Paradigmas

Em outro post mencionei que eu havia começado a ler Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Stephen R. Covey. O primeiro capítulo fala sobre paradigmas (meu assunto preferido ultimamente!) e princípios e como eles regem nossa vida — e, principalmente, como a mudança de paradigmas é importante para nos fazer progredir. Uma passagem desse capítulo, porém me chamou a atenção e me fez ter vontade de compartilhar.

Basicamente o autor começa o livro com algumas frases que ouvimos com frequência por aí: umas relacionadas ao sucesso profissional, outras que dizem respeito a relacionamentos interpessoais e por aí vai. Em um momento do primeiro capítulo (sim, ainda estou no primeiro capítulo!) o autor expõe uma frase comum sobre casamento, em que um suposto cônjuge se queixa de que não existe mais qualquer sentimento pelo outro, mesmo depois de terem recorrido a terapia de casal e outras coisas. O autor alimenta o paradigma de que “o amor acabou” com afirmações do tipo “se eu buscar ajuda meu marido (ou minha esposa) vai me entender melhor”, ou “talvez seja inútil continuar tentando, talvez um novo amor seja a solução dos meus problemas”. Em seguida ele confronta o mesmo paradigma com as seguintes perguntas:

– Será que o problema é realmente meu(minha) parceiro(a)?
– Será que, a partir do momento em que eu promovo a fraqueza dele(a), não torno minha vida uma consequência da forma como eu o(a) trato?
– Haveria algum paradigma básico referente a ele(a), ao casamento, ao amor como deve ser, que possa alimentar o problema?

Por vezes achamos que a pessoa que amamos perdeu o interesse por nós. Por vezes pensamos que nós é que perdemos o interesse pela pessoa amada. O fato é que, ao querer resolver algo que nos incomoda (principalmente no que diz respeito às relações humanas em geral), nunca pensamos de forma objetiva, nunca pensamos que deveríamos romper certos paradigmas para encontrar uma solução. O caminho subjetivo, mais fácil, é apontar o outro como a causa de nossa frustração e infelicidade. E com isso perdemos a chance de conseguirmos a felicidade plena.

Quando li as três perguntas que o autor fez foi inevitável pensar em minha ex e em como ela me tratava desde que começamos a namorar, em como ela explorava minhas fraquezas pra conseguir o que queria. Eu tenho uma visão de relacionamento que sempre divergiu da dela — e, infelizmente, demorei muito pra me dar conta disso. Eu imagino o casamento como uma parceria; ela, como aquelas coisas que vemos em novelas, com o marido rastejando pela amada, demonstrando seu desejo e paixão diariamente com café na cama, milhares de beijos e noites tórridas (e algumas manhãs e tardes também) de sexo.

No entanto ela se esqueceu de que no mundo real as pessoas trabalham de verdade, e há uma série de obstáculos que, muitas vezes, nos impedem de sustentar determinada postura. É impossível querer manter exatamente o mesmo clima da época de namoro depois de anos de casamento! As coisas mudam, a necessidade de gerenciar nosso tempo pras tarefas diárias acaba interferindo diretamente em nossa visão sobre o relacionamento — e a situação se complica ainda mais quando se tem filhos. Isso é o que eu vejo nos casamentos das pessoas que conheço: há, sim, uma mudança (que eu, pessoalmente, gosto de chamar de “amadurecimento da relação”).

Nosso relacionamento chegou ao fim por ela não entender que sua visão de mundo é totalmente distorcida. Querer sentir-se desejada pro resto da vida só funciona na ficção; a realidade é diferente, e pra que a pessoa se sinta desejada é necessário dar algo em troca — ninguém gosta de uma pessoa gratuitamente! Ela precisa mudar esse paradigma (se já não tiver mudado), do contrário estará condenada a ter relacionamentos cada vez mais superficiais de agora em diante.

Ou talvez eu é quem precise romper certos paradigmas — o que, pensando de forma bastante objetiva, acho pouco provável. O modelo “casamento=parceria” me parece perfeito! De que outra forma um relacionamento se sustentaria por anos e anos?

• – • – •

Sempre que escrevo meu ponto de vista sobre o relacionamento que tive com minha ex penso na crônica A versão dos afogados, de Luis Fernando Verissimo, no livro homônimo de 1997. Nessa crônica Verissimo fala sobre a imprecisão que um único ponto de vista traz pra determinada discussão (no caso, ele divaga sobre como as pessoas acreditam que os golfinhos são animais inteligentíssimos e dóceis por já terem salvado vários náufragos mas ignoram que provavelmente uma parcela dos golfinhos deve ter brincado com outros náufragos, levando-os à morte).

Sinceramente eu gostaria, de alguma forma, que minha ex pudesse contribuir com o ponto de vista dela sobre toda a situação. No entanto o tempo tem tornado isso cada vez mais difícil, já que não mantenho nem mesmo o mínimo indispensável de interação com ela — ainda temos pendências relacionadas ao divórcio que precisamos resolver e simplesmente não tenho notícias dela há uns 3 meses no mínimo. Não que eu faça grande questão de entrar em contato com ela, mas me preocupa a possibilidade de não conseguir contactá-la quando finalmente pudermos solicitar nosso divórcio.

Enfim… quem sabe um dia ela entra em contato e expoe (de forma sincera e objetiva, como tem sido meus posts neste blog) sua visão sobre tudo o que aconteceu?

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2 Comentários em “Paradigmas”

  1. Robert Says:

    Cara, mulher não gosta de cara sentimental e bonzinho. Elas acham que gostam, mas por extinto, gostam do cafajeste que não dá idéia pra elas.

    • autoajudasentimental Says:

      Sim, mulher gosta de homem cafajeste e eu já aprendi isso. Há uma infinidade de textos (não só de autores brasileiros, diga-se de passagem) que chegam à mesma conclusão. Inclusive um dia desses eu li um artigo escrito por um americano (acho que era um psicólogo ou sociólogo) em que ele diz que na verdade em algum momento da história da humanidade a mulher achava que gostava do cara bonzinho. Por instinto o homem se adaptou à situação e passou a investir no seu lado sensível. Acontece que de repente as coisas mudaram: a mulher percebeu que na verdade o negócio é ficar com o cafajeste mesmo e pronto. E aí uma legião de caras bonzinhos se viu perdido, tendo que se adaptar à nova realidade.

      De qualquer forma não acredito que isso seja uma regra. De uma forma geral mulher deve realmente gostar dos cafajestes, mas há outras mulheres que valorizam muito os homens de boa índole e integridade moral. E talvez seja preconceito meu mas as pessoas acabam se unindo a seus semelhantes: mulher que gosta de homem cafajeste no fundo é cafajeste também.😉

      Obrigado pelo comentário.🙂


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