Razão e emoção

Durante uma aula de História da Arte na faculdade (em 1994 — pois é, tô ficando velho!) a professora falava sobre os deuses da mitologia grega, especialmente sobre Apolo e Dioniso, o primeiro representando a razão e o último, a emoção. Provavelmente pra se certificar de que a turma conseguiu captar a ideia do que os dois deuses representavam ela decide perguntar a cada aluno da sala se eles estavam mais pra Apolo ou pra Dioniso. Quando chegou a minha vez eu hesitei um pouco mas por fim disse que eu me considerava mais emocional do que racional, o que despertou uma certa dúvida na professora e em meus colegas de turma — com a minha cara de nerd que eu tenho desde sempre é meio difícil de imaginar que eu não seja 100% racional. Eu mesmo acabei duvidando um pouco da minha resposta na época graças à reação de todos.

Hoje vejo que eu estava certo: apesar de estar trabalhando nisso sou mais Dioniso que Apolo. Procuro tomar decisões muito bem pensadas, calcular riscos, mas quando se trata de interagir com outras pessoas a emoção fala mais alto. Ainda sinto uma leve necessidade de ser aceito pelas pessoas, de me importar com o que elas pensam sobre mim e minha atitude, meu jeito de ser. Feedbacks positivos alegram meu dia, e os negativos me deixam aborrecido por uma semana. Tenho me apaixonado com a mesma facilidade com que me frustro.

No entanto, como já disse estou me esforçando pra melhorar, pra ser mais Apolo. Ultimamente não tenho nutrido qualquer sentimento pelos feedbacks que recebo, e não me preocupo em ser “aceito” — entendo que pertencer a um determinado grupo é apenas uma questão de afinidade: procuramos estar com aqueles com quem nos identificamos de alguma forma! Aprendi a selecionar os amigos não por não gostar de alguns deles, mas justamente por perceber que eu não preciso que eles me “adulem”. Tenho me importado com planejar minha vida e não seguir o famoso “deixa a vida me levar”. Isso tem me ajudado a ver como eu posso voar alto — e praticamente sozinho! Digo “praticamente sozinho” pois dependo apenas do que eu sinto por mim e pelas coisas que faço pra poder seguir adiante; já não dou tanta importância ao que os outros pensam e falam sobre mim.

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Ultimamente tenho sentido uma certa pena de pessoas que fazem de tudo pra ser aceitas. Vejo meu passado nessas pessoas, e fico imaginando a quantidade de cabeçadas que elas darão até aprender que o importante não é ser admirado e querido por todos, e sim ter objetivos pessoais e realizá-los. Isso é o que deve nos fazer felizes no fim das contas.

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