por gente famosa do mundinho pop (tipo a Fergie com uma ótima versão de True, do igualmente ótimo Spandau Ballet) — e por gente não tão famosa assim, como o 311, que fez uma versão meio reggae de Love Song, do Cure (na minha opinião a música mais bonita entre as que rolam no filme):

However far away, I will always love you
However long I stay, I will always love you
Whatever words I say, I will always love you
I will always love you

• – • – •

Isso me faz lembrar de que há tempos eu quero escrever sobre a influência da TV e do cinema nos relacionamentos mas nunca me lembro desse assunto. Fui ver Avatar logo depois de ter lido um texto no Reflexões Masculinas, o que me fez ter uma visão do filme que talvez divirja de uns 80% do público feminino (e aí vai outra estatística chutada): a indústria do entretenimento conspira pra alimentar nas mulheres (ou melhor, nos 95% das mulheres que não conseguem pensar de maneira lógica e racional, de acordo com os números que eu inventei) a vontade de encontrar aquele cara que faz tudo por elas e vai até o fim do mundo pra poder demonstrar seu amor. Uns 60% dos homens (mais um número escolhido ao acaso) compraram essa ideia e têm percebido o erro tarde demais — quando uns 74% das mulheres comprometidas decidem pular fora do relacionamento (e essa estatística não foi inventada. Duvida? Olha aqui então!)

Só que esse número de homens feridos por relacionamentos interrompidos à revelia, apesar da influência nefasta dos meios de comunicação (também duvida disso? Tem um estudo do BID que prova por A+B que essa influência é real), está diminuindo. Os homens estão percebendo essa influência e trabalhando de forma a revertê-la. Estamos pensando em relacionamentos de forma cada vez mais racional e não estamos caindo nos joguinhos femininos. O resultado disso é que alguns homens estão, sim, evitando relacionamentos, mas outros estão aprendendo a adotar um comportamento diferente com relação às mulheres. E uma parcela menor (uns 15% dos homens que saíram de um relacionamento sem seu consentimento de acordo com minhas estatísticas criadas on demand, e eu me incluo nesse número) está sendo muito mais criteriosa na escolha de suas novas parceiras. Por vezes esses 15% se confundem com aqueles homens que não querem namorar ou casar novamente, o que me impede de chutar um número preciso. Mas de qualquer forma a parcela é pequena.

E pra quem não acredita que os homens também sofrem com a separação tem um outro estudo que relaciona o divórcio ao prejuízo à saúde dos envolvidos.

(Nem deu pra eu falar que ultimamente tenho sido bastante crítico com relação aos enredos de filmes e até assistindo ao Rei Leão percebi que o homem só se ferra quando opta por dar ouvidos à mulher. Esse assunto fica pra um próximo post.)

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8 Comentários em “Cinema, TV, estatísticas e corações partidos”

  1. manuela Says:

    Sinceramente? O post valeu pela excelente dica demusica. O resto? Achei exagero.
    Não, não faço parte das mulheres que sonham com um cara que deseja viver em função de mim.
    Gostar desse filme nada tem a ver com o fato de desejar o mesmo. Toda história de amor é bonita quando tem final feliz, ou nem isso. Toda historia de amor é apaixonante se em algum momento foi feliz e valeu a pena, mesmo que eles não fiquem juntos no final.

    Exagero, simplismo, e…até machismo achar que as mulheres são tão simples assim e que isso basta.
    Só ver o numero de caras extremamente romanticos que estão sozinhos hoje. Não é só isso que basta,não é um filme assim que nos descreve.

  2. manuela Says:

    o comentario foi mto mal escrito, repetitivo e ateconfuso… ixi. desculpe.

    • autoajudasentimental Says:

      Então você mora naquela ilha que eu mencionei Manu? hahahahha

      Tô brincando… na verdade o post foi muito mais um desabafo por eu ter percebido que as mulheres com quem eu gostaria de ter um relacionamento mais sério não veem a vida como eu vejo. Eu só forcei um pouco com essas estatísticas inventadas pra dar um ar de seriedade na brincadeira…😛

      E eu realmente acredito que não é esse tipo de filme que descreve todas as mulheres do mundo. Eu sei que nem todas procuram esse tipo de homem. Mas que tá difícil de encontrar umazinha dessas mulheres tá, viu? hahahaha

      • autoajudasentimental Says:

        Ah, e se quiser a trilha do filme (se ainda não tiver) eu posso te passar um dia desses. Já criou raízes no meu celular: levo pra todo lado e ouço várias vezes durante o dia!😀

  3. nouniversoparalelo Says:

    talvez vc devesse bater o carro numa árvore enqto desvia numa vaca p/ provocar aminésia nessas mulheres tb… assim talvez elas realizem o sonho de ter uma relação q nem a do filme :p

  4. Mah Says:

    acho q na verdade a grande maioria perde o interesse depois de ter realizado seu sonho..não é assim que funciona com tudo?
    metas, sonhos, desejos…depois de realizados buscamos outros e assim segue a humanidade…sempre insatisfeita e sembre buscando.

    • autoajudasentimental Says:

      É… acho que é bem por aí. Mas sei lá, será que a gente não consegue se contentar nem com os relacionamentos que cultivamos? Por que será que as pessoas viviam juntas por mais tempo antigamente? Por que até mesmo as amizades eram mantidas por muitos e muitos anos, e hoje em dia descartam-se os amigos facilmente?


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