Desapego (ou das pessoas que saem de nossas vidas)

Publicado 11/01/2017 por autoajudasentimental
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Às vezes, num daqueles momentos em que o cérebro decide desenterrar alguns defuntos, me pego pensando em algumas pessoas que não fazem mais parte do meu caminho. Não estou falando da ex, mas de pessoas que considerei como minhas amigas um dia.

Parece que estar em outro país, a milhares de quilômetros de sua “casa”, te leva a pensar em todas as pessoas que você já conheceu, talvez porque você saiba que, dificilmente, você verá algumas delas novamente — a não ser que a vida dê uma de Glória Perez e as coloque no mesmo ônibus que você um dia.

Talvez seja porque você fica com aquela sensação de que, se você já não vai conseguir manter o mesmo grau de proximidade com seus amigos e familiares, que você via com mais frequência, fica impossível imaginar qualquer situação em que você entrará em contato com um conhecido distante. E aí você decide fixar seu pensamento, justamente, no conhecido distante! Tudo bem que é uma fixação passageira mas, ainda assim, tem sido um pouco frequente pra mim.

Em alguns momentos lembro de pessoas que saíram da minha vida de forma, digamos, traumática. E aí a coisa fica divertida, porque parece que o meu cérebro me leva a pensar em coisas do tipo “quais são as possibilidades de essa pessoa me encontrar na rua amanhã?”

E, justamente por isso, tenho me lembrado cada vez menos dessas pessoas. Porque sei que as chances de eu esbarrar com elas em São Paulo já eram pequenas; agora, literalmente do outro lado do mundo, é praticamente impossível que isso aconteça!

Mas, novamente, nunca se sabe quem vai escrever os próximos capítulos de nossas vidas, não é?

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Viver longe de todas as pessoas que você conhece te ensina a desapegar das pessoas que fazem falta (porque o convívio será restrito, por motivos óbvios) e, principalmente, das pessoas que não fazem falta. Isso é ótimo, pois você tem mais espaço na sua cabeça pras coisas que realmente importam!

Retrospectiva 2016

Publicado 07/01/2017 por autoajudasentimental
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Pois é, aqui vai mais uma retrospectiva. 2016 foi, pra mim, um ano acima da média! 

O que teve de bom em 2016:

  • Participei de dois projetos incríveis na empresa onde eu trabalhei até setembro, e senti que minha experiência profissional deu um salto enorme! 
  • Mudei de país. Ainda em caráter temporário, mas quem sabe não se torna algo definitivo? Só o tempo dirá. 

O que poderia ter sido melhor? 

  • Em alguns momentos, acabei me deixando levar por sentimentos negativos, principalmente durante os primeiros meses depois da mudança. Eu poderia ter procurado focar no lado positivo das coisas e confiar que tudo vai dar certo no fim…
  • Tive atritos desnecessários com algumas pessoas, mas percebi que o grande problema foi eu não ter procurado entender que o comportamento do outro, às vezes, pode ser influenciado pela cultura sob a qual ele se sujeitou durante boa parte de sua vida e que, no fim das contas, é algo complicado de mudar. 

Lições aprendidas:

  • Precisamos vencer nosso medo e nos forçar pra fora da zona de conforto. Sempre!

Um Feliz 2017 pra todos nós!

Meias experiências

Publicado 08/11/2016 por autoajudasentimental
Categorias: Aleatórios, Grandes Lições, Pensamentos

Passei o carnaval deste ano em Curitiba por causa do trabalho, e minha esposa acabou indo pra lá, pra podemos aproveitar o fim de semana juntos. Na segunda-feira estávamos jantando no restaurante do hotel e notamos um casal de franceses na mesa ao lado. Começamos a divagar sobre o porquê de alguém decidir ir pra Curitiba no carnaval (claro, sem ser a trabalho), sendo que o carnaval de lá é bem mais tranquilo do que o de outras capitais.

Em algum momento falei, brincando, que eles deviam estar com medo de cair no carnaval hardcore, e que era o mesmo que ir a um show de rock e ficar no camarote por medo de cair num mosh pit.

E aí fiquei pensando nas “meias experiências”.

Às vezes não conseguimos aproveitar totalmente uma experiência por medo do desconhecido, ou por algum outro bloqueio. Não conseguimos mergulhar de cabeça em algo sem antes encostar o dedão do pé pra testar a temperatura — e, ainda assim, depois de testá-lá, chegamos à conclusão de que o melhor, mesmo, é ficar na borda da piscina.

Não me considero apto a criticar o casal, caso eles realmente tenham escolhido viver a meia experiência do carnaval; eu mesmo tenho minhas meias experiências — por exemplo, evito ao máximo as montanhas-russas de parques de diversões, e também prefiro ficar longe da bagunça dos shows de rock. Não consigo me jogar totalmente na culinária de uma localidade que estou visitando sem saber muito bem quais ingredientes são utilizados (a não ser quando vou com a cara do prato assim que vejo uma foto, o que às vezes me causa um certo arrependimento — um dia eu tenho que contar as histórias de alguns pratos super apimentados que já experimentei!) e, às vezes, troco a possibilidade de conhecer um ponto turístico pelo conforto de um quarto de hotel.

Em compensação, tenho curiosidade por locais que saiam do roteiro turístico. Isso foi algo que aprendi com minha esposa, pois ela também tem esse interesse. Graças a ela, descobri como é divertido encontrar aquele restaurante incrustado no meio de um bairro chinês, ou descobrir uma praia praticamente livre de turistas!

Ainda assim, sei que é difícil ficar livre do conforto de uma meia experiência. O que fazer, então?

O negócio é procurar dar mais ouvidos ao seu impulso do que à sua consciência. Sabe aquela voz interior que te diz, às vezes, pra você “apertar a tecla F”? Então… é o seu impulso te dando a oportunidade de escolher ter uma experiência completa, sem medo de ser feliz! Dê uma chance à sua voz interior de vez em quando, e você terá, no mínimo, várias histórias interessantes pra contar.

Universo

Publicado 08/11/2016 por autoajudasentimental
Categorias: Aleatórios, Pensamentos

Já falei que eu não acredito mais em Deus, né?

Pra não ser tão radical, digamos que eu preferi ficar “em cima do muro”: não creio nem”descreio” totalmente mas, por via das dúvidas, estabeleci que não vou mais dar trabalho pra ele pedindo ajuda. E não vou me preocupar com a possibilidade de ser julgado e ir pro inferno. Até porque, dizem, as pessoas que vão pro inferno por serem ateias são muito mais legais dos que as que vão pro céu…

Estabeleci, também, que o que as pessoas chamam de Deus, vou passar a chamar de Universo. Pode até ser outro nome pra mesma coisa, mas pelo menos ninguém imagina o Universo como um senhor de barba branca, o que tira um pouco essa necessidade de personificar uma força da natureza.

O fato é que, crendo ou não, o Universo parece querer me mostrar certas coisas às vezes.

Sabe quando você se mete numa roubada sem tamanho e não sabe como sair? Já passei por algumas situações assim (uma delas foi bem recente, por sinal; contarei mais abaixo) e, de repente, aparece uma solução do nada, aos 45 minutos do segundo tempo!

Sem falar nas vezes em que eu desejei algo com todas as minhas forças e acabei conseguindo! Aconteceu com meus dois últimos empregos, e aconteceu com o processo de aquisição do visto para eu poder mudar de país: chegou um momento em que a coisa ficou meio “enroscada” e, de repente, tudo se resolveu.

A história mais recente foi um pequeno pesadelo pelo qual passamos…

Alugarmos um apartamento, depois de quase dois meses de procura e algumas negativas (o processo de aluguel por aqui é meio chato). Bastou colocarmos os pés no apartamento pra descobrir que ele estava infestado de percevejos! Nós já sabíamos que esse é um problema comum em alguns países do hemisfério norte, mas nunca pensamos que pudesse ser tão assustador! Passamos dois dias praticamente sem dormir, num clima digno de Resident Evil ou The Walking Dead… e estávamos fadados a ter que passar outras noites mal dormidas por lá, já que seria impossível alugar outro apartamento tão rápido. E os percevejos eram só um dos vários problemas do apartamento e do prédio como um todo…

O desespero de não saber o que fazer (e de não saber pra quem pedir ajuda) foi tão grande que minha esposa e eu decidimos sair de casa no meio da noite pra dar uma volta, pra tentar pensar numa solução. Até que minha esposa teve a ideia de entrar em contato com o dono da casa onde tínhamos ficado, via Airbnb, antes de irmos pro apartamento. Ele nos acolheu de volta no dia seguinte, e nós conseguimos rescindir o contrato de aluguel. Foi o que nos salvou!
É claro que, nesse caso, foi tudo uma questão de esfriar a cabeça pra poder chegar numa solução, mas e se foi o Universo nos dizendo pra não ir morar naquele lugar? Quem garante que não foi?

Por via das dúvidas, agradeço ao Universo pela ajuda.

Amando um novo país

Publicado 05/11/2016 por autoajudasentimental
Categorias: Uncategorized

Viver em outro país é como se apaixonar por aquela mulher que te esnoba e abusa de sua bondade.

Seu novo país vai te forçar a morar longe — e trabalhar mais longe ainda. Vai te colocar em situações nas quais você nunca se imaginou. Vai te mostrar diferentes estados de espírito, e vai te mostrar que ele pode ser extremamente quente ou frio com você.

Pra provar seu amor, você vai gastar rios de dinheiro em coisas que você nunca pensou que seriam necessárias — e, em alguns casos, em coisas que você já tinha mas, sabe como é, ele quer que você compre aquela em especial.

Você vai pensar na possibilidade de conseguir um segundo emprego pra satisfazer os caprichos de seu novo país. Você vai passar fome, tentando economizar ao máximo pra poder manter seu relacionamento. Você vai tentar aprender um pouco mais sobre seu novo país pra tentar estabelecer uma conexão, pra tentar fazer com que ele veja uma conexão.

Você vai fazer de tudo e, às vezes, vai ter a impressão de que não é o bastante.

Caberá a você decidir se vale a pena insistir ou não.

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Uma coisa que eu tenho feito pra aprender a amar este novo país (não que precise de muito pra amá-lo, mas uma ajudinha extra é sempre bem vinda) é tirar fotos de algumas paisagens que vejo diariamente e postar no Instagram. A cidade é linda e, agora que estamos no outono, as árvores ficam com um colorido incrível! Realmente não é necessário muito esforço pra amar esse lugar…

Mudei

Publicado 30/09/2016 por autoajudasentimental
Categorias: Pensamentos

Pois é, mudei. Faz apenas 20 dias, mas parece que já faz muito mais.

Mudei pra outro país. Foi algo planejado mas, ao mesmo tempo, foi meio no susto: minha esposa e eu vínhamos conversando sobre essa possibilidade há algum tempo, mas tivemos que adiar por vários motivos. E, quando finalmente iniciamos o processo de confecção do visto, tudo aconteceu muito rápido e, quando vimos, já estávamos no avião!

Não tive tempo pra me despedir de todo mundo. Na verdade sinto que faltaram mais despedidas, ainda que elas tenham ocorrido. Talvez eu quisesse me despedir mais vezes da minha família e dos meus amigos, mas as despedidas nunca seriam suficientes. Eu sempre sentiria a necessidade de mais uma “saideira”…

Uma amiga nossa, que já morou em outros países, disse que mudar de país é, um pouco, como morrer: você não estará mais disponível, com tanta frequência, para aqueles que se importam com você. Claro que a tecnologia ajuda, e muito, a diminuir as distâncias, mas sempre vai faltar o contato físico. Ainda não senti uma falta tão grande assim desse contato, mas pode ser que eu sinta em algum momento.

Mas toda mudança tem um aspecto positivo! Nossa mudança trouxe alguns momentos divertidos e, até pouco tempo atrás, inimagináveis:

  • Meus pais (e meus sogros) aprenderam a mexer no Skype e no Whatsapp, tudo pra conseguirmos conversar mais facilmente;
  • Nossos pais e alguns parentes mais próximos estão animadíssimos com a possibilidade de virem nos visitar em breve. No caso dos meus pais, é a chance de eles conhecerem outro país (eles já foram pro Paraguai, mas não sei se conta);
  • Essa mudança abriu para os meus pais a possibilidade de ir morar no nosso apartamento e, assim, se livrar de um aluguel que eles pagam há vários e vários anos.

Sobre esse último item… isso não seria possível sem o consentimento da minha esposa, e eu duvido que qualquer outra pessoa faria isso por mim e por eles. Sou muito grato a ela por isso!

Essa mudança é temporária, mas há chances de se tornar definitiva. Só precisamos nos adaptar a, basicamente, tudo!

Principalmente ao frio, já que mudamos pra um lugar onde cai bastante neve no inverno…

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A vantagem de ter passado por todas as mudanças que aconteceram em minha vida é que eu aprendi a ver o novo como uma oportunidade. Claro que o medo de sair da zona de conforto sempre existe, e é muito difícil abrir mão de algumas coisas. Mas minha vida me mostrou que, sempre que eu precisei abrir mão de algo, foi pra abrir espaço a algo melhor. Então, agora, é só uma questão de tempo até que esse “algo melhor” venha!

Choro

Publicado 11/07/2016 por autoajudasentimental
Categorias: Grandes Lições, Intimidades, Pensamentos

Fui uma criança chorona.

Praticamente qualquer coisa me fazia chorar; teve uma vez, por exemplo, em que eu chorei porque meu tio tinha demorado pra chegar em casa para o réveillon. Outra vez chorei por causa de um filme bobo e me vi obrigado a inventar uma desculpa pra ninguém rir do motivo — a sorte é que eu estava na pré-adolescência e isso acabou pesando a meu favor…

Com o tempo, passei a chorar menos. E agora, pensando nas pouquíssimas vezes em que eu chorei depois de adulto, percebo que o sentimento que leva ao choro é algo muito importante, principalmente quando esse choro é causado por outras pessoas.

(Antes de eu continuar com o post, preciso fazer uma distinção entre o choro “de verdade” — aquele em que você soluça e faz careta — do choro “de filme”, geralmente desencadeado depois de um filme emocionante — que compreende apenas aquela lágrima que escorre dos olhos, sem soluço nem careta. Estou falando, obviamente, do primeiro.)

Consigo contar nos dedos as vezes em que chorei depois de adulto e, consequentemente, lembro-me exatamente dos motivos. Mais recentemente, chorei quando tive “a conversa” com minha ex e, depois disso, chorei duas outras vezes; das duas vezes foi por causa da minha esposa. Mas não foi por ódio ou por tristeza: foi por ter ficado comovido com seu gesto de bondade em uma situação em que ela poderia, simplesmente, escolher não se envolver.

E aí eu comecei a pensar que isso nunca aconteceu durante meu primeiro casamento… chorei poucas vezes quando estava com minha ex, mas todas as vezes foram por raiva, tristeza ou qualquer outro sentimento ruim.

Antes eu me aborrecia quando pensava nas experiências ruins do meu primeiro casamento. Agora, principalmente por causa de todas as coisas boas vividas com minha esposa, só tenho a agradecer à minha ex por ter me dado a oportunidade de descobrir a real felicidade!

(Ah, teve uma vez em que um filme, “Invasões Bárbaras” , me fez chorar de verdade. E eu quase chorei de verdade com “Peixe Grande” também. E, das duas vezes, me perguntei se a idade tem me deixado com o coração mais mole…)