Um ano sem ela

Hoje faz um ano que ela saiu de casa. Não estou escrevendo este post pra lamentar a perda e sim pra refletir sobre como foi esse primeiro ano de “solteirice”. Prometo que vou evitar qualquer demonstração de rancor ou algo que o valha — até porque já deixei de alimentar qualquer sentimento negativo por ela e por toda a situação.

Às vezes penso que a separação foi como uma experiência de quase morte pra mim. É como se eu tivesse vivido dez anos em um (e fico me lembrando do slogan do governo Juscelino Kubitscheck, “50 anos em 5”): nunca saí, me diverti e fiz tanta coisa diferente na minha vida inteira! Realmente este ano vai ficar marcado como o ano em que eu renasci — por causa disso estou até pensando em tatuar uma fênix: pra simbolizar meu ressurgimento das cinzas do meu relacionamento finado.

Uma breve retrospectiva dos últimos 365 dias:

  • conheci pubs, danceterias e outros lugares que nunca nem imaginei que existiam;
  • optei por me permitir fazer coisas inusitadas — tipo sair com uma amiga às 2 da manhã pra comer cachorro-quente;
  • vendi meu apartamento e realizei o sonho de comprar um carro zero — estou me planejando pra comprar outro apartamento dentro de no máximo 5 anos;
  • aprendi a fazer planos para o futuro sem abrir mão de aproveitar o presente;
  • conheci novas cidades, viajei com meu pai pra Minhas Gerais pra visitarmos alguns parentes dele — foi uma ótima oportunidade pra conversarmos sobre assuntos que nunca havíamos falado antes;
  • beijei cinco mulheres diferentes (e agora sei exatamente que tipo de beijo me agrada mais) e conheci outras mulheres muito interessantes mas que não passaram da fronteira entre a amizade e o affair;
  • descobri que sexo é bom e amor é importante, mas não podemos esperar que apenas amor e sexo deem sentido à nossa vida;
  • tenho trabalhado de uma forma um pouco mais “leve”, sem a preocupação de fazer tudo correr com perfeição, de alcançar posições mais altas de forma rápida pra poder realizar alguns projetos de vida (decidi que alguns projetos precisam ficar on hold de vez em quando); o melhor de tudo é que eu tenho me sentido muito mais realizado profissionalmente, e todos que estão à minha volta perceberam que eu tenho produzido muito mais;
  • voltei a fazer musculação depois de mais de 7 anos sem qualquer atividade física; em pouco mais de 1 mês já tenho notado resultados excelentes, e tenho me sentido muito mais disposto — vale dizer também que a autoestima está muito bem, obrigado!

No geral posso dizer que estou muito feliz! É claro que ainda sinto vontade de ter alguém ao meu lado, de encontrar uma pessoa com quem eu possa viver uma história de amor que dure a vida inteira — mas enquanto isso não acontece eu vou curtindo a vida. Encontrar essa pessoa especial não é a minha principal preocupação no momento; o que me importa agora é buscar coisas que me façam bem, demonstrar diariamente o amor que sinto por mim mesmo.

• – • – •

Guardo pouquíssimas lembranças dela. Hoje em dia sinto como se ela nunca tivesse saído dos meus sonhos; não parece que eu vivi durante nove anos ao lado dela! Não sei se isso aconteceu por causa do tempo que passou ou se é um processo natural após uma separação traumática. Só sei que, ao meu ver, tem sido melhor assim.

Às vezes fico pensando se um dia poderíamos voltar a pelo menos sermos amigos. Acho difícil. Hoje em dia já não sei mais quem ela é, quais seus planos para o futuro, do que ela gosta. Em um ano ela conseguiu se tornar uma total desconhecida pra mim. Eu poderia até ter tentado manter contato mas não acho que esse era um papel que deveria caber única e exclusivamente a mim — na verdade a iniciativa deveria ter partido dela; ora, não fui eu quem pediu a separação! De qualquer forma creio que essa distância tenha me ajudado a superar a perda.

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8 Comentários em “Um ano sem ela”

  1. manuela Says:

    A melhor coisa desse mundo é morar sozinho, sem prestar contas pra ninguem, e sim, sair às 2h da manhã pra comer alguma coisa, ter a casa só pra vc e pra quem vc quiser que entre. Impagável. Moro assim faz quase 5 anos e às vezes penso como seria “largar essa vida”. Espero pagar minha lingua, mas por enquanto parece impossível pra mim huahhauahuha

    Eu brinco com minhas amigas que quando eu me casar, vou morar num duplex ou naquelas casas “duplas” q era mais faceis de encontrar um tempo atras hahah Dai ta tudo resolvido!

    • autoajudasentimental Says:

      Realmente! Nossa, não tem coisa melhor do que poder sair de casa e voltar à hora em que você quiser. Eu não me importava em “cumprir horários” quando estava casado — e, na verdade, eu tinha até uma certa liberdade, que eu fazia questão de dar pra ela também, com relação a horário (contanto que um avisasse o outro, não tinha problema chegar tardão). Acho que dá pra manter boa parte dessa liberdade quando você começa a morar com alguém; porém morar sozinho é muito mais legal mesmo, ehhehehe… pelo menos eu também tô achando…

      O curioso é que eu conheço um monte de gente (algumas mulheres, e algumas delas bem interessantes) que também pensam assim. Aí fica difícil de tentar desenvolver uma relação afetiva, né?😦 hauhauhauhua
      (Quer dizer… geralmente quando você começa um relacionamento você já fica pensando na possibilidade de casar. Ninguém inicia um relacionamento pensando que ele vai acabar na semana que vem! Pensando nisso, se uma pessoa tá curtindo ficar sozinha é muito provável que ela não queira namorar. Sei lá se isso faz sentido! hahahahha)

  2. Daniela Leal Says:

    Olá moço

    Realmente creio que vc encarou seu casamento da mesma maneira que encarei meu ex-namoro.. no qual a privação daquilo que antes era importante não parecia ter tanta importancia!

    Sucesso nessa retomada e pelo visto vc está fazendo bom uso de sua solteirice! =]

    • autoajudasentimental Says:

      Oi, Dani! Valeu pelo comentário!

      E é verdade: quando a gente entra num relacionamento a gente acaba se privando de certas coisas. Não acho que isso deveria acontecer! Por outro lado, depois que o relacionamento acaba é bem positivo ter a percepção de que isso aconteceu; já aumenta a possibilidade de não cometermos o mesmo erro no futuro!😉

      Quanto a eu estar aproveitando a minha solteirice… tô fazendo o possível! hahahahhaha


  3. Adoro seu blog sabia?Adoro ver como uma pessoa desabrocha com seu auto conhecimento e é muito bom poder ter a chance de debater esse tipo de assunto.
    Enfim, uma das coisas q me entristesse é que a grande maioria e acredito q tb me encaixo nisso , acredita que só passa a viver e descobrir o amor próprio quando fica solteiro, vejo muitas mulheres postando fotos no orkut/flog e etc saindo de balada com as amigas comemorando que AGORA ESTA VIVENDO pq está solteira novamente, no caso da mulher agindo com essa exposição só me vem a tradução na cabeça : – Olha aqui FDP tô bem melhor sem vc ou é isso que eu quero q vc acredite.
    Já vc não acho que seja isso pq me dei conta que se não fosse sua divulgação no twitter para relacionarmos o blog a pessoa isso seria um blog anônimo (damm it, deveria ter pensado nisso antes tb assim evitaria aborrecimentos futuros/presentes).
    E sim, vc era velho, sério, e eu tinha medo de vc, e lendo seu blog dá ate vontade de fazer parte do seu círculo de amizade, AMIZADE que fique bem claro hahahah, pq vc parece uma pessoa muito interessante agora de se conviver, não parece nada a pessoa que via na IBM todos os dias, tão apagada e centrada.
    Amo pessoas que sentem alegria em viver em se descobrir e descobrir a vida, nos ultimos anos me comprometi a faze isso por mim mesma mas confesso, é dificil , muito dificil fazer isso estando em um relacionamento sério sem parecer no mínimo egoista, meu namorado que o diga, tenho muita dó dele e não queria estar no lugar dele, ao mesmo tempo que sou muito grata de o amor dele ser tão grande a ponto de aturar minha sede de liberdade.
    E você um dia vai chegar a essa crise tb, quando não quiser perder toda essa emoção de ser livre, mas encontrar alguém que realmente acredite que vale a pena passar a vida inteira, ai sim seu blog vai passar a ser muito mais interessante pra mim e me ajudar a achar um meio termo saudável pq ta foda, mas se eu encontrar a resposta antes e um dia vc precisar eu divido a informação com vc ta? hahaha
    Continue com esse blog maravilhoso pq tenho certeza que vc vai ajudar muita gente, não exatamente a saber como sobreviver depois de uma separação (cara 9 anos? não sabia q tinha tanto tempo, haja saco!!!) mas sim como descobrir a o amor próprio do qual nunca deviamos perder!

    • autoajudasentimental Says:

      Nossa, Má! Ganhei o dia com seu comentário! Sério mesmo!
      Claro que eu escrevo pensando nas pessoas que leem o blog — até por isso é que eu me esforço pra trazer mensagens positivas (já tive um outro blog muito mais “amargo” que esse e acho que não foi uma experiência boa nem pra mim nem pra quem o lia).

      É engraçado esse lance de você só dar valor pra certas coisas, certas oportunidades de demonstrar o amor por si mesmo(a), quando passa por uma situação extrema. Eu acredito que todo mundo toma um “chacoalhão” da vida em algum momento e tem aquela epifania do tipo: “gente, eu não tô vivendo! não tô me amando!” A minha epifania aconteceu justamente depois da minha separação; foi aí que eu acordei e percebi que eu poderia estar fazendo muito mais por mim mesmo. Eu digo que foi uma experiência de “quase morte” pois imagino que uma pessoa que passe por um tratamento de saúde severo (por exemplo, alguém que tenha tido câncer ou um infarto) deva sentir o que eu senti — na verdade o que ouvimos é que essas pessoas passam a aproveitar muito mais a vida! Além disso (e eu até já escrevi num post mais antigo sobre isso) acho que o desgaste e a desilusão causados por essa separação me “mataram” de certa forma; hoje em dia sinto que nem mesmo o medo de morrer (que eu tinha desde que eu me entendo por gente) eu tenho mais, e acho que foi justamente porque eu perdi o que eu mais valorizava na vida e o que mais me fazia ter vontade de viver. Não que eu não tenha essa vontade hoje em dia, mas eu sei q no dia em que eu morrer isso vai ter acontecido simplesmente porque eu já passei por todas as experiências que eu deveria.
      (Pena que não dá pra escrever um blog no pós morte, né? Senão daria pra eu compartilhar essa experiência também! hahahahhaha)

      Quanto a ter liberdade em um relacionamento pra ter um tempo consigo(a) mesmo(a)… isso foi uma coisa pela qual eu sempre prezei. Sempre incentivei minha ex a manter relacionamentos com as amigas dela, sair de vez em quando pra fazer programas “de meninas”… talvez eu tenha errado a mão e dado liberdade demais pra ela, mas enfim… um dia a gente acha a medida certa!😉

      E poxa, fiquei preocupado com a impressão que eu passava pras pessoas no começo do time! hahahahahha
      Então quer dizer que eu era “velho, sério” e você tinha medo de mim… bom, talvez nesse ponto também eu tenha perdido boas oportunidades de cultivar amizades. Mas hoje eu vejo que até mesmo a minha postura profissional recebia algum reflexo da vida pessoal e do meu relacionamento. Hoje em dia eu não fico constrangido de falar sobre mim mesmo, de mostrar meu lado “humano” (até porque eu fiz questão de expor a minha condição, no momento em que minha ex me disse que queria se separar, pra todos meus amigos, colegas e superiores, pra que eles estivessem cientes de que qualquer atitude minha que pudesse ser mal interpretada poderia ter origem em toda a situação por que passei). Talvez por ter esse constrangimento de me expor no passado é que eu passasse a impressão de ser meio “apagadão”.

      Ufa, escrevi praticamente um post aqui! hahahahhaha

      Valeu pelo comentário, Má! Como sempre uma contribuição muito bacana!😀
      (E sim, se você descobrir o segredo de balancear a liberdade da solteirice com os compromissos de um relacionamento sem perder o controle eu vou querer que você me conte! hahahhaha)

      Beijo!

  4. nouniversoparalelo Says:

    JO-SÉ

    sabe… essa semana tb é meio crucial p/ mim em questões históricas…

    já se passaram 7 anos da jamantada que eu tomei da falecida e ainda tenho uns flashbacks (sem a Deborah Blando) daquele dia.

    me lembro como se fosse hj eu voltando da republica de uns amigos meus, estudando p/ uma prova que eu sabia q n ia dar em nada, uma sensação estranha de que eu devia voltar pro apto…

    cheguei na república q eu morava e a carta dela estava em cima da minha cama… li, chorei litruz (rs) e fiquei umas 3 horas pendurado na janela olhando o infinito, lendo, relendo… o pessoal q morava comigo me olhava achando q eu pularia da janela a qq hora rs…

    o que mais me chateia não é a questão da carta em si… hj eu sei q qdo eu recebi a carta ela já estava com outro (e está até hj, espero que sejam feliz, faço freelas com esse cara ainda por cima), mas sim o fato de que depois daquele dia e pelos 4 anos seguintes eu fui um morto…

    mas ainda acho q mesmo sendo um morto, o que eu sentia por aquela menina era maior q tudo…

    há vida depois do pé na bunda caro amigo… no meu caso veio outra tragédia em seguida ahahahahah mas é a vida… cada um colhe o que planta… eu provavelmente plantei algo bizarro rs…

    1 ano não é nada… sua liberdade vale mais do que todo o tempo que já passou🙂

    • autoajudasentimental Says:

      “Eu provavelmente plantei algo bizarro”? Ri muito com essa frase!😀

      O que mais me chateou foi justamente a falta de consideração pelos meus sentimentos por ela. Um dia ela ainda teve a pachorra de me dizer que eu superaria tudo isso; vindo de alguém de fora é um incentivo, mas vindo da pessoa que teve uma vida com você tem um tom de desdém, de “dane-se o que você sente”.

      O pior já passou. E concordo contigo: minha liberdade vale muito mais do que toda a experiência ruim que eu tive.


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