Felicidade e sucesso versus carência

Posted 13/12/2009 by autoajudasentimental
Categories: Grandes Lições

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Recapitulando: fui traído, ela nega até a morte… mas isso não faz a mínima diferença pra mim hoje em dia. Estou aprendendo a encarar esse fato de uma forma positiva.

Sempre temos a opção de escolher como certas coisas nos afetam. Eu poderia ficar me lamentando sobre como a vida é injusta — e na verdade até fiz isso durante um tempo, mas creio que faça parte do processo de separação após um relacionamento longo. Mas hoje vejo que a melhor atitude é aprender com os erros cometidos, entender quais são minhas prioridades e objetivos para o futuro e, através de uma atitude livre de mágoas ou rancor, buscar esses objetivos.

Li um texto em outro blog, o Reflexões Masculinas, que reforça tudo o que estou vivendo atualmente. O título, Solteiro e feliz aos 35, já diz muito: é possível, sim, viver bem sem ter uma pessoa ao seu lado! O mais importante é buscar eliminar a carência afetiva totalmente de nossas vidas, pois é ela quem nos leva a fazer as piores escolhas. Aliás qualquer tipo de carência ou dependência nos torna limitados; quando atingimos nossa independência física, emocional e intelectual é que descobrimos como somos poderosos!

Na verdade viver em função exclusivamente de sentimentos é um grande erro. Quando vemos a vida de forma racional, quando entendemos nossa realidade em vez de apenas ter sentimentos sobre ela, conseguimos atingir um nível de maturidade que nos ajuda a ter controle pleno sobre nosso destino e sobre como a realidade nos afeta. É exatamente isso o que tenho buscado hoje em dia: não basear minha vida nos sentimentos, mas sim em entender o porquê de certas coisas acontecerem e como posso fazer para minimizar o impacto dessas ocorrências. É um trabalho diário, mas tenho certeza de que vai me trazer boas recompensas no futuro.

Isso não quer dizer, porém, que eu simplesmente não deseje amar alguém. Na verdade hoje entendo (ou melhor, eu sempre entendi mas hoje tenho certeza) que amar é diferente do que os filmes e novelas tentam nos ensinar. Algumas pessoas passam a vida inteira buscando alguém por quem possam sentir aquele friozinho na barriga diariamente. O amor verdadeiro vai além disso: amar significa valorizar a pessoa por tudo o que ela é, e não pelo que ela faz.

Isso nos ajuda a entender, por exemplo, por que uma filha defende seu pai até a morte mesmo sabendo que ele é um político corrupto. Ou então que a mãe vai pra porta da cadeia sofrer por seu filho durante uma rebelião, com o coração em pedaços por ver os policiais tratando-o com violência. Para a filha ou a mãe em questão não importa o que seus entes fizeram, e sim o que eles representam.

Quem ama de verdade não se importa se o namorado traz flores todos os dias, ou se ele expressa seu amor ou desejo a cada minuto com ações ou palavras. Quem ama não espera que sua esposa tenha preparado o jantar todas as noites, ou que ela sempre o receba linda e cheirosa.

Para quem ama de verdade, o que importa é que a pessoa estava lá no momento mais crítico de nossas vidas, disposta a emprestar um ombro ou a ouvir nossos lamentos. O que importa é que ela nos ajudou a ir atrás de nossos sonhos, seja abraçando esses sonhos como se fossem os dela ou simplesmente encorajando-nos.

Se um dia eu encontrar alguém que tenha esses valores e por quem me torne grato por suas contribuições, aí sim terei a certeza de que posso amar novamente. Enquanto isso não acontece vou buscar o máximo de experiências que puder ter, e não vou me importar em nutrir sentimentos. Vou trabalhar para atingir um nível de maturidade cada vez mais alto e, consequentemente, garantir meu sucesso pessoal!

Paradigmas

Posted 08/12/2009 by autoajudasentimental
Categories: Grandes Lições

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Em outro post mencionei que eu havia começado a ler Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, de Stephen R. Covey. O primeiro capítulo fala sobre paradigmas (meu assunto preferido ultimamente!) e princípios e como eles regem nossa vida — e, principalmente, como a mudança de paradigmas é importante para nos fazer progredir. Uma passagem desse capítulo, porém me chamou a atenção e me fez ter vontade de compartilhar.

Basicamente o autor começa o livro com algumas frases que ouvimos com frequência por aí: umas relacionadas ao sucesso profissional, outras que dizem respeito a relacionamentos interpessoais e por aí vai. Em um momento do primeiro capítulo (sim, ainda estou no primeiro capítulo!) o autor expõe uma frase comum sobre casamento, em que um suposto cônjuge se queixa de que não existe mais qualquer sentimento pelo outro, mesmo depois de terem recorrido a terapia de casal e outras coisas. O autor alimenta o paradigma de que “o amor acabou” com afirmações do tipo “se eu buscar ajuda meu marido (ou minha esposa) vai me entender melhor”, ou “talvez seja inútil continuar tentando, talvez um novo amor seja a solução dos meus problemas”. Em seguida ele confronta o mesmo paradigma com as seguintes perguntas:

- Será que o problema é realmente meu(minha) parceiro(a)?
- Será que, a partir do momento em que eu promovo a fraqueza dele(a), não torno minha vida uma consequência da forma como eu o(a) trato?
- Haveria algum paradigma básico referente a ele(a), ao casamento, ao amor como deve ser, que possa alimentar o problema?

Por vezes achamos que a pessoa que amamos perdeu o interesse por nós. Por vezes pensamos que nós é que perdemos o interesse pela pessoa amada. O fato é que, ao querer resolver algo que nos incomoda (principalmente no que diz respeito às relações humanas em geral), nunca pensamos de forma objetiva, nunca pensamos que deveríamos romper certos paradigmas para encontrar uma solução. O caminho subjetivo, mais fácil, é apontar o outro como a causa de nossa frustração e infelicidade. E com isso perdemos a chance de conseguirmos a felicidade plena.

Quando li as três perguntas que o autor fez foi inevitável pensar em minha ex e em como ela me tratava desde que começamos a namorar, em como ela explorava minhas fraquezas pra conseguir o que queria. Eu tenho uma visão de relacionamento que sempre divergiu da dela — e, infelizmente, demorei muito pra me dar conta disso. Eu imagino o casamento como uma parceria; ela, como aquelas coisas que vemos em novelas, com o marido rastejando pela amada, demonstrando seu desejo e paixão diariamente com café na cama, milhares de beijos e noites tórridas (e algumas manhãs e tardes também) de sexo.

No entanto ela se esqueceu de que no mundo real as pessoas trabalham de verdade, e há uma série de obstáculos que, muitas vezes, nos impedem de sustentar determinada postura. É impossível querer manter exatamente o mesmo clima da época de namoro depois de anos de casamento! As coisas mudam, a necessidade de gerenciar nosso tempo pras tarefas diárias acaba interferindo diretamente em nossa visão sobre o relacionamento – e a situação se complica ainda mais quando se tem filhos. Isso é o que eu vejo nos casamentos das pessoas que conheço: há, sim, uma mudança (que eu, pessoalmente, gosto de chamar de “amadurecimento da relação”).

Nosso relacionamento chegou ao fim por ela não entender que sua visão de mundo é totalmente distorcida. Querer sentir-se desejada pro resto da vida só funciona na ficção; a realidade é diferente, e pra que a pessoa se sinta desejada é necessário dar algo em troca — ninguém gosta de uma pessoa gratuitamente! Ela precisa mudar esse paradigma (se já não tiver mudado), do contrário estará condenada a ter relacionamentos cada vez mais superficiais de agora em diante.

Ou talvez eu é quem precise romper certos paradigmas — o que, pensando de forma bastante objetiva, acho pouco provável. O modelo “casamento=parceria” me parece perfeito! De que outra forma um relacionamento se sustentaria por anos e anos?

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Sempre que escrevo meu ponto de vista sobre o relacionamento que tive com minha ex penso na crônica A versão dos afogados, de Luis Fernando Verissimo, no livro homônimo de 1997. Nessa crônica Verissimo fala sobre a imprecisão que um único ponto de vista traz pra determinada discussão (no caso, ele divaga sobre como as pessoas acreditam que os golfinhos são animais inteligentíssimos e dóceis por já terem salvado vários náufragos mas ignoram que provavelmente uma parcela dos golfinhos deve ter brincado com outros náufragos, levando-os à morte).

Sinceramente eu gostaria, de alguma forma, que minha ex pudesse contribuir com o ponto de vista dela sobre toda a situação. No entanto o tempo tem tornado isso cada vez mais difícil, já que não mantenho nem mesmo o mínimo indispensável de interação indispensável com ela — ainda temos pendências relacionadas ao divórcio que precisamos resolver e simplesmente não tenho notícias dela há uns 3 meses no mínimo. Não que eu faça grande questão de entrar em contato com ela, mas me preocupa a possibilidade de não conseguir contactá-la quando finalmente pudermos solicitar nosso divórcio.

Enfim… quem sabe um dia ela entra em contato e expoe (de forma sincera e objetiva, como tem sido meus posts neste blog) sua visão sobre tudo o que aconteceu?

Nona grande lição

Posted 07/12/2009 by autoajudasentimental
Categories: Grandes Lições

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(Essa é bem curtinha. Na verdade é apenas uma frase.)

As pessoas se tornam vítimas de suas próprias escolhas.

Demonstrações de afeto e desejo

Posted 03/12/2009 by autoajudasentimental
Categories: Pensamentos

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Eu estava relembrando um comentário de uma leitora do blog no post Momento de reflexão. Ela dizia que sentia vontade de “ser beijada, tocada e desejada”. Não entendo como uma pessoa pode basear todo um relacionamento apenas no desejo que o outro supostamente deveria sentir por ela! Sempre acreditei que o amor é uma amizade forte entre duas pessoas com direito a algumas coisas que uma amizade normal não permite (beijo na boca, sexo etc). E sempre acreditei na reciprocidade também: eu demonstro amor pra que o outro também demonstre, eu desejo quem me deseja.

Refletindo sobre meu casamento reconheço que houve uma queda ao menos na demonstração do meu desejo por ela. Isso não quer dizer, porém, que ele não existia. Ele apenas estava aprisionado no mundo em que eu também acabei me fechando: um mundo em que a crença de que meu trabalho árduo garantiria um futuro feliz pra mim e pra ela. Fui consumido pelo stress pois me dediquei ao meu trabalho. E, como consequência, acabei perdendo oportunidades de demonstrar meu afeto e desejo por ela.

Poderia ter agido diferente? Acredito que sim. No entanto, como eu já disse, sempre acreditei na reciprocidade. Lembro-me de algumas demonstrações de afeto e desejo que foram simplesmente ignoradas por prioridades dela, que eram muito menores que as minhas. Uma vez ela me pediu pra preparar um jantar romântico no nosso aniversário de casamento. Fiquei o dia inteiro em casa trabalhando nisso, cozinhei e preparei tudo pra que nossa noite fosse impecável. Na hora em que ela chegou em casa nos preparamos pra jantar. Era pra ser um momento só nosso até que ela decidiu assistir à novela! Fiquei um pouco frustrado mas tentei compreender, afinal ela gostava muito de acompanhar a novela. Mas enfim… esse foi só um exemplo de que, no nosso relacionamento, a única pessoa que tinha a obrigação de demonstrar todo o amor do mundo era eu. Ela podia agir da forma que achasse melhor.

Aliás… já falei o quanto eu valorizo o respeito também? Pois é…

Compromisso

Posted 27/11/2009 by autoajudasentimental
Categories: Grandes Lições

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Conversa que eu ouvi um dia desses entre uma menina aparentando uns 9 anos e uma moça de uns 25, provavelmente sua parente (ela a chamava de tia mas nunca se sabe, né? Criança tem mania de chamar os mais velhos de “tio” ou “tia”):

- Tia, por que o Leandro se separou de você?
- Porque ele é um babaca. Essa foi a resposta curta. Quer a resposta longa?

Silêncio por alguns instantes.

- Ele não podia ter feito isso, sabia?

A tia ri.

- Por que não?
- Porque ele se comprometeu com você e com Deus que somente a morte os separaria.

O semblante da tia é de espanto. Uma menina de 9 anos falando de um tema tão… adulto! E de forma tão madura! Por que alguns adultos também não conseguem pensar da mesma forma?

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Algumas pessoas não se casam à toa — eu queria dizer que ninguém se casa à toa mas hoje em dia a coisa não é bem assim… de qualquer forma, geralmente as pessoas tem um motivo muito forte pra assumir um compromisso tão sério assim, de conviver com outra pessoa e amá-la e respeitá-la até o fim da vida de um dos dois. Se uma pessoa quebra essa promessa de sustentar o relacionamento até o fim de seus dias provavelmente ela fará qualquer coisa por sua própria satisfação. Em algum momento ela perderá totalmente o escrúpulo, se é que um dia teve algum. Talvez até mesmo algumas afirmações com alta carga moral, do tipo “matar é errado”, se percam por aí. Ela poderá deixar de ter compromisso com ela mesma, com seus princípios e valores. Afinal de contas se um compromisso pra vida inteira com outra pessoa pode ser deixado de lado com tanta facilidade quem garante que não acontecerá o mesmo com os compromissos feitos consigo mesmo?