Perdas e ganhos

O que eu perdi com o fim do meu casamento? Sério, eu fico me questionando sobre isso. Uma das coisas que perdi, como já mencionei num outro post, foi a capacidade de confiar nas pessoas — afinal eu vinha sendo traído e descobri da pior forma possivel (ou melhor, nem descobri já que ela optou por sustentar uma mentira deslavada). Mas eu acredito que isso seja algo que pode ser recuperado facilmente. Aliás todo o sofrimento que eu tive (e por vezes, mais raramente agora, ainda tenho) vai cessar um dia.

A perda que eu tive foi apenas emocional. Ela abriu mão de todos os bens que conquistamos juntos — hoje vejo que foi por vergonha de admitir a traição. Ou seja, pelo menos no aspecto financeiro fiquei bem melhor que ela! Já é um ponto pra mim.

Ganho mais um ponto por ter recuperado minha autoestima. Meu relacionamento com ela me anulou de certa forma; agora posso ser eu mesmo, fazer tudo o que tenho vontade, quando e onde eu quiser. E não preciso me constranger a falar pras outras pessoas o que me incomoda — isso era algo que eu sempre evitava fazer com medo de ferir os sentimentos dela; hoje em dia prefiro correr o risco de ferir os sentimentos alheios a ter que aguentar aquilo que não me faz bem.

Redescobri o amor da minha família, fortaleci as amizades que eu já tinha e descobri que posso contar com quem eu menos esperava nas horas de aperto! Sou grato eternamente a várias pessoas pelo apoio que me deram quando eu mais precisei.

Desde que ela saiu de casa eu tento me lembrar de algo verdadeiramente bom que ela tenha feito por mim, algo que eu possa afirmar que representou uma grande perda. Infelizmente não consegui me lembrar de nada, nem mesmo um gesto de carinho mais expressivo que levar café na cama — isso ela fez algumas vezes, mas era o máximo da demonstração de afeto. Ou seja, ganhei em vários aspectos e, até onde pude perceber, não perdi nada.

O que ela perdeu? Vejamos:

– A segurança de um lar decente. Lembro-me de uma das últimas vezes em que nos encontramos e ela comentou que havia entrado um rato no quarto-e-cozinha em que ela estava morando. Ela me largou para viver junto com os ratos! Nem vou comentar o forte simbolismo que esta afirmação contém; prefiro mencionar que nunca entrou sequer uma barata no apartamento em que morávamos — pelo menos não enquanto ainda estávamos juntos (nos últimos dias em que eu morei naquele apartamento entrou uma barata mas eu tratei de matá-la logo).
– O amparo e o carinho de alguém que a amava verdadeiramente. Duvido que o cara com quem ela optou ficar tem condições de dar metade do que eu ofereci a ela. Na verdade eu duvido até que eles ainda estejam juntos. O impacto emocional que eu tive vai passar um dia; será que um dia ela se perdoará por ter feito tudo isso a ela mesma?
– Uma família que a acolheu de verdade. Meus pais ficaram desolados quando souberam que eu estava me separando; ficaram mais chocados ainda quando descobriram que era contra a minha vontade. Meu pai nunca falou comigo sobre isso, mas minha mãe me disse que ele se sentiu traído — talvez até mais do que eu. Meus sobrinhos, minhas irmãs, meus primos… todos relutaram a acreditar no que aconteceu, pois todos gostavam verdadeiramente dela.
– A confiança não só minha como dos próprios parentes. Não querendo me gabar mas minha ex-sogra também me considerava um filho pra ela, e o sentimento era recíproco. Minha ex nunca admitiu isso mas eu aposto que a relação entre ela e a mãe ficou abalada — mais ainda se ela tiver tido a decência de não mentir pra própria mãe.
– A chance de obter um crescimento profissional mais rapidamente. Também duvido que alguém dê a ela todo o suporte que eu dei nesse aspecto.
– O melhor amigo que ela poderia ter. Acima de tudo eu tinha uma relação de amizade com ela: procurava animá-la quando ela estava triste, conversava bastante com ela, ajudava-a a crescer como pessoa. Ela perdeu tudo isso e, pelo que eu vejo dos amigos que ela tinha, está fadada a ter amizades muito mais superficiais que a minha.

Dizem ser de Frank Sinatra a frase he who dies with the most toys wins. Não gostaria de ver o fim do meu relacionamento como um jogo, com um lado perdedor e um vencedor; porém pensar que saí em vantagem é algo que me conforta. Eu realmente não queria que ela sofresse qualquer derrota, mas infelizmente não fui eu quem escolheu esse caminho que ela está seguindo!

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6 Comentários em “Perdas e ganhos”

  1. nouniversoparalelo Says:

    Zé, vc tem que explicar melhor o tipo de barata que vc matou pq ela ressurgiu, desapareceu, apareceu de novo, enfim… ainda acho que ela está lá uahauhauhuhaauh

    ou foi algum despacho feito pela ex p/ vc n ter sossego no aconchego do lar :p

    • autoajudasentimental Says:

      HAHHAHAHAHHAH nem me lembrava dessa história!

      Acho q eu já entendi o q aconteceu: da primeira vez q eu acertei a barata ela não morreu. Aí ela deve ter ficado meio c/ medo de sair do lugar por causa do susto q eu dei nela, e só foi sair de lá uns 2 ou 3 dias depois, qdo eu consegui matá-la enfim. Deve ter sido isso.

      Mas não dá pra afastar totalmente a possibilidade de a barata ter ressuscitado da primeira vez q eu a matei, eu acho.😛

  2. s2 kiara s2 Says:

    tão importante quanto você sair fortalecido dessa relação, que ela aprenda com os erros dela e evite cometê-los com o próximo companheiro.

    besos🙂

    • autoajudasentimental Says:

      Concordo contigo, mas isso já é algo q está fora do meu alcance. O q eu pude fazer pra ajudá-la a não sofrer eu fiz; foi ela quem escolheu a vida q leva agora.
      Valeu mais uma vez pelo comentário! Aliás seus comentários sempre são bem-vindos!😀

      Bjos

  3. Estela Says:

    Oi Zé
    Conheci seu blog hoje, através do DdS. Comecei ler desde o primeiro post e… incrível como temos passagens muito parecidas. Inclusive no que diz respeito como superamos a separação.
    Comigo aconteceu o mesmo que a você. Fui traída, blablablá, depressão, enfim… Tudo…
    Incrível como também a reação de minha família e amigos foi igual à sua.
    A única diferença é que tenho um filho que me ajudou demais no processo de superação.
    Parabens… ja te pus nos favoritos!
    Beijo

    • autoajudasentimental Says:

      Valeu, Estela! Fico feliz em saber que você também superou, e que havia pessoas à sua volta pra te ajudar no processo.
      No começo a gente acha que as pessoas que nos traem nos fizeram um grande mal… mas hoje eu vejo que elas nos dão a oportunidade de colocar pessoas muito melhores em nossas vidas! Espero que você também esteja percebendo isso…🙂
      Beijo!


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