Sinto falta…

Às vezes me pego pensando nela, mas não com saudade; ao contrário, tenho tido dificuldade de me lembrar dos bons momentos que passamos juntos — e, pelo menos na minha opinião, não foram poucos! Fico pensando em como ela deve estar, se já se deu conta da sucessão de besteiras que fez, se sofre como eu sofri, se tem se sentido insegura com a perspectiva de qualquer novo relacionamento assim como eu me sinto. Tenho uma certa curiosidade em saber se ela sente falta de mim e de tudo o que representei para ela. Não querendo me gabar, mas eu acredito que sim!

Foi pensando nisso que comecei a listar coisas que ela fazia e das quais não sinto a mínima falta e outras das quais sinto uma falta absurda por estar sozinho. Aqui vale um esclarecimento: eu realmente não sinto falta dela, mas sim de coisas que ela fazia — e que, descobri depois, outras sabem fazer muito melhor. Eis aqui as listas…

Coisas sobre ela que não me fazem a mínima falta:
1- O clima de “nossa casa está em festa” toda vez que ela terminava de tomar banho. Era como um ritual: primeiro ela saía do banheiro e ia pro nosso quarto para vestir uma roupa — e deixava a luz do banheiro acesa. Depois ela ia para a lavanderia estender a toalha — e acendia as luzes da cozinha e da lavanderia no processo (contem comigo: 4 lâmpadas acesas sem necessidade). Aí ela ia para o outro quarto secar o cabelo — e deixava cinco lâmpadas acesas! Eu tenho milhares de argumentos contra essa atitude, mas vou ficar com o mais politicamente correto: no tempo em que vivemos desperdiçar energia é um desrespeito à natureza!
2- Música sertaneja. Não que eu não goste (na verdade ela até me ensinou a gostar), porém não sinto falta alguma. Pior que isso era ter que mudar a estação do rádio toda vez que ela entrava no carro para poder ouvir músicas que agradavam mais a ela. Isso era algo que eu fazia na maior boa vontade, e num dia em que eu estava mais de saco cheio cheguei a discutir com ela porque não pude ouvir uma música que eu adoro — um sacrifício que eu geralmente fazia apenas para agradá-la. Agora quem manda no rádio do meu carro sou eu, e acho isso ótimo!
3- A falta de respeito de uma forma geral. O caso do rádio é um exemplo, mas havia outras coisas que eu achava um absurdo mas acabava deixando passar — em partes por amor a ela e em partes para não gerar discussão. Uma das coisas que mais me incomodavam era quando ela criticava minha religião (sou católico, apesar de não praticante); nos momentos de “inspiração” ela questionava o porquê da existência dos santos, o hábito que alguns católicos têm de fazer o sinal da cruz ao passar em frente a igrejas, entre outras coisas. Eu sempre falava, da maneira mais diplomática possível, que cada pessoa é livre pra seguir a religião que quiser e ter os hábitos que desejar; se eu me pusesse a falar sobre a igreja evangélica eu também encontraria alguns hábitos que, a meu ver, são estranhos — mas eu sempre achei que não valia a pena irritar alguém por causa disso.
4- O péssimo hábito de enfiar uma coisa na cabeça e ficar tentando me convencer a fazer, em alguns casos até brigando. Por ela teríamos tido nosso primeiro filho no primeiro ano de casamento, em que o dinheiro mal dava para duas pessoas, que dirá para um terceiro membro da família. Eu tentava contornar a situação de uma forma pacífica, até o dia em que fui obrigado a falar de uma forma mais exaltada que ainda não era a hora de termos filhos. O curioso é que o sonho da vida dela era ter um filho comigo, e estávamos planejando tê-lo no começo do ano que vem — mas parece que os sonhos de uma vida também mudam, não é verdade? Todos me dizem que foi melhor assim e eu concordo; teria sido muito ruim para a criança sofrer junto conosco o processo de separação — e eu ainda teria dúvidas sobre a paternidade. E isso me leva ao próximo item…
5- Ter filhos com ela. Eu sempre achei que ela era uma pessoa egoísta; a comprovação disso veio há quase 1 ano, quando ela preferiu seguir o coração dela a resolver o que ela acreditava estar errado em nosso relacionamento. Em partes preferi esperar um pouco pra ter filhos com ela justamente pelo medo de sobrar pra mim todos os cuidados com as crianças — como sobraram para outras pessoas todos os cuidados com os bichinhos de estimação que ela quis ter (eu sei que não dá pra comparar uma criança com um animal de estimação mas, acreditem em mim, dá pra ter uma boa base! Se não fosse assim Marley & Eu não seria um sucesso de vendas — e o livro/filme conta justamente a história de um casal que decide comprar um cachorro para se preparar para a paternidade!)

Coisas das quais sinto falta (simplesmente por estar sozinho, não tendo relação alguma com ela):
1- Dormir abraçadinho. Pode parecer que eu estou falando isso apenas para parecer o “cara romântico, frágil e sentimental que foi abandonado”, mas não é verdade. Eu realmente adorava dormir abraçadinho, sentindo o cheiro de xampu nos cabelos dela.  E sei que não é ela que me faz falta nesse aspecto pois depois da separação já passei pela experiência de dormir (no sentido literal e no figurado) abraçado a outras mulheres; não é a pessoa, e sim a sensação de ter alguém nos meus braços, que me faz falta.
2- Sexo. Sim, sou obrigado a admitir que sexo faz falta, sim. Eu tenho me dedicado ao meu trabalho e a diversas atividades para tentar esquecer o fato de que não tenho alguém para dividir momentos de prazer. Claro que conseguir alguém para transar é relativamente fácil, no entanto eu já descobri que sexo casual não é igual a sexo feito com sentimento — assim sendo quero me apaixonar por alguém pra poder ter novamente esses momentos de intimidade. Novamente, eu sei que não é ela que me faz falta nesse ponto pois tive a oportunidade de descobrir outras perspectivas sobre o tema — e tive a sorte de conhecer mulheres com bem menos pudores que ela; essas mulheres me mostraram como a coisa pode ser muito mais prazerosa do que eu poderia imaginar!
3- Ter alguém pra conversar, contar como foi meu dia. Ter uma voz para ouvir quando estou em casa. Para isso estou contando com amigos, reais e virtuais. E com a televisão! Não é ela que me faz falta pois quando estou com a TV ligada é como se alguém estivesse na casa — e aí não me sinto mais sozinho.
4- Ter filhos. Sei que ainda terei tempo para ter filhos com uma mulher bacana que saberá cuidar deles, mas tenho sentido uma vontade enorme e gostaria que isso acontecesse o quanto antes. Contudo saberei esperar o momento certo, como até hoje eu soube.

• – • – •

Um dia desses eu estava ouvindo Faroeste Caboclo, da Legião Urbana, e acabei prestando atenção em um verso em especial, em que ele fala que Jeremias “dizia que era crente mas não sabia rezar”. Não quero iniciar uma discussão sobre religião aqui, mas acho curioso que, conforme mencionado acima, ela se dizia evangélica (que, geralmente, são os que querem dar o exemplo de boa conduta para o mundo) e acabou com nosso casamento ao cometer dois pecados: cobiçar o namorado de outra e praticar o adultério. Pior ainda: mentiu (mal, pois não era necessário ter grandes poderes de analisar o comportamento humano para perceber a reação dela quando eu fazia perguntas como “você já saía com ele enquanto estávamos casados?”) e ainda sustenta a mentira. Mas tudo bem, minha querida, Deus há de perdoá-la!

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9 Comentários em “Sinto falta…”

  1. marina Says:

    meu namorado tb adora sertanejo e eu não suporto, tb não curto as musicas q ele ouve no carro e ele nao muda para agradar, é um saco mesmo, as vezes insuportável. tenho vontade de andar com fone de ouvido, as vezes é foda aguentar as manias alheias, mas relacionamento é isso né fazer o q…
    Uns são mais maduros q os outros, sabem ceder mais q os outros, ela vai dar as cabeçadas dela por ai e vai aprender da pior forma mais um dia vai aprender, enquanto isso vai achar que o problema era a pessoa q estava e não ela e depois notar as oportunidades q perdeu de viver com uma pessoa q a respeitava.

    • autoajudasentimental Says:

      Concordo c/ vc, Má… ela vai aprender da pior forma, e isso às vezes me aborrece… ela não precisaria passar por isso se tivesse sido um pouquinho mais madura e enfrentado o problema em vez de fugir dele… mas não posso fazer nada a não ser viver minha vida e ser feliz, ehehhehe
      Quanto às manias e diferenças… tb concordo q temos q tolerar certas coisas, porém se o respeito for recíproco… eu mudei muita coisa em mim por causa dela e não tive a mesma postura em troca… eu falei mais de uma vez q essas coisas me incomodavam e ela simplesmente falava q era o jeito dela… bem, ela q seja desse jeito c/ outra pessoa agora, né? hahahahaha

  2. Talita Says:

    Zé,

    Acabei de ler todo o blog, achei muito bom! Muito maduro da sua parte esse post, admitir tudo que você admitiu é ótimo. Imagino que não seja fácil realmente, mas como vc disse em um post anterior, é importante se ocupar com outras coisas e se amar. Esse blog é prova viva disso! Meus parabéns, vc escreve de uma maneira que cativa, é gostoso ler, até pra mim que não passo por isso🙂

    Boa sorte!

    Beijos

  3. reginaaguiar Says:

    Zé,

    Que meigo, dá vontade de te por no colo prá ninar (rsrss)…
    A vida é assim, parece que quando mais estamos focados, quanto mais investimos, maiores são nossas decepções na vida a dois….
    Uma coisa legal é fazer o que você fez: listar – “as coisas que eu menos gosto” e “as coisas que mais gosto” numa pessoa – e, a partir daí, visualisá-las nas possibilidades que aparecerem…. Porém, já te deixo uma lição que aprendi: sempre, sempre mesmo, você terá que conviver com os “menos e mais”, ai cabe por na balança….
    Acho que um relacionamento (amor) duradouro é reflexo de ‘apesares’, tipo: apesar de você deixar as luzes acesas, seu cheiro é delicioso; ou, apesar de você gostar de música sertaneja, você é meu número na cama, e assim vai….

    ;*
    reginaaguiar

    by the way:
    lindo blog…

    • autoajudasentimental Says:

      hahhahahhah valeu, Regina!😀

      Tb acho q a vida a 2 é feita de “apesares”… mas eu realmente acredito q tem q ser recíproco! Não tem como apenas uma parte ceder… no meu caso o q mais me aborrece é ter me dedicado tanto pra ter acontecido o q aconteceu :-\ tipo, se eu não tivesse sido legal e apenas respirado fundo na maioria das vezes em q ela fazia coisas q me irritavam talvez eu não tivesse ficado tão desapontado c/ ela… eu sempre tive a certeza de q ela não tinha o mínimo respeito por ela; talvez se eu a tivesse respeitado menos eu teria compreendido melhor a decisão dela — ou no mínimo teria me divertido muito mais! hahahahhaha

      Valeu mesmo pelos elogios… e volte sempre!😉

      bjos

  4. Denise Says:

    Estou terminando o meu feriado de bobeira, pesquisando na internet quando me deparei com este texto: do que sinto falta.
    Li com avidez e me enxerguei nele; apesar que, no meu caso, não ter como saber como a outra pessoa está se sentindo, me vi nessas palavras, vi toda a carência que toma conta da minha alma, em especial, a falta de uma pessoa para conversar, compartilhar minha dúvidas e/ou incertezas.
    Como se a alma precisasse com urgência de um complemento, um eco, uma parte perdida.
    Você, ao escrever, colocou no papel o sentimento de muitas pessoas que se sentem solidão.
    Mas tenha fé, pois eu tenho que ainda vou encontrar uma pessoa que possa preencher esse vazio, que tanto dói e machuca. Um abraço e, lembre-se, você não está sozinho.

    • autoajudasentimental Says:

      Valeu, Denise! Tenho certeza de que outras pessoas passam por situações parecidas. O importante é não se deixar abater e ir vivendo enquanto não encontramos “aquela” pessoa especial!😉

  5. Anonimo Says:

    95 % do que tem nesse texto se não fossem suas, faria minhas palavras.


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