Princípios

Num dos posts mais populares deste blog, Traição, ética e darwinismo, falei sobre a possibilidade de aprender a me tornar um cafajeste. O universo conspirava pra que eu visse essa decisão como a mais certa: ora, os cafajestes estão sempre acompanhados, ou seja, a estratégia deles realmente funciona. São eles que são vistos como os “vencedores” por nossa sociedade — o loser é aquele que nunca é visto com mulher, e quanto mais velho o cara mais loser ele é. O cafajeste, por ser o “pegador”, acaba tendo uma chance muito maior de espalhar seus genes pelo planeta, ou seja, ele consegue cumprir o que poderíamos chamar de “missão básica do homem”. Ou seja, tudo me fazia crer que eu é que sou o errado, eu é que preciso me adaptar à nova realidade, eu represento o obsoleto, o que não cumprirá sua missão.

Porém, se eu pensar que eu procuro ser um cara gentil, respeitador e carinhoso com as mulheres por uma questão de princípios, o que eu ganho por querer ser igual a todos os caras que estão se tornando cafajestes? Quando agimos contra nossos princípios encontramos um desconforto natural; será que é isso mesmo o que eu quero? Decidi abandonar a ideia de me tornar um cafajeste e já coloquei pra mim mesmo o seguinte objetivo: se eu não conseguir garantir a continuidade de meus genes em dois anos (ou seja, se dentro deste prazo eu não conseguir me casar e ter filhos) vou doar esperma às clínicas de reprodução assistida. É uma forma criativa e eficaz de cumprir com meu papel no mundo!

(OK, não levem este último parágrafo a sério — embora eu não descarte totalmente essa possibilidade…)

• – • – •

Na empresa onde trabalho consegui, recentemente, a incumbência de ministrar treinamentos para novos funcionários sobre o histórico da empresa, sua estratégia de mercado, seus valores, entre outras coisas. Quando falo sobre a estratégia da empresa acabo falando também sobre vantagem competitiva. Vivemos num mundo em que a vantagem competitiva de uma empresa não dura muito tempo: logo outras empresas conseguem oferecer produtos com as mesmas características e qualidades, e o que era uma vantagem se torna uma exigência competitiva.

Unindo essa afirmativa com o que acabo de falar sobre ser ou não um cafajeste, percebo que se eu começar a me igualar ao que está disponível no “mercado” serei apenas mais um. Quem sabe minha “vantagem competitiva” não está justamente em ser como sou?

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7 Comentários em “Princípios”

  1. nouniversoparalelo Says:

    não doe os espermas… VENDA-OS!

    • autoajudasentimental Says:

      Não dá, aqui no Brasil não compram.😦
      Nos EUA você recebe um dinheirinho quando doa esperma. Aqui você realmente doa. A não ser que eu encontre alguém que pague pelo meu, né? hahahaha

  2. Cintia Moreno Says:

    Poxa… tive que que copiar o texto e colar no word para conseguir ler. Você bem podia ter dó da cegueta e mudar o plano de fundo né? Ou pelo menos, colocar uma letra branca para que eu consiga enxergar…

    Beijo!

    • autoajudasentimental Says:

      Eita! Sério? :-O

      Me explica melhor o que tá acontecendo, please. Aqui eu consigo ver o texto em preto sobre um fundo branco. Pode ser que a cor de fundo da área de texto do blog não tenha carregado aí no seu browser por algum motivo.
      Enfim… valeu pelo comentário! Vou prestar atenção pra ver se isso acontece com outras pessoas — ou até mesmo comigo.

      Beijo!

  3. Joao Says:

    Meu camarada, seus textos cabem direitinho nas minhas angústias atuais… Bom lê-los e parar prá pensar com mais clareza. Grande abraço.


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